InícioAmbienteToalhetes usados por 2,2...

Toalhetes usados por 2,2 milhões de portugueses podem ser proibidos: Quercus exige mudança imediata

A associação ambiental Quercus apelou à proibição imediata da venda de toalhetes húmidos não biodegradáveis em Portugal, defendendo igualmente que seja proibida por lei a descarga no esgoto de todos os materiais que prejudicam o ambiente.

A associação ambiental Quercus apelou à proibição imediata da venda de toalhetes húmidos não biodegradáveis em Portugal, defendendo igualmente que seja proibida por lei a descarga no esgoto de todos os materiais que prejudicam o ambiente.

O pedido consta de uma carta enviada à Ministra do Ambiente e Energia e aos Grupos Parlamentares, na qual a organização alerta para os impactos ambientais e económicos associados a estes produtos.

Segundo o comunicado, cerca de 29,7% dos residentes em Portugal Continental, com idades entre os 15 e os 74 anos, utilizam diariamente toalhetes húmidos, o que corresponde a mais de 2,2 milhões de pessoas, de acordo com dados do “Target Group Index – Portugal” de 2023, publicado pela Marktest.

Maioria dos entupimentos nas redes de esgotos

A Quercus refere que os toalhetes descartáveis são já responsáveis pela maioria dos entupimentos das redes de esgotos, provocando danos nas infraestruturas de saneamento e tratamento de águas residuais e originando elevados custos de manutenção.

Grande parte dos produtos comercializados como “descartáveis e biodegradáveis” contém fibras sintéticas que não se decompõem facilmente quando colocadas na sanita, não se dissolvendo como o papel higiénico. Como consequência, acumulam-se nas redes de esgotos, originando paragens de serviço e problemas ambientais.

A associação acrescenta que estes resíduos acabam frequentemente em rios, praias e oceanos, contribuindo para a poluição marinha e colocando em risco a vida selvagem e a qualidade da água.

Medidas propostas ao Governo

Na carta enviada à Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Martins da Silva Carvalho, e aos deputados, a Quercus propõe a adoção de várias medidas legislativas.

Entre as propostas está a proibição imediata da venda de toalhetes húmidos não biodegradáveis, à semelhança do que já acontece noutros países europeus, como Espanha. A associação defende ainda a criação de um regime de responsabilidade alargada do produtor e das cadeias de distribuição.

A organização sugere também que seja solicitada à Águas de Portugal uma estimativa anual dos custos financeiros e ambientais do impacto destes produtos nas estações de tratamento de águas residuais.

Outra das propostas passa por obrigar os fabricantes a ressarcir os custos de limpeza, transporte e tratamento de resíduos, bem como a financiar campanhas de sensibilização.

A Quercus propõe ainda a criação de um selo “Biodegradável”, com metodologia padronizada, que identifique produtos efetivamente biodegradáveis, sempre com a indicação de que não devem ser descartados na sanita, mas no lixo indiferenciado.

Proibição de descarga no esgoto doméstico

No âmbito do utilizador final, a associação defende que seja legislada a proibição da descarga de toalhetes húmidos no esgoto doméstico, alargando a medida a outros produtos como preservativos, medicamentos, pensos, tampões, beatas, cotonetes e óleos alimentares.

A Quercus propõe igualmente a realização de uma campanha nacional de sensibilização, financiada através do Fundo Ambiental, para informar a população sobre os resíduos que não devem ser descartados na sanita.

No comunicado, a associação sublinha que os toalhetes húmidos, mesmo quando rotulados como “descartáveis e biodegradáveis”, nunca devem ser colocados na sanita, devendo ser depositados no lixo indiferenciado.

Mais notícias

Quercus questiona Governo sobre acesso às praias de Grândola um ano após fiscalização da APA

A associação ambientalista Quercus questionou o Governo sobre o estado das medidas destinadas a...

Alimentos doados são seguros e cruciais contra desperdício e insegurança alimentar

A associação ambiental Zero alertou hoje para a importância da segurança alimentar nas doações...

Vila Viçosa celebra o Dia do Ambiente com sessão para os alunos: “É importante aprender mais sobre estas questões” (c/fotos)

Cerca de 500 alunos participaram esta sexta-feira, 5 de junho, nas comemorações do Dia...

APA esclarece que banhistas podem colocar chapéus-de-sol em frente às concessões de praia

Os banhistas podem colocar chapéus-de-sol em frente às concessões de praia, que “não podem...

Águas Públicas do Alentejo lança obra de 2,4M€ para modernizar captações de água em Serpa e Moura

A Águas Públicas do Alentejo lançou um concurso público com um valor base de...

Universidade de Évora e Hovione assinam protocolo de mecenato para investigação na recuperação dos solos

A Universidade de Évora (UÉ) e a Hovione assinaram um protocolo de mecenato destinado...

Plano nacional prevê quinhentos milhões por ano até 2030 para restaurar natureza

Portugal vai investir até 2030 uma média de 500 milhões de euros por ano...

Catorze distritos sob aviso amarelo devido ao tempo quente

Catorze distritos de Portugal continental estão hoje sob aviso amarelo devido ao tempo quente,...

MARE lança campanha nacional para alertar para espécies invasoras aquáticas em Portugal

O MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e o Laboratório...

Mais visto