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Associação mede qualidade do ar em aldeia do Alentejo afetada por alegada poluição de fábrica

Associação instala monitorização diária do ar em Fortes, no Alentejo, para denunciar suspeita de poluição industrial e enviar dados às autoridades.

Uma associação começou a medir diariamente a qualidade do ar numa aldeia do concelho de Ferreira do Alentejo, no distrito de Beja, afetada pela alegada poluição de uma fábrica e promete enviar os resultados para as entidades públicas.

“Como temos feito tanta coisa e nada tem resultado, agora quisemos comprar o equipamento para divulgar os resultados” da qualidade do ar na aldeia, afirmou hoje à agência Lusa Idalina Coragem, da direção da Associação Ambiental Amigos das Fortes.

A população da aldeia de Fortes, no concelho de Ferreira do Alentejo, queixa-se, há vários anos, da alegada poluição da fábrica AZPO – Azeites de Portugal, que transforma bagaço de azeitona, situada a cerca de 300 metros da povoação.

Desde a semana passada, um equipamento de monitorização da qualidade do ar, adquirido pela associação, está a medir, 24 horas por dia, parâmetros ambientais, como partículas em suspensão, compostos orgânicos voláteis totais e óxidos de azoto.

“Temos vindo, ao longo dos anos, a pedir à câmara, CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] e à APA [Agência Portuguesa do Ambiente] que nos ajudassem. Como não ajudaram, então, fomos nós que comprámos o aparelho”, realçou.

E agora, salientou a dirigente da associação, os resultados registados pelo equipamento de monitorização “vão passar a ser enviados” para estas entidades e também divulgados junto da população “para as pessoas saberem o que estão a respirar”.

“Quando eles [os responsáveis das entidades públicas] começarem a ver os valores do nosso aparelho, penso que são capazes de fazer alguma coisa”, sublinhou.

Segundo Idalina Coragem, o aparelho é portátil e a associação está a mudar com frequência o local onde são recolhidos os dados, a maior ou menor distância da fábrica.

Questionada sobre os resultados registados pelo equipamento, a responsável escusou-se a revelar os valores concretos, apontando que os parâmetros relativos à poluição “são muito altos, muito mais do dobro do que é permitido”.

Nas declarações à Lusa, a dirigente da associação relatou que, dependendo da direção do vento, a aldeia é frequentemente ‘invadida’ por fumo e mau cheiro, alegadamente vindo daquela unidade industrial.

“Estamos no verão, mas não podemos abrir portas nem janelas”, devido ao mau cheiro, frisou, alertando que a situação afeta a qualidade de vida da população.

“Não fazemos a vida normal como fazíamos antes de a fábrica abrir”, acrescentou.

Num comunicado divulgado em 25 de maio de 2020, esta associação já pedia, entre outras exigências, “a realização de análises à qualidade do ar” na aldeia e medidas de monitorização permanente para salvaguarda da saúde pública.

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