A Ciência na Rua regressou a Estremoz, no passado sábado, 11 anos depois da última edição, com um programa dedicado à sustentabilidade e à aproximação entre ciência, arte e comunidade. A iniciativa decorreu no Rossio Marquês de Pombal, entre a tarde de sábado e a madrugada de domingo, reunindo dezenas de cientistas, investigadores, artistas e entidades parceiras.
Promovido pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, em parceria com o Município de Estremoz e a Universidade de Évora, o evento teve como tema central «Sustentabilidade… Insustentável?!…» e procurou levar o conhecimento científico para o espaço público, através de experiências interativas, espetáculos de rua, teatro, música, dança, circo, marionetas e animação.
Ciência na Rua voltou a colocar o conhecimento no espaço público
Para Pedro Russo, presidente da Ciência Viva, há espaço para eventos de grande dimensão fora dos principais centros urbanos, considerando que o trabalho desenvolvido pelo Centro Ciência Viva de Estremoz «vem demonstrar que é um trabalho que é preciso e muito importante».
O responsável sublinhou ainda a importância de envolver a comunidade local, além da comunidade escolar, destacando que este trabalho tem sido feito de forma continuada. «É para nós um orgulho ter este centro, não só no Alentejo, mas no país», afirmou, referindo que a Ciência Viva valoriza o trabalho realizado diariamente por profissionais que partilham conhecimento, ciência e tecnologia com os jovens e com a comunidade.
Pedro Russo destacou também a evolução da ciência em Portugal nas últimas três décadas. Segundo o presidente da Ciência Viva, Portugal passou de indicadores reduzidos no número de cientistas para uma posição «acima da média europeia» no número de cientistas por mil habitantes. «Neste momento, uma carreira científica em Portugal e na Europa é uma carreira de futuro», afirmou.
Universidade de Évora destaca papel da ciência na sustentabilidade
O reitor da Universidade de Évora, António Candeias, defendeu que a ciência deve ter «um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade», sobretudo na construção de modelos sustentáveis.
«O conhecimento vai ser fundamental e trazer para a rua e sensibilizar os cidadãos de que é importante mudar a forma como nós encaramos o nosso mundo, porque não há outro planeta», afirmou o reitor, associando esse objetivo à participação da Universidade de Évora na Ciência na Rua.
António Candeias considerou ainda que os jovens estão cada vez mais conscientes da importância da ciência. «Cada vez mais os jovens percebem que a ciência é importantíssima para o desenvolvimento e para a criação de uma sociedade mais sustentável e mais justa», referiu.
Estremoz quer afirmar eventos diferenciadores no interior
O presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, classificou o regresso da Ciência na Rua como «um momento de grande satisfação e também de muito orgulho», recordando que a iniciativa marcou gerações desde a sua criação.
O autarca destacou o papel do evento na promoção da cidade e na aproximação entre população, ciência e conhecimento. Segundo José Daniel Sádio, a Ciência na Rua resulta de «um tremendo trabalho de parceria» entre a Ciência Viva, o município e outros atores locais.
O presidente da Câmara defendeu ainda que o interior tem capacidade para receber iniciativas desta dimensão. «Haja boa vontade, haja boas sinergias, haja arrojo também, haja vontade de arriscar, mas sobretudo haver a capacidade institucional de trabalharmos em conjunto», afirmou.
Para José Daniel Sádio, a Ciência na Rua é «um evento que pode estar em qualquer cidade do mundo» e que, nesta edição, voltou a realizar-se em Estremoz. O autarca manifestou ainda a expectativa de que a iniciativa não volte a ter um interregno tão longo.
Centro Ciência Viva de Estremoz reforçou ligação entre ciência e tradição
Rui Dias, do Centro Ciência Viva de Estremoz, destacou a criação de novos conteúdos que cruzam ciência, arte e tradição local, nomeadamente através dos Bonecos dos Malteses.
Segundo Rui Dias, a iniciativa resultou de uma parceria com a Companhia de Valdevinos e partiu da vontade de associar a ciência ao território. «Nós gostamos muito de nos ligar ao meio e à tradição», afirmou, explicando que foram introduzidas novas personagens ligadas à história da ciência.
«No alto da criação do mundo, um Ptolomeu, Aristóteles, Einstein e esses todos faziam falta. E foi isso que nós fizemos», referiu Rui Dias, acrescentando que esta criação pretende continuar a ser apresentada em escolas e feiras.
Para o responsável, esta abordagem representa «mais uma forma de fazer o misto entre a ciência e a arte» e deixa uma marca para o futuro da iniciativa e para a região.
Com o regresso da Ciência na Rua, Estremoz voltou a receber uma iniciativa que junta divulgação científica, participação pública e programação artística, reforçando o papel da ciência na reflexão sobre sustentabilidade, ambiente, tecnologia e futuro.



















