O Alentejo vai avançar com a criação de uma estratégia integrada para a gastronomia regional, com o objetivo de articular toda a cadeia de valor, enfrentar os problemas do setor e aumentar o impacto económico deste património na região.
O anúncio foi feito esta segunda-feira, em Arronches, pelo presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, durante as comemorações oficiais do Dia da Gastronomia Portuguesa. À margem da iniciativa, o responsável falou ao Jornal ODigital.pt sobre os próximos passos previstos para o setor.
Processo deverá ser lançado ainda este ano
José Manuel Santos explicou que o Alentejo tem vindo a apostar na promoção da gastronomia, na criação de iniciativas próprias e na atração de eventos nacionais e internacionais, mas considera que chegou o momento de avançar para uma abordagem mais abrangente.
“Chegou a hora de o Alentejo avançar e ser a primeira região em Portugal a ter uma estratégia integrada para a sua gastronomia”, afirmou, adiantando que já estão a ser preparados os termos de referência do concurso destinado a selecionar a equipa que irá apoiar a definição do documento.
O processo deverá ser lançado ainda este ano e está também previsto no plano de atividades da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo para o próximo ano.
Segundo o responsável, a estratégia deverá envolver várias instituições, entre as quais a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, a AHRESP, as autarquias, o Turismo de Portugal, a ASAE e entidades ligadas à agricultura, à formação e à produção alimentar.
Estratégia vai abranger percurso “desde a produção até à mesa”
A futura estratégia deverá analisar a gastronomia enquanto sistema articulado, envolvendo a criação e produção dos alimentos, o conhecimento, a restauração, a hotelaria, a formação e a promoção turística.
“Falta agora dar o passo em frente e o passo em frente é olhar de uma forma holística e integrada para a gastronomia, desde a produção até à mesa”, declarou José Manuel Santos, salientando que existe “uma cadeia de valor complexa” que enfrenta dificuldades e necessita de respostas coordenadas.
O documento deverá identificar aquilo que está a funcionar, os setores que necessitam de melhoria e os problemas que condicionam o desenvolvimento da gastronomia alentejana.
“Vai identificar o que está bem, o que está mais ou menos e o que está mal”, resumiu o presidente da Entidade Regional de Turismo, acrescentando que o objetivo passa por colocar o setor numa posição mais forte ao longo dos próximos três anos.
Gastronomia pode gerar emprego e reforçar produções locais
José Manuel Santos considera que uma maior articulação entre o turismo, a restauração e os produtores poderá gerar mais emprego, riqueza e qualidade de vida no Alentejo.
A utilização de produtos regionais nos hotéis e restaurantes poderá também contribuir para reforçar algumas atividades agrícolas. O presidente da Entidade Regional de Turismo apontou o porco alentejano como um exemplo desta ligação entre a produção e os serviços turísticos.
“Se houver mais consumo do porco alentejano do lado do setor dos serviços e do turismo, obviamente que isso será bom para a agricultura”, afirmou.
O responsável entende que a gastronomia deve produzir um impacto mais amplo na região, criando emprego, fortalecendo produções locais e promovendo um maior sentido de pertença nas comunidades.
Preservar a gastronomia tradicional sem afastar inovação
A preservação da gastronomia tradicional será outro dos objetivos da estratégia, num contexto em que a cozinha regional tem também vindo a incorporar abordagens contemporâneas e novos projetos liderados por cozinheiros e empresários.
José Manuel Santos defendeu que a gastronomia alentejana continua a diferenciar-se pela sua ligação à cultura, aos produtos e ao território, considerando que esta dimensão identitária deve ser preservada e, em alguns casos, recuperada.
“A manutenção da gastronomia alentejana como um produto identitário e de tradição continua a diferenciar-nos”, afirmou, acrescentando que a dimensão contemporânea e criativa atualmente existente acrescenta valor à cozinha tradicional.
O responsável recordou que o Alentejo tem recebido reconhecimento internacional pela sua oferta gastronómica e destacou a realização, na região, de eventos associados à gastronomia e à restauração.
Gastronomia é um dos pilares da oferta turística
Para o presidente da Entidade Regional de Turismo, a gastronomia deve assumir um lugar central na promoção do Alentejo enquanto destino turístico.
“A gastronomia é um pilar muito importante da nossa oferta e ao qual temos que passar a dar uma atenção mais estratégica”, declarou José Manuel Santos, considerando que a realização das comemorações nacionais em Arronches contribui para afirmar a região numa área em que apresenta uma oferta consolidada.
O responsável salientou ainda que o Alentejo é um destino turístico relativamente recente quando comparado com outras regiões do país, mas tem vindo a afirmar-se através da gastronomia, do património, da paisagem, dos vinhos e da oferta hoteleira.
A estratégia agora anunciada deverá, segundo José Manuel Santos, permitir que a gastronomia gere “ainda mais riqueza, emprego e qualidade de vida para todos aqueles que vivem e trabalham na restauração e no turismo do Alentejo”.




















