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A escola de Sousel que está a mudar o futuro dos jovens com o ensino profissional

No interior do distrito de Portalegre, o Centro Escolar de Sousel tem usado os cursos profissionais para atrair alunos e responder às necessidades do concelho.

No interior do distrito de Portalegre, o Centro Escolar de Sousel tem usado os cursos profissionais para atrair alunos, responder às necessidades do concelho e contrariar os efeitos da baixa densidade populacional.

A estratégia, explica a diretora do Agrupamento de Escolas de Sousel, Elisabete Pereira, começou há mais de uma década, quando a escola percebeu que uma parte dos jovens não encontrava resposta nos cursos científico-humanísticos.

«Temos jovens que nem sempre querem ingressar nos cursos científico-humanísticos», afirma a diretora, recordando que essa realidade levava, em alguns casos, ao abandono escolar ou à não conclusão do ensino secundário.

Foi nesse contexto que o agrupamento iniciou uma aposta no ensino vocacional, numa experiência que Elisabete Pereira descreve como «um perfeito sucesso». A partir daí, a escola consolidou uma oferta profissional orientada para duas dimensões: preparar alunos para o mercado de trabalho e permitir o prosseguimento de estudos.

Centro Escolar de Sousel reforça ensino profissional

Até ao último ano letivo, a oferta formativa profissional do agrupamento incluía os cursos de Indústrias Alimentares, Turismo Ambiental e Rural, Desporto e Técnico Auxiliar de Saúde.

A escolha das áreas, segundo a diretora, tem procurado acompanhar a realidade do território. Elisabete Pereira aponta necessidades ligadas à indústria, ao turismo, à restauração, à hotelaria e ao apoio à população idosa.

«Cada vez mais temos indústrias, temos turismo, temos necessidades a nível da restauração e da hotelaria, e temos também necessidades a nível de lares», refere.

Atualmente, o agrupamento tem cerca de uma centena de alunos no ensino profissional. Para a diretora, esta consolidação acabou também por ter impacto noutros níveis de ensino.

«O ensino secundário profissional faz com que também as famílias que trabalham aqui no concelho decidam colocar os seus filhos no terceiro ciclo, no segundo ciclo, no primeiro ciclo e no pré-escolar», afirma.

Uma escola que atrai alunos de outros concelhos

A diretora defende que a escola tem conseguido contrariar a tendência de perda de alunos registada em vários concelhos do interior.

«Estamos em Sousel, um concelho com baixa densidade populacional, e temos conseguido contrariar aquilo que se passa nos concelhos limítrofes», sublinha Elisabete Pereira.

A responsável associa esta evolução à qualidade da oferta educativa, ao trabalho dos docentes, à colaboração do Município de Sousel e às parcerias estabelecidas com o tecido empresarial.

Os alunos de fora do concelho podem também frequentar a escola. Segundo a diretora, os que residem a mais de 50 quilómetros podem usar apartamentos disponibilizados pela Câmara Municipal de Sousel, que funcionam como residência para estudantes, com bolsa de alojamento. Para os que vivem a menos de 50 quilómetros, existe transporte escolar assegurado.

«A Câmara Municipal de Sousel tem feito um investimento enorme no que diz respeito aos transportes escolares», afirma.

Centro Tecnológico Especializado vai reforçar área digital

A escola prepara agora a inauguração do Centro Tecnológico Especializado de Informática, depois de uma candidatura aprovada.

O investimento, segundo Elisabete Pereira, ronda meio milhão de euros e vai permitir dotar a escola de novos equipamentos ligados à área digital.

«O facto de nós, através do Centro Tecnológico Especializado, termos tecnologia de ponta é atrativo para os nossos jovens», afirma.

Esta aposta surge num momento em que o agrupamento prepara novas ofertas formativas. No próximo ano letivo, estão previstos cursos ligados à informática, nomeadamente Gestão e Programação de Sistemas Informáticos e Computação e Redes.

Para a diretora, o reforço da área tecnológica acompanha a evolução das necessidades do mercado de trabalho e do percurso escolar dos alunos.

«Acabámos por fortalecer a escola no que diz respeito à era digital, que é para lá que caminhamos», refere.

Empregabilidade e ensino superior

A ligação entre os cursos profissionais e as necessidades do território é uma das dimensões centrais do projeto educativo.

Elisabete Pereira afirma que, em áreas como Turismo, Saúde e Indústrias Alimentares, a procura por profissionais qualificados é superior ao número de alunos formados.

«Se mais alunos tivéssemos, mais alunos teriam empregabilidade», afirma, referindo-se à procura existente por parte de empresas e instituições da região.

No caso do curso de Desporto, a diretora sublinha uma realidade diferente. Embora o mercado local não consiga absorver todos os alunos, muitos prosseguem estudos no ensino superior.

«Trinta por cento dos alunos que ingressam no ensino superior são do curso de Desporto», afirma.

Segundo a diretora, há antigos alunos a estudar em instituições de Évora, Portalegre e Coimbra. Para Elisabete Pereira, esse percurso mostra que o ensino profissional não deve ser visto apenas como uma via direta para o mercado de trabalho.

«O ensino profissional não serve apenas para formar alunos para ingressarem diretamente no mercado de trabalho, mas também dá o direito de opção aos que querem continuar a estudar», sublinha.

Erasmus abre portas para o mundo

A dimensão internacional é outra componente da estratégia do agrupamento. A escola é acreditada no programa Erasmus, o que permite realizar estágios internacionais e proporcionar experiências de mobilidade aos alunos.

Para muitos estudantes, refere a diretora, esta é a primeira oportunidade de viajar e contactar com outras realidades escolares e profissionais.

«Não apenas ensinamos, não apenas formamos, mas também permitimos que os alunos cresçam a nível pessoal e académico», afirma.

O futuro passa por continuar a mudar

Questionada sobre se o Centro Escolar de Sousel pode ser considerado uma escola do futuro, Elisabete Pereira responde que esse estatuto exige trabalho contínuo.

«Temos que ser. Mas se ficarmos satisfeitos com isso, é mau sinal», afirma. «Se ficarmos quietos e parados, deixamos de ser.»

No balanço do percurso da escola, a diretora aponta os alunos como o principal motivo de orgulho.

«Os nossos alunos. O feedback dos nossos alunos e percebermos que eles saem e continuam a vir visitar-nos», afirma.

Para Elisabete Pereira, a medida do trabalho desenvolvido está também no percurso de quem passou pela escola.

«A vida deles não seria a mesma se não tivessem passado por cá», conclui.

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