A Universidade de Évora é uma das instituições de ensino superior presentes no 22.º Congresso Ibérico “A Bicicleta e a Cidade”, que começa hoje em Lisboa e tem como tema central a mobilidade ativa.
O encontro, promovido pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) e pela ConBici — Coordinadora en Defensa de la Bici, decorre até domingo e junta responsáveis do setor, autarquias, especialistas e entidades académicas. Além da Universidade de Évora, está também prevista a presença da Universidade de Salamanca, em Espanha, de representantes do Instituto do México e de dez municípios portugueses.
José Manuel Caetano, presidente da FPCUB, explicou à agência Lusa que o principal tema do congresso será a mobilidade ativa, nomeadamente “o andar a pé, andar de bicicleta e transportes públicos”.
“A utilização do automóvel aumentou de 78% para 88%, a rondar já os 90%, o que quer dizer que as pessoas estão dependentes do veículo e, além de sermos uma federação que apoia o uso de bicicleta, o nosso objeto é também a prevenção rodoviária e a defesa do ambiente”, afirmou.
Congresso debate segurança rodoviária e uso da bicicleta
De acordo com José Manuel Caetano, o congresso servirá para “uma troca de ideias” entre os participantes, num contexto em que a FPCUB tem defendido alterações legislativas, urbanas e institucionais para reduzir a sinistralidade rodoviária em Portugal.
Entre os temas em discussão estará a proposta recentemente apresentada ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, assente nos princípios da Visão Zero e do Sistema Seguro. O objetivo, segundo o presidente da FPCUB, é “reduzir drasticamente a sinistralidade rodoviária em Portugal”.
A proposta parte do princípio de que “o erro humano é inevitável, mas o sistema de mobilidade deve ser concebido para impedir que esse erro resulte em mortes ou lesões graves”.
Entre as medidas defendidas pela Federação estão a redução da velocidade máxima para 30 quilómetros por hora nas localidades, a criação de zonas escolares protegidas, o reforço da proteção legal de peões e utilizadores de bicicleta e a revisão do Regulamento de Sinalização do Trânsito.
Obrigatoriedade do capacete não é apontada como medida central
José Manuel Caetano considera que a eventual obrigatoriedade do uso de capacete por ciclistas não será “o fundamental” para evitar tragédias. O responsável defende que a segurança depende sobretudo da redução da velocidade dos veículos motorizados, da criação de infraestrutura ciclável segura e contínua, da melhoria da segurança nos cruzamentos e da aplicação dos princípios do Sistema Seguro.
“Sabemos que cerca de 65% das mortes de ciclistas na Europa resultam de colisões com veículos motorizados e que, em Portugal, no conjunto de utilizadores de bicicleta e de trotinete, esse valor ronda os 73%”, referiu.
O presidente da FPCUB recordou ainda que países como os Países Baixos e a Dinamarca, onde a utilização da bicicleta é mais elevada, não basearam as suas estratégias na obrigatoriedade do capacete, mas na criação de condições para prevenir sinistros.
Para José Manuel Caetano, introduzir barreiras à utilização da bicicleta em meio urbano, como a obrigatoriedade do capacete, “constitui um sinal contraditório face aos objetivos nacionais de descarbonização, redução do congestionamento, promoção da atividade física, melhoria da qualidade do ar e da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável”.
O 22.º Congresso Ibérico “A Bicicleta e a Cidade” decorre em Lisboa até domingo.



















