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Passageiros do Alentejo lançam petição para exigir linha férrea com “qualidade”

Uma petição para exigir ao Governo uma linha férrea do Alentejo com "qualidade" e que "sirva os interesses da região e de quem vive e trabalha" no território é lançada, anunciou a comissão promotora.

Uma petição para exigir ao Governo uma linha férrea do Alentejo com “qualidade” e que “sirva os interesses da região e de quem vive e trabalha” no território é lançada, anunciou a comissão promotora.

A iniciativa é dirigida ao Ministério das Infraestruturas e da Habitação, tutelado pelo ministro Miguel Pinto Luz, pela Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo, um grupo apartidário composto há um mês por cerca de 10 cidadãos que dizem não poderem “continuar em silêncio”.

Em declarações à agência Lusa, Lucília Lampreia, membro representante da comissão no distrito de Beja, explicou que a petição pretende reunir 7.500 assinaturas e exigir ao Governo “medidas concretas que devolvam ao Alentejo uma ferrovia digna, moderna e ao serviço da população e da região”.

“Sentimos a necessidade de não continuarmos calados e não deixarmos que o poder político, que o Governo, olhe para nós com outros olhos. Temos mesmo de reagir e tentar mudar o sentido das coisas”, afirmou.

A petição pública é lançada com iniciativas dinamizadas nas diferentes estações ferroviárias alentejanas à hora das chegadas do comboio, a começar em Vendas Novas (18:10), seguindo-se Casa Branca, Évora, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia, Cuba e Beja (19:20).

A recolha de assinaturas será feita em formato ‘online’ (disponível em https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT130392)e presencial “entre amigos, eventos e no terreno”.

A comissão pede a modernização das carruagens, a colocação de mais comboios a circular diariamente e a eletrificação da linha.

“Entre Beja e Casa Branca, as carruagens são antigas [e] muitas vezes o ar condicionado não funciona. Por exemplo, no pico do verão, em julho e agosto, chega-se a atingir os 50 graus [dentro do comboio] e no inverno é muito frio”, adiantou Lucília Lampreia.

Além desta situação, a representante afirmou que nos “últimos tempos” o regresso “ao final do dia”, proveniente de Lisboa a Beja, tem registado “hora e meia de espera”, com os passageiros “que deveriam chegar a Beja por volta das 21:20 a chegarem quase às 23:00”.

Segundo Lucília Lampreia, a comissão exige também, “de imediato”, o restabelecimento da ligação a novos ramais no Alentejo “para ligar a região a todo o território nacional”, em especial a ligação entre Casa Branca, Beja e Funcheira e ao aeroporto de Beja.

A oferta do serviço de passageiros da linha de Vendas Novas, que liga as linhas do Alentejo à do Norte, e o aproveitamento integral da nova linha Évora-Elvas são outras das propostas reivindicadas.

Para Lucília Lampreia, a medida do Passe Verde Ferroviário, um título de transporte da CP – Comboios de Portugal que permite a circulação por todos o país pelo valor de 20 euros por mês, é “ótima”, mas tem levantando diversos constrangimentos na região.

“Diariamente é sempre um constrangimento para se conseguir marcar, a plataforma não funciona e depois [quando se consegue aceder] já não há lugares, [mas] a partir de Beja não temos outra alternativa a não ser os autocarros”, assegurou.

De acordo com a responsável, “quem vai trabalhar e tem de entrar no serviço às 09:00 ou quem tem consultas em Lisboa não pode não ter um transporte alternativo para chegar a horas aos locais”.

“Queremos tentar mudar as coisas para melhor, [ou] pelo menos minimizar estes transtornos todos que nos estão a acontecer diariamente”, sublinhou.

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