InícioÚltimasGesamb investe 4,3 milhões...

Gesamb investe 4,3 milhões de euros para triplicar recolha seletiva até 2030 no Alentejo Central

A Gesamb iniciou a execução de um investimento de 4,3 milhões de euros destinado a reforçar a recolha seletiva e a gestão de resíduos urbanos nos 12 municípios da sua área de intervenção (Alandroal, Arraiolos Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas e Vila Viçosa). Do total, 3,6 milhões de euros são financiados pelo programa ALT2030 – Programa Regional do Alentejo 2021-2027, através da candidatura EcoAcess26.

Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Gilda Matos, da Gesamb, explicou que este investimento «já estava previsto no Plano de Ação da Gesamb» e que «a novidade é o financiamento obtido, que permite avançar com maior segurança e cumprir as metas exigentes definidas até 2030».

Segundo a responsável, o objetivo é triplicar a quantidade de resíduos recolhidos seletivamente, passando dos atuais 50 quilos por habitante/ano para 150 quilos até ao final da década.

Três áreas de investimento prioritário

O projeto EcoAcess26 estrutura-se em três áreas principais: biorresíduos, resíduos volumosos e embalagens.

No caso das embalagens, a Gesamb está a desenvolver um estudo de zonamento para definir as zonas mais adequadas à implementação da recolha seletiva porta a porta. «Este estudo permite identificar as áreas com melhores condições urbanísticas para avançar com o modelo», referiu Gilda Matos.

A responsável adiantou ainda que, «já em novembro, será feita a distribuição de contentores junto dos produtores não domésticos» e que «no início do próximo ano arrancarão dois projetos-piloto de recolha seletiva porta a porta no setor doméstico, no município de Évora».

Biorresíduos e volumosos com novos equipamentos

No domínio dos biorresíduos e resíduos volumosos, o investimento abrange adaptações nas estações de transferência e ecocentros, bem como a aquisição de contentores com compactação.

«Os resíduos volumosos, como móveis, colchões ou sofás, ocupam muito espaço e têm pouco peso. Com os novos contentores compactadores e equipamentos de triagem, conseguimos otimizar o transporte e melhorar a eficiência», explicou Gilda Matos.

A unidade de valorização orgânica, localizada em Évora, será igualmente reforçada, assegurando a transformação dos resíduos orgânicos em composto de alta qualidade.

Digitalização e inovação nos fluxos de resíduos

De forma transversal, o projeto inclui ainda um investimento em digitalização. «Está a ser desenvolvido um software para registo e monitorização de todo o percurso dos resíduos, desde a receção até à valorização», indicou Gilda Matos.

Esta componente tecnológica visa modernizar o sistema de gestão e reforçar a transparência dos fluxos de recolha e tratamento.

Viaturas elétricas e sensibilização da população

A Gesamb adquiriu três viaturas 100% elétricas, das quais duas já estão em fase de entrega, e iniciou a chegada de contentores adaptados ao setor não doméstico. Segundo Gilda Matos, «este investimento já está no terreno, com equipamentos em funcionamento e alguns já operacionais nas instalações da Gesamb em Évora».

Paralelamente, serão realizadas ações de sensibilização e formação junto das comunidades, com equipas a visitar os agregados familiares. «Vamos porta a porta entregar os equipamentos e falar com as pessoas, para tornar a recolha mais acessível e eficaz», afirmou.

Desafios e metas para 2030

Apesar do financiamento e das medidas em curso, Gilda Matos reconhece que as metas são exigentes. «Temos a perfeita consciência de que será difícil atingir 150 quilos por habitante/ano, mas é um caminho que temos de percorrer», observou.

A responsável sublinhou também a importância de evoluir nas políticas públicas: «Enquanto a separação de resíduos for voluntária, será complicado alcançar as metas. É preciso pensar em ferramentas que incentivem esta mudança de comportamento».

Compromisso com a sustentabilidade

Com este investimento, a Gesamb reforça a sua estratégia de sustentabilidade e inovação, alinhada com os objetivos ambientais nacionais e europeus. «Esta candidatura foi uma lufada de ar fresco. Dá-nos confiança e segurança para avançar com o que já está no terreno», concluiu Gilda Matos.

O projeto EcoAcess26 é, assim, um passo decisivo para a modernização da recolha seletiva e para a promoção de uma economia circular no Alentejo, aproximando cidadãos e municípios de uma gestão de resíduos mais eficiente e sustentável.

Mais notícias

Vila Nova de Santo André: Protocolo do Monte do Paio abre caminho a financiamento

O protocolo assinado esta terça-feira, 28 de julho, para a gestão e dinamização do...

Câmara de Mourão e EDIA avançam com calcetamento de rua na Aldeia da Luz, inacabada há 26 anos

A Câmara de Mourão e a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA)...

CCDR Alentejo avança com plano de preservação do património arqueológico para «prevenir a destruição»

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo vai desenvolver um plano...

Juntas de freguesia de Évora esclarecem que não vão assumir recolha de resíduos

As três uniões de freguesias urbanas de Évora vieram esclarecer o âmbito da descentralização...

Estratégia TERRA+: AMCAL quer transformar cinco concelhos em «território-piloto» para gestão de resíduos

A Associação de Municípios do Alentejo Central (AMCAL) quer transformar os concelhos de Alvito,...

Câmara de Portel estuda alojamento e atividades náuticas junto em futuros investimentos na Barragem do Loureiro

A Câmara Municipal de Portel está a estudar a criação de instalações para pernoita,...

Alentejo vai criar estratégia integrada para a gastronomia e quer ser a primeira região do país a fazê-lo

O Alentejo vai avançar com a criação de uma estratégia integrada para a gastronomia...

Santiago do Cacém e Sines assinam protocolo para reforçar educação ambiental nas Lagoas de Santo André e da Sancha

Os municípios de Santiago do Cacém e Sines, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento...

Câmara de Alcácer do Sal vai investir cerca de 2M€ nas ribeiras e frente ribeirinha após cheias: «É obrigatório»

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal vai investir cerca de 1,7 milhões de...