A RodOdemira é uma plataforma gratuita que centraliza informação sobre os transportes no concelho de Odemira. O projeto reúne horários, linhas e paragens de autocarro e disponibiliza também contactos de táxis para zonas onde não existe cobertura de transporte público.
A plataforma foi criada por Riccardo De Leo, engenheiro de software residente em Boavista dos Pinheiros, Odemira. O projeto está disponível em rododemira.com e foi desenvolvido de forma independente, sem publicidade e sem financiamento público ou apoio empresarial, segundo informação enviada ao jornal ODigital.pt.
Projeto nasceu de uma dificuldade local
O concelho de Odemira tem 1720,25 quilómetros quadrados e é o maior município português em área. A dimensão territorial e a dispersão das localidades dificultam o acesso a informação centralizada sobre os transportes.
«Desenvolvi este projeto sozinho, nos meus tempos livres, motivado por uma necessidade real da nossa comunidade», afirma Riccardo De Leo.
A pesquisa na plataforma permite indicar uma origem e um destino, consultar as próximas partidas e verificar as ligações disponíveis. Quando não existe uma opção de autocarro, o utilizador pode consultar contactos de táxis locais. Para deslocações para fora do concelho, a RodOdemira apresenta ainda sugestões como a Rede Expressos, a Rodalentejo e o Google Maps.
Informação disponível em 12 línguas
A RodOdemira está disponível em 12 línguas, uma opção pensada para residentes estrangeiros, trabalhadores migrantes e turistas que visitam Odemira e a Costa Vicentina.
Além dos transportes, a plataforma inclui informação meteorológica associada ao local e à hora prevista de chegada. Os dados são combinados a partir de várias fontes de previsão e incluem avisos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
O projeto não tem anúncios e não cobra pela consulta da informação. A página da plataforma indica também que recolhe o mínimo possível de dados pessoais e que os contactos de táxis podem ser corrigidos ou removidos a pedido dos próprios operadores.
Inteligência artificial foi usada no desenvolvimento
A plataforma foi desenvolvida por uma pessoa com recurso a ferramentas de inteligência artificial. O dossier enviado ao ODigital.pt identifica a utilização dos modelos Claude Fable e Claude Opus, da Anthropic, e do modelo Sol, da OpenAI.
Riccardo De Leo rejeita que o recurso a inteligência artificial represente uma redução da qualidade da aplicação.
«A IA reduziu o tempo de desenvolvimento e elevou a qualidade, graças a testes automatizados extensivos que seriam impraticáveis para uma pessoa sozinha», afirma.
O responsável sublinha, contudo, que a direção do produto, os dados dos horários e as decisões de desenvolvimento foram humanas. «A IA não trabalhou sem supervisão», acrescenta, explicando que a sua experiência profissional foi usada para validar o trabalho produzido pelas ferramentas.
Entre as experiências que refere estão passagens pela First Utility, Klood Digital e Unipart Digital. O engenheiro afirma ainda ter trabalhado em plataformas utilizadas por milhões de pessoas e ter atualmente funções na DonTouch SA, grupo suíço ligado às áreas do marketing e da tecnologia.
Verificação humana e próximos passos
O projeto conta também com a colaboração de Monoranjan Das, engenheiro e colega de longa data de Riccardo De Leo. Segundo o dossier, ficou responsável por tarefas de verificação humana, incluindo a comparação entre os PDFs oficiais dos horários e a base de dados da plataforma.
Os dados enviados ao ODigital.pt apontam para cerca de 6.000 visualizações consideradas reais nas primeiras três semanas de funcionamento. O responsável distingue esse valor de cerca de 69 mil visualizações registadas pelas ferramentas de análise, por incluir tráfego automático.
O dossier apresenta ainda uma medição do Google PageSpeed Insights com 97 pontos em desempenho e 100 pontos em acessibilidade, boas práticas e SEO. Os valores correspondem à medição apresentada no documento enviado pelo responsável do projeto.
A próxima etapa passa pela procura de colaboração institucional com autarquias, entidades governamentais e operadores de transporte, como a Rodalentejo. O objetivo será alargar a plataforma a outros concelhos do Alentejo ou, numa fase posterior, a todo o país.
A RodOdemira recomenda aos utilizadores que confirmem junto dos operadores as viagens consideradas críticas, uma vez que horários, percursos e disponibilidade podem sofrer alterações. A plataforma é uma iniciativa independente e não substitui a informação oficial dos transportadores.



















