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Especialistas defendem que maioria dos jovens quer viver no interior, mas faltam serviços e incentivos fiscais

Especialistas defendem reforço das acessibilidades, descentralização e benefícios fiscais para travar a perda de população nas regiões do interior.

A maioria dos jovens oriundos de zonas rurais gostaria de permanecer a viver, estudar ou trabalhar nos territórios de origem, mas a falta de serviços, acessibilidades e incentivos continua a dificultar essa permanência. As conclusões foram discutidas esta quarta-feira no Fórum TSF, dedicado aos desafios da coesão territorial.

Segundo o relatório “Vieram para ficar? As transições da juventude rural antes e depois da pandemia de Covid-19”, desenvolvido pelo Conselho da Europa e pela Comissão Europeia, quase 80% dos jovens das zonas rurais europeias prefere continuar a viver nas regiões de origem ou nas proximidades, desde que existam condições adequadas.

Durante o debate, Jorge Malheiros, investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, defendeu uma reorganização do território baseada numa lógica de rede e mobilidade. O especialista considerou inevitável que nem todos os serviços possam existir em todos os locais, mas alertou para a necessidade de contrariar o “esvaziamento” do interior.

Também Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal, sublinhou a importância do investimento em áreas como educação, saúde e equipamentos sociais e culturais. Na sua perspetiva, a criação dessas condições poderá incentivar empresas a instalarem-se fora dos grandes centros urbanos.

Já Francisco Brito, da Associação Nacional de Freguesias, defendeu um reforço do poder local, considerando que as decisões devem ser tomadas por quem conhece os territórios e as suas necessidades específicas.

A fiscalidade foi outro dos temas em destaque. O antigo ministro da Economia Carlos Tavares defendeu a redução do IRS no interior e a criação de mecanismos fiscais capazes de atrair grandes empresas para essas regiões.

Na área da educação, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos criticou a concentração de vagas no ensino superior em Lisboa e Porto. Segundo o responsável, 56% das vagas estão localizadas nas duas áreas metropolitanas, situação que contribui para agravar os desequilíbrios territoriais.

O estudo analisou a transição para a vida adulta de jovens entre os 18 e os 30 anos, em 14 países europeus, entre 2019 e 2023, incluindo o período da pandemia.

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