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CCDR Alentejo estuda financiamento para ampliar matadouro do litoral alentejano

Projeto prevê sala de desmanche, refrigeração de carne e processamento de caça grossa, numa estratégia para valorizar a produção pecuária regional.

A CCDR Alentejo está a estudar a possibilidade de enquadrar em fundos comunitários o financiamento para a ampliação do Matadouro do Litoral Alentejano, no concelho de Odemira.

O projeto está ainda numa fase preliminar e foi abordado em reunião de trabalho, tendo como objetivo responder a “fragilidades da região” ao nível do “processamento, organização e comercialização da produção”.

Desta forma, está em análise a criação de duas novas valências na infraestrutura. Uma sala de desmanche, com possibilidade de refrigeração da carne e ainda uma sala de processamento de caça grossa.

A possibilidade foi referida por Ricardo Pinheiro, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, em declarações ao jornal ODigital.pt, que defendeu a necessidade de os fundos comunitários apoiarem o setor primário e a agrotransformação.

“Os fundos comunitários têm de apoiar o setor primário e a agrotransformação”, afirmou Ricardo Pinheiro, sublinhando “a importância de desenhar o financiamento para o matadouro no Litoral Alentejano”, com capacidade para promover a valorização da produção regional e das raças autóctones.

Segundo o presidente da CCDR Alentejo, o projeto está “perfeitamente em linha” com os objetivos europeus em matéria de soberania alimentar e pretende responder a fragilidades existentes na região.

Projeto pretende valorizar produção pecuária regional

Ricardo Pinheiro apontou dois objetivos associados à infraestrutura em estudo: aproximar a produção regional do consumo local e reforçar a ligação entre os produtos do território, a alimentação e o turismo.

“Tem dois objetivos muito claros: colocar as raças autóctones no prato das nossas crianças e no prato dos turistas da região”, afirmou o presidente da CCDR Alentejo.

A ampliação do matadouro é apontada como uma forma de estruturar a fileira da carne, desde o produtor até à comercialização, reduzindo distâncias na cadeia de valor e criando condições para manter a qualidade dos produtos até ao consumidor final.

“A possibilidade de se avançar para um projeto destes é valorizar determinadas questões que se prendem com os produtos endógenos do Alentejo”, disse Ricardo Pinheiro.

O responsável defendeu ainda que “um investimento como este permite trabalhar a fileira da carne de ‘A a Z’, desde o produtor até àquele que será o comercializador”, ajustando a distância ao consumidor final e às condições de transporte.

Fundo de Transição Justa é uma das possibilidades

O financiamento do projeto ainda não está definido. De acordo com Ricardo Pinheiro, a CCDR Alentejo está a estudar as soluções possíveis, incluindo a possibilidade de recurso ao Fundo de Transição Justa, instrumento associado ao Alentejo Litoral no contexto do encerramento da Central Termoelétrica de Sines.

“Há possibilidade de financiamento através do Fundo de Transição Justa, um fundo que está disponível para o Alentejo Litoral, com base no fecho da Central de Sines”, referiu.

O presidente da CCDR Alentejo sublinhou, contudo, que a discussão decorre ainda numa fase de trabalho. “Neste momento, estamos a estudar como pode ser financiado”, afirmou.

Para Ricardo Pinheiro, a questão não se limita à criação de uma infraestrutura de abate. O objetivo passa também por dotar o projeto de uma dimensão que permita valorizar a carne produzida na região, organizar a comercialização e abrir acesso a mercados onde os produtores não conseguem entrar atualmente.

“É equipar o projeto com uma dimensão que permita exportar muita da carne que é produzida naquela região e, por esta forma, aumentar a competitividade do ponto de vista da organização e da comercialização”, vincou.

Alentejo 2030 mais próximo da agricultura

Ricardo Pinheiro enquadrou ainda o projeto na aproximação do Alentejo 2030 ao setor primário, defendendo que os instrumentos de financiamento devem estar ajustados às necessidades da agricultura e da agrotransformação.

“Foi uma reunião de trabalho, mas que me deixa feliz e que mostra como o Alentejo 2030 cada vez está mais próximo do setor primário e da agricultura e mais ajustado à dinamização do financiamento deste tipo de projetos”, afirmou.

O presidente da CCDR Alentejo considerou que a instituição tem procurado estar mais próxima da agricultura, setor que classificou como “muito importante” para a região.

“É muito bom para a CCDR Alentejo aumentar esta dinâmica do setor primário e conseguir descodificar muita da linguagem para pôr os fundos estruturais à disponibilidade da agricultura alentejana”, concluiu.

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