A EDP decidiu não avançar com a Central Híbrida do Grande Lago, no Alqueva, que previa 70 MW de painéis solares flutuantes e 70 MW de produção eólica. O projeto, adjudicado em 2022, representava um investimento estimado em 169 milhões de euros a valores atualizados.
A decisão foi confirmada pela empresa ao Observador. «Após uma análise detalhada, a EDP entende que não estão reunidas as condições para avançar com o projeto», afirmou fonte oficial da elétrica.
Projeto previa 154 MW de energia renovável
A Central Híbrida do Grande Lago deveria combinar a produção solar no espelho de água do Alqueva com um parque eólico instalado em terra. O projeto incluía ainda 14 MW de sobrecapacidade solar e tinha entrada em funcionamento prevista para 2025.
No anúncio da adjudicação, publicado em abril de 2022, a EDP Renováveis indicou que tinha obtido 70 MVA de capacidade de ligação à rede no Alqueva.
A proposta previa um contrato por diferenças de -4 euros por MWh durante 15 anos. A componente solar seria acompanhada por 70 MW de energia eólica, cuja produção deveria contribuir para a rentabilidade global do projeto.
Custos e preços da eletricidade alteraram o projeto
Segundo a informação divulgada pelo Observador, a principal razão para a desistência está relacionada com a perda de rentabilidade do investimento.
Os custos dos equipamentos e da instalação aumentaram no período posterior à pandemia. Em paralelo, os preços da eletricidade no mercado grossista desceram durante períodos de elevada produção renovável, sobretudo quando existe muita oferta solar.
O investimento inicialmente estimado em mais de 100 milhões de euros passou para cerca de 169 milhões, incluindo as centrais solar e eólica e as respetivas linhas elétricas.
Estudo ambiental foi considerado desconforme
O projeto enfrentou também dificuldades no processo de avaliação ambiental. Após cerca de dois anos de contactos entre a EDP e a Agência Portuguesa do Ambiente, o estudo de impacte ambiental foi considerado desconforme.
Uma das questões identificadas estava relacionada com o traçado da linha elétrica que ligaria o parque eólico à rede. A infraestrutura poderia afetar zonas utilizadas por abutres, obrigando à revisão do corredor inicialmente estudado.
As alterações necessárias para reduzir os impactos ambientais implicariam uma maior dispersão dos equipamentos e um aumento dos custos de construção.
Cinco municípios tinham contestado a central
A decisão da EDP surge depois de vários municípios da região terem manifestado oposição à nova central solar flutuante.
Em novembro de 2025, Moura, Portel, Reguengos de Monsaraz, Alandroal e Mourão contestaram o projeto junto do Governo. Os autarcas apontaram possíveis efeitos na navegação, nas atividades náuticas e no turismo associado à albufeira.
Segundo a Lusa, citada pelo ECO, a estrutura ocuparia cerca de 40 hectares no concelho de Moura. O projeto abrangia ainda áreas dos concelhos de Portel e Reguengos de Monsaraz.
Central-piloto da EDP mantém-se no Alqueva
A desistência diz respeito à expansão prevista no projeto Grande Lago e não à central solar flutuante que a EDP já instalou no Alqueva.
A unidade-piloto, inaugurada em 2022, tem cinco MW de potência, cerca de 12 mil painéis e ocupa quatro hectares da albufeira. De acordo com a informação publicada pela EDP, produz cerca de 7,5 GWh por ano e inclui uma bateria de um MW com capacidade de armazenamento de aproximadamente 2 MWh.
A empresa descreveu anteriormente o projeto Grande Lago como uma expansão da central existente, com cerca de 70 hectares de painéis solares e 70 MW de produção eólica instalada a alguns quilómetros da albufeira.
EDP não deverá reformular o projeto
Em maio de 2026, o Governo aprovou o Decreto-Lei n.º 100/2026, que permite aos titulares de capacidade de ligação à rede alterar a tecnologia de produção, recorrer à hibridização, reduzir potência ou alterar o ponto de ligação.
Apesar dessa possibilidade, a EDP não deverá reformular o projeto do Alqueva. A existência de vários projetos de produção de energia na região obrigaria a uma nova avaliação dos impactos cumulativos, sem garantia de aprovação.
A elétrica assegura que a decisão não põe em causa a aposta nas energias renováveis em Portugal, mas o projeto Grande Lago deixa de avançar. No Alqueva, a central-piloto permanece como a única instalação solar flutuante da EDP no espelho de água.

















