Mármores do Alentejo: “É fundamental que a indústria perceba e compreenda para poder avançar”

Carlos Filipe

Como já noticiámos, no próximo dia 24 de abril, decorrerá um workshop no âmbito da 3ª fase do Projeto Património e História da Indústria dos Mármores (PHIM), do Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (CECHAP).

Neste sentido, ODigital.pt foi perceber um pouco melhor este projeto e que temas serão abordados no evento do próximo sábado.

Carlos Filipe, do CECHAP, explica que “este workshop vai decorrer sob o tema “Os Mármores do Alentejo: Um percurso que pela sua história económica” e tem uma vertente inovadora dentro deste estudo”, pois já muitos estudos foram feitos “do ponto de vista da economia, mas eram estudos que se desenvolviam numa perspetiva de mercado” e o que está agora a ser desenvolvido através de um grupo de trabalho, é “compilar todos estes dados e fazer uma avaliação entre aquilo que foi o setor financeiro de apoio à indústria e os seus resultados, portanto, nós hoje temos um conhecimento aprofundado do que foi o resultado de todo o financiamento público mesmo privado e o resultado de que teve impacto na economia quer local quer regional e nacional” e “este Workshop inclui-se exatamente nessa discussão em dois momentos centrais, compreender o que foi a economia da indústria dos mármores entre o século XVII e a primeira metade do século XIX e, uma outra, que é a segunda metade do século XIX até os finais do século XX.”

Este será um workshop que “decorre de um conjunto de atividades de divulgação daquilo que tem sido os resultados da nossa investigação para a 3ª fase do estudo e, portanto, digamos que é um workshop que antecipa um outro momento, esse sim que é central, onde vai reunir num fórum quer os industriais, quer os políticos, quer os decisores administrativos da região, quer as associações ligadas aos sectores das rochas ornamentais e os cientistas”, indicou ainda Carlos Filipe.

Acrescenta ainda o historiador que “com este workshop pretende-se dar a conhecer os primeiros resultados daquilo que foi alcançado até hoje e queremos abranger o máximo de pessoas interessadas e eu acho que os industriais são aqueles que, em primeiro lugar, devem ter interesse pela discussão da história económica do seu sector”, salientando ainda que “é fundamental que a indústria perceba e compreenda para poder avançar e é necessário perceber como é que chegámos aqui, onde é que falhámos, onde é que temos que avançar, quais as dinâmicas que a própria indústria deve seguir, quer do ponto de vista tecnológico quer do ponto de vista da sua economia e do seu desenvolvimento social.

Afirma o responsável que este workshop alerta também para o fato de ser fundamental “haver mais sensibilidade para a importância da história, pois, já passámos um momento em que a ideia da história não fazia falta e a questão da economia e das Finanças resolvia o problema, ora isso não é verdade”, referindo que “o que é coerente com o desenvolvimento é percebemos a dinâmica de cada um dos seus setores e neste caso a economia dos mármores.”

Carlos Filipe revela que “nós temos dados hoje muito objetivos de qual foi a evolução nos últimos 50 anos da indústria dos mármores”, acrescentando que “sabemos exatamente porque é que ocorreram determinados declínios e temos perfeitamente, através dos dados recolhidos, a noção de qual foi o caminho que o sector atravessou”, alertando que “isto não pode ser desvalorizado numa economia de escala global, em que este sector tem uma concorrência forte concorrência internacional de outros países produtores, que têm a capacidade de inovação muito avançado e de certa forma tudo isto concorre para a melhoria do sector.”

Outra das questões levantadas por Carlos Filipe prende-se com a sustentabilidade do setor “nas questões ambientais, que hoje é uma questão que se coloca em qualquer momento”.

No próximo dia 24, este workshop terá a participação de vários especialistas, divididos em 2 grupos, “um que é coordenado pelo professor José António Porfírio, da Universidade Aberta, é um economista experimentado não propriamente na área dos mármores, mas de outros setores de recursos endógenos” e “uma outra equipa que vem da Universidade de Évora, coordenada pela professora Ana Cardoso de Matos, que é uma historiadora reconhecida nos meios académicos nacionais e internacionais, com uma longa experiência sim no estudo sobre o sector dos mármores é uma profunda conhecedora faz parte da nossa equipa desde a sua fundação e portanto estas pessoas que vão intervir vamos trazer certamente uma informação muito coerente, muito assertiva do que foi o nosso passado em termos económicos numa perspetiva de desenvolvimento futuro.”

Este Workshop decorrerá por videoconferência, sendo que para se inscrever, poderá faze-lo através do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScUEq_qbZ44CUAS0tbxxrVuE7OwFeO3mXsjZy4csEfxET1wuw/viewform?gxids=7628

Sessão através do Zoom: https://us02web.zoom.us/j/87876035433

Mais informação em www.marmore-cechap.pt