AHRESP alerta para dificuldades na restauração e defende gastronomia como eixo estratégico da economia (c/fotos)

O presidente da AHRESP, Carlos Moura, considera que a gastronomia deixou de ser um elemento complementar do turismo, mas alerta que parte significativa da restauração enfrenta dificuldades provocadas pelo aumento dos custos.

A gastronomia portuguesa está a assumir um papel estratégico na economia e na promoção turística do país, mas o setor da restauração continua a atravessar dificuldades devido ao aumento dos custos da energia, dos combustíveis e das matérias-primas. O alerta foi deixado esta segunda-feira, em Arronches, pelo presidente da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, Carlos Moura.

O responsável falava à margem das comemorações oficiais do Dia da Gastronomia Portuguesa, que decorreram no Convento de Nossa Senhora da Luz e foram acompanhadas pelo Jornal ODigital.pt.

Restauração enfrenta aumento generalizado dos custos

Carlos Moura reconheceu que a atividade turística tem registado um crescimento da receita, mas advertiu que essa evolução não é sentida de forma igual em todo o território ou por todas as empresas.

“O país não é homogéneo. Há gente que está bem, ainda bem que está bem, mas há gente que está mal e há gente que está muito mal”, afirmou, explicando que “os fatores de custo agravaram-se todos”.

Entre os principais encargos, o presidente da AHRESP destacou a evolução dos preços da energia, dos combustíveis e das matérias-primas, em particular da carne e do peixe, considerando que a situação económica da restauração continua a ser exigente.

Apesar das dificuldades, Carlos Moura defendeu que a gastronomia portuguesa está finalmente a ser reconhecida como um setor determinante, não apenas para a atividade turística, mas para a economia nacional no seu conjunto.

“É um produto estratégico, finalmente reconhecido para Portugal como determinante para a economia, não só para o turismo, mas para a economia em geral”, declarou.

Gastronomia deixa de ser produto complementar

Segundo o presidente da AHRESP, a gastronomia deixou de ser encarada apenas como um complemento da oferta turística e deverá passar a ocupar uma posição central no Plano Estratégico do Turismo para 2035.

Carlos Moura revelou que a associação está a preparar um plano estratégico para a restauração e a gastronomia, com uma perspetiva de dez anos, que será apresentado no congresso da AHRESP, marcado para os dias 22 e 23 de outubro, em Lagoa, no Algarve.

“Finalmente, a gastronomia deixou de ser um produto complementar na promoção turística para passar a ser uma questão basilar na estratégia do futuro próximo para o turismo”, salientou.

O responsável acrescentou que o documento deverá estar enquadrado no Plano Estratégico do Turismo para 2035, cuja apresentação está prevista para setembro, defendendo que a gastronomia portuguesa deve ser promovida além-fronteiras com maior consistência.

Gastronomia diferencia Portugal de outros destinos

Para Carlos Moura, a gastronomia representa um dos principais fatores de diferenciação de Portugal enquanto destino turístico, juntamente com a segurança, a hospitalidade, o clima e o património cultural.

O presidente da AHRESP considerou que os turistas, sobretudo os estrangeiros, não procuram apenas alojamento, mas experiências associadas ao território, à cultura e à alimentação.

“A maior parte dos turistas vem para experiências” e a gastronomia portuguesa é “um fator diferenciador”, afirmou, defendendo uma aposta mais forte na promoção internacional dos produtos, dos vinhos e da cozinha nacional.

Durante a sessão de abertura, Carlos Moura reiterou que “não há turismo sem gastronomia” e que também “não há gastronomia sem restaurantes e sem hotéis”, destacando o papel dos empresários e dos profissionais que asseguram diariamente o funcionamento dos estabelecimentos.

Empresários e trabalhadores devem ser valorizados

A valorização das pessoas foi outro dos eixos apontados pelo presidente da AHRESP, que destacou o esforço dos empresários que investem na restauração e dos profissionais que trabalham no setor.

Carlos Moura lembrou que gerir um restaurante exige “muita dedicação, muita alma e muita paixão”, defendendo que deve existir maior reconhecimento político e institucional para quem investe e trabalha na hotelaria e na restauração.

“Não há turismo, nem gastronomia, se não houver gente que investe e gente que serve”, afirmou, acrescentando que o setor depende de profissionais que trabalham frequentemente “12 ou 14 horas por dia”.

O presidente da AHRESP apelou, por isso, ao Governo, ao Parlamento e às autarquias para que reconheçam “a relevância da gastronomia, da restauração e da hotelaria” para a economia portuguesa.

Escolha de Arronches pretende promover coesão territorial

A realização das comemorações em Arronches foi também justificada pela intenção de descentralizar as iniciativas e contribuir para a coesão territorial.

Carlos Moura explicou que a AHRESP pretende levar o Dia da Gastronomia Portuguesa a diferentes regiões, evitando concentrar os eventos nos principais centros urbanos.

“Não queremos afunilar tudo para as grandes urbes, porque o país é um todo”, afirmou, recordando que as edições anteriores passaram pelo Algarve, Mafra e Sertã.

A escolha de Arronches permitiu ainda homenagear o porco alentejano, produto central da edição deste ano, subordinada ao tema “O Porco: Tradição, Sabor e Futuro”.

Mais notícias

Das cozinhas de Londres e do Brasil para Troia: Francisco Fevereiro assume novo cargo

O Tróia Design Hotel anunciou Francisco Fevereiro como novo chef executivo. O responsável assina...

Festival do Gaspacho e Tomate decorre em Borba até 24 de agosto

O Festival Gastronómico do Gaspacho e Tomate continua a decorrer no concelho de Borba...

Beldroegas em foco numa sessão em Lisboa do ciclo “Provar é Saber”

As beldroegas, um dos ingredientes mais identitários da gastronomia alentejana, são as protagonistas da...

Viana do Alentejo: Bluay, Diogo Piçarra, Folclore e Gisela João na feira D’Aires

A Feira D’Aires regressa a Viana do Alentejo entre 25 e 28 de setembro...

ASAE encerra dois restaurantes e zona de refeições de centro comercial em Évora

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) determinou a suspensão da atividade de...

Borba: Festival Gastronómico “Gaspacho e tomate” começa na sexta-feira

A Câmara de Borba, no distrito de Évora, promove a partir desta sexta-feira um...

Fiscalização da GNR termina com encerramento de restaurante em Abela (Santiago do cacém)

Um estabelecimento de restauração e bebidas situado na localidade de Abela, no concelho de...

O restaurante alentejano que acaba de receber uma distinção nacional

O restaurante Flor D’Amendoeira – Wine & Flavour, localizado na Quinta da Amendoeira, em...

EHT Portalegre cria curso de Gestão Hoteleira de Alojamento em Alvito

A Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre (EHT Portalegre) vai ministrar um novo...