Mora: Vinhos de talha de Cabeção conquistam reconhecimento que «pode ser essencial para preservar esta tradição»

A designação «Vinho de Talha» pode agora ser usada nos rótulos de Cabeção, numa medida que pretende valorizar a produção e garantir a continuidade do setor.

Os vinhos de talha produzidos em Cabeção, no concelho de Mora, passam a poder utilizar a designação «Vinho de Talha» nos rótulos, anunciou a Câmara Municipal. O reconhecimento resulta de um processo desenvolvido pela Confraria do Vinho de Talha de Cabeção, com o apoio do município, junto das entidades do setor vitivinícola.

Em entrevista ao jornal ODigital.pt, o presidente da Câmara de Mora, Luís Simão, a nova designação pode dar maior visibilidade ao vinho de talha de Cabeção e ajudar a garantir a continuidade económica da produção.

«A valorização que pode trazer a este produto pode de facto ser essencial para a preservação desta tradição que é secular aqui em Cabeção», afirmou o autarca.

Designação implica regras específicas de produção

O reconhecimento não corresponde a um prémio atribuído num concurso, mas à possibilidade de utilizar uma designação regulamentada na rotulagem dos vinhos que cumpram determinados requisitos.

Segundo o regulamento da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), a designação «Vinho de Talha» pode ser utilizada por vinhos brancos, tintos, rosados ou rosés com direito à Denominação de Origem «Alentejo».

Entre as exigências estão o desengace obrigatório das uvas, a fermentação em talhas ou potes devidamente impermeabilizados e a permanência das massas vínicas dentro da talha, pelo menos, até 11 de novembro do ano da vinificação.

Os vinhos têm ainda de cumprir os parâmetros físico-químicos previstos para a DO «Alentejo» e ser avaliados quanto à cor, limpidez, aroma e sabor. O processo inclui registos específicos e controlo da CVRA nas adegas e nos armazéns.

A Portaria n.º 296/2010 reconhece a vinificação em talha como um método tradicional para a produção de vinhos com direito à DO «Alentejo», desde que sejam respeitadas as regras definidas pela entidade certificadora.

Luís Simão explicou que a utilização da designação «Vinho de Talha» não será automática e dependerá do cumprimento de regras específicas definidas pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

«O vinho passará a ter de ser produzido de determinada forma, de obedecer a determinados parâmetros e requisitos», afirmou o autarca.

De acordo com o regulamento público da CVRA, os vinhos elegíveis têm de cumprir requisitos como o desengace obrigatório das uvas, a fermentação em talhas ou potes devidamente impermeabilizados e a permanência das massas vínicas dentro da talha, pelo menos, até 11 de novembro do ano da vinificação. Os vinhos estão ainda sujeitos a parâmetros físico-químicos e organolépticos e a mecanismos de controlo e identificação nas adegas e nos armazéns.

Sempre que o processo previsto no regulamento seja adotado, a designação «Vinho de Talha» deve constar do rótulo.

Primeiras garrafas podem chegar entre dezembro e janeiro

As primeiras garrafas com a designação «Vinho de Talha» deverão chegar ao mercado entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, após a próxima vindima, segundo a previsão de Luís Simão.

«Já na próxima colheita», afirmou o autarca, numa altura em que as vindimas estão a começar em Cabeção.

A previsão está relacionada com as regras de produção associadas à designação. O regulamento da CVRA determina que as massas vínicas permaneçam dentro da talha, pelo menos, até 11 de novembro do ano da vinificação, o que condiciona o momento em que o vinho pode ser retirado, preparado e engarrafado.

Luís Simão espera que a nova menção permita diferenciar o produto e aumentar o seu valor comercial.

«Pode ter uma maior valorização no mercado», afirmou, reconhecendo, contudo, que o impacto dependerá da reação dos consumidores e da capacidade dos produtores para cumprir os requisitos definidos pela CVRA.

«Vamos ver como é que o mercado reage», acrescentou.

Autarca alerta para redução do número de produtores

Para Luís Simão, a valorização comercial do vinho de talha é determinante para assegurar a continuidade da produção em Cabeção e atrair novos produtores.

«Já tivemos cerca de 100, 150 produtores. Hoje são muito menos», afirmou.

O autarca estima que cerca de dez produtores estejam atualmente a desenvolver a produção e a comercialização de forma mais estruturada. Na sua perspetiva, a entrada de jovens no setor dependerá da capacidade de obterem um rendimento que lhes permita viver da vinha e do vinho.

«Se os jovens conseguirem tirar um rendimento que lhes permita viver da vinha e do vinho, isso é garantia de que esta tradição se vai manter por muito mais anos», afirmou.

A Câmara Municipal de Mora já tinha participado no processo de inscrição da produção do vinho de talha no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, aprovado em 2023. O novo reconhecimento tem, contudo, um âmbito diferente: está relacionado com a utilização da designação «Vinho de Talha» nos rótulos dos vinhos que cumpram as regras de produção e certificação aplicáveis.

Mais notícias

Bispo encerra ExpoMora este domingo num dia com desporto, tauromaquia e animação

A ExpoMora 2026 termina este domingo, 13 de setembro, em Mora, depois de três...

Miguel Araújo atua este sábado na ExpoMora, que junta música, desporto e tauromaquia

A ExpoMora 2026 prossegue este sábado, 12 de setembro, em Mora, com atividades ao...

ExpoMora arranca com cerca de 80 expositores e espera atrair visitantes da região: “O povo merece” (c/fotos)

A ExpoMora 2026 abriu esta sexta-feira, 11 de setembro, com cerca de 80 expositores...

Museu Interativo do Megalitismo de Mora celebra 10 anos com mais de 53 mil visitantes

O Museu Interativo do Megalitismo de Mora celebra na próxima terça-feira, 15 de setembro,...

ExpoMora 2026 recebe Nena, Miguel Araújo e Bispo de 11 a 13 de setembro

A ExpoMora regressa ao Parque de Feiras e Exposições de Mora entre 11 e...

Beja: Castelo da cidade recebe evento dedicado aos vinhos do concelho

O evento “Vinhos de Beja” vai decorrer no castelo desta capital de distrito alentejana,...

Skate Parque de Mora muda de localização no Parque Urbano

O Skate Parque de Mora foi transferido para outra zona do Parque Urbano, anunciou...

Novas regras para os Vinhos do Alentejo pretendem “criar cada vez mais valor para toda a fileira”

As novas regras de produção e comercialização dos Vinhos do Alentejo pretendem preservar o...

Mora: Corrida de toiros integra programação da ExpoMora a 13 de setembro

A ExpoMora 2026 vai contar com uma corrida de toiros no dia 13 de...