A GESAMB – Gestão Ambiental e de Resíduos alertou para o desafio imposto ao distrito de Évora de triplicar a quantidade de resíduos recicláveis recolhidos até 2030.
Este objetivo, alinhado com as metas europeias, integra também a redução em 50% da deposição de resíduos indiferenciados em aterro e o aumento exponencial da recolha de biorresíduos.
Em 2023, os 12 municípios abrangidos pela GESAMB produziram quase 81 mil toneladas de resíduos domésticos, das quais apenas 11% foram recicladas. Segundo Gilda Matos, Técnica Superior da GESAMB, estes números estão muito abaixo do potencial de valorização, que seria de cerca de 65%. «Temos metas muito ambiciosas e só será possível alcançá-las com a adesão e mobilização da população», sublinhou.
O objetivo de triplicar a reciclagem implica uma transformação profunda nos hábitos da população. Para isso, Gilda Matos defendeu a implementação de sistemas de recolha mais próximos dos cidadãos. «É fundamental criar modelos que facilitem a separação, como a recolha porta a porta, reduzindo a dependência dos ecopontos que, muitas vezes, estão longe das residências», explicou.
Gilda Matos também destacou o impacto da sensibilização e educação ambiental como ferramentas cruciais, mas reconheceu os desafios. «Os hábitos estão profundamente enraizados, e a mudança é lenta. Precisamos de agir em várias frentes, desde o consumidor até aos produtores, que têm de repensar as embalagens que colocam no mercado», afirmou.
A GESAMB, em parceria com os 12 municípios do distrito, tem investido em ações de sensibilização, mas Sílvia Pinto, presidente do Conselho de Administração da empresa, reconhece que ainda há muito a fazer. «A proximidade dos municípios pode ser um catalisador para aumentar a sensibilização. Levar escolas e trabalhadores a conhecerem o processo de gestão de resíduos tem mostrado resultados positivos», destacou.
Apesar disso, Pinto alertou para a possibilidade de medidas mais restritivas, como o aumento das taxas de resíduos, caso as metas continuem a ser desafiadoras. «Seria ideal que a mudança viesse pela sensibilização, mas, infelizmente, algumas pessoas só alteram comportamentos quando confrontadas com tarifas mais altas», afirmou.
O incumprimento das metas de reciclagem poderá ter consequências ambientais e financeiras. «Além do impacto no meio ambiente, há penalizações previstas no contrato de gestão delegada da GESAMB caso os objetivos não sejam alcançados», revelou Gilda Matos. Estas penalizações poderão traduzir-se em custos adicionais para os municípios e, potencialmente, para os cidadãos.
Com o aumento da produção de resíduos e a limitação do aterro, a GESAMB reforça que o tempo para agir está a esgotar-se. «Temos apenas um planeta e os recursos não são infinitos. Cada um de nós tem um papel a desempenhar, e separar resíduos não é apenas um dever, é um ato de responsabilidade para com as gerações futuras», concluiu Sílvia Pinto.
A mobilização de toda a comunidade será essencial para alcançar as metas ambiciosas definidas para 2030, garantindo que o distrito de Évora se torna um exemplo na gestão de resíduos e na preservação ambiental.



















