Turismo do Alentejo fecha 2025 com resultados positivos: “Fomos a região do continente que mais cresceu”

Presidente destaca crescimento da procura, resultados positivos e reforço da promoção internacional, mas alerta para instabilidade em 2026.

O Turismo do Alentejo aprovou por unanimidade os Relatórios de Atividades e Contas de Gerência de 2025, num processo que decorreu em Alcácer do Sal e que abrangeu a Entidade Regional de Turismo (ERT) e a Agência Regional de Promoção Turística (ARPTA).

Segundo o presidente, José Santos, em declarações ao jornal ODigital.pt, trata-se de um exercício com indicadores financeiros positivos nas duas estruturas. “Tivemos resultados líquidos do exercício positivo, cerca de 131 mil euros”, referiu sobre a ERT, acrescentando que estes resultados “vão também valorizar muito o nosso património”.

Já ao nível da agência de promoção, o presidente indicou “um resultado líquido positivo de cerca de 41 mil euros”, sublinhando também a certificação legal das contas.

Alentejo entre as regiões que mais cresceram

O balanço de 2025 é descrito como positivo, sobretudo no mercado interno. “Foi um ano muito bom para o Alentejo em termos do mercado nacional. Fomos a região do continente que mais cresceu”, afirmou José Santos.

O presidente destacou a capacidade de atração de eventos e iniciativas ao longo do ano, considerando que “tudo aquilo que podíamos trazer para o Alentejo trouxemos em 2025”.

A evolução dos indicadores reflete-se também na estadia média, que subiu para duas noites. Ainda assim, o objetivo passa agora por consolidar esse valor, tendo em conta as características do destino. “O Alentejo é, como sabemos, historicamente, uma zona de passagem”, afirmou, defendendo a necessidade de prolongar a permanência dos visitantes.

Promoção internacional cresce e reforça presença externa

No plano internacional, a região registou um crescimento de cerca de 5%, num contexto que José Santos considera exigente. “Temos sido a região que, em termos percentuais, mais cresceu nos mercados internacionais. 5% é bom”, sublinhou.

A estratégia passou pelo reforço da presença em feiras e mercados externos, com um aumento da atividade promocional. “Só este ano já tivemos, nos primeiros 60 dias do ano, em 12 feiras”, referiu, apontando para um esforço continuado de internacionalização.

Novos produtos turísticos ganham expressão

A diversificação da oferta foi outra das apostas em 2025, com destaque para novos produtos turísticos, como o segmento de casamentos internacionais.

“Estamos a falar de um segmento que dá muito valor às receitas dos hotéis”, explicou José Santos, referindo que este tipo de turismo contribui para compensar períodos de menor ocupação e gera impacto económico no território.

Também o enoturismo continua a afirmar-se como produto estratégico. “É um produto estrela e um produto premium da região”, afirmou, apontando para o seu papel na atração de visitantes e na valorização da oferta.

Desafios para 2026 marcados pela instabilidade

Apesar dos resultados, o presidente do Turismo do Alentejo admite um contexto mais incerto para 2026. “A conjuntura internacional está bastante instável”, alertou, defendendo a necessidade de preparação para eventuais impactos nos mercados externos.

José Santos sublinhou ainda dificuldades ao nível do financiamento, considerando essencial reforçar os apoios para manter a estratégia de promoção internacional.

Estratégia passa por crescimento em valor e continuidade

Para o próximo ano, o objetivo passa por consolidar o crescimento alcançado e reforçar a competitividade do destino. “Nós não podemos parar. O ano foi bom. 2026 é outro ano, com outro tipo de desafios”, afirmou.

A estratégia inclui o lançamento de novas campanhas, a captação de eventos e a continuidade do trabalho com empresas e municípios, procurando aumentar não apenas o número de visitantes, mas também o valor gerado pelo turismo.

“É difícil, mas o objetivo é claramente manter” a evolução da estadia média, concluiu.

O presidente admite, contudo, que o desempenho futuro dependerá da capacidade de adaptação a um contexto internacional incerto e do reforço dos instrumentos de financiamento, num ano que antecipa como exigente, mas decisivo para consolidar a posição do Alentejo no panorama turístico nacional e internacional.

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