Os sete municípios da Zona dos Mármores e Alqueva querem acolher a grande área empresarial que o Governo prevê criar no Interior do Alentejo, propondo que o projeto seja desenvolvido junto da Estação Técnica n.º 2 do Corredor Internacional Sul.
Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa apresentaram a proposta numa reunião com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Ricardo Pinheiro.
Em entrevista ao jornal ODigital.pt, o presidente da Câmara de Alandroal, João Grilo, afirmou que os municípios dispõem de condições para defender esta localização.
«Reunimos um conjunto de argumentos muito fortes para que a opção seja pela nossa região», declarou o autarca.
Terminal ferroviário sustenta proposta dos municípios
A proposta está associada ao trabalho desenvolvido pelos municípios para a instalação de um terminal de carga e descarga na zona da Estação Técnica n.º 2, situada, segundo João Grilo, na confluência dos concelhos de Alandroal, Vila Viçosa e Redondo.
Em 2019, a Infraestruturas de Portugal anunciou um protocolo com os sete municípios para avaliar a viabilidade técnica, económica e financeira de um terminal de mercadorias naquela localização.
Segundo João Grilo, a proposta parte do trabalho desenvolvido pelos sete municípios para a instalação de um terminal de carga e descarga junto à Estação Técnica n.º 2 do Corredor Internacional Sul.
«Já há estudos que demonstram a viabilidade técnica, económica e financeira para a construção de um terminal de carga e descarga», afirmou o presidente da Câmara de Alandroal, considerando que este trabalho confere maturidade à proposta apresentada à CCDR Alentejo.
Para o autarca, a criação da grande área empresarial no mesmo local permitiria associar a instalação de empresas à futura movimentação ferroviária de mercadorias. «Faz todo o sentido que a área logística se desenvolva à volta desta infraestrutura», sustentou.
João Grilo apontou também a disponibilidade de terrenos como um dos argumentos da candidatura. «À volta da estação é possível expandir, com relativa facilidade, uma área deste tipo. Também temos um conjunto de municípios muito próximos que contribuem para criar uma grande zona logística», explicou.
A ligação direta à ferrovia, a proximidade à autoestrada A6 e às infraestruturas elétricas foram igualmente apresentadas como fatores a considerar na escolha da localização.
«Há todo um conjunto de circunstâncias que tornam muito interessante a opção por este local», afirmou João Grilo, acrescentando que o projeto permitiria «tirar partido da ferrovia e das infraestruturas que já estão criadas».
Área empresarial poderá ter lotes de cerca de dez hectares
João Grilo adiantou que a grande área empresarial se destinaria a receber empresas das áreas da logística e da transformação, com necessidades de terreno superiores às que podem ser satisfeitas pelas zonas industriais municipais.
«Uma área deste tipo permitiria atrair empresas de grande dimensão, das áreas da logística e da transformação. Estamos a falar de lotes mínimos à volta de dez hectares, para percebermos o que está em causa», explicou o presidente da Câmara de Alandroal.
O autarca associou a instalação destas empresas à criação de emprego e ao reforço da atividade económica nos municípios abrangidos pela proposta. «Isso teria um impacto na dinâmica económica de toda a região, na criação de empregos e, sobretudo, na capacidade de resposta», declarou, sem avançar estimativas sobre o número de empresas ou postos de trabalho.
Segundo João Grilo, os estudos realizados para o terminal de mercadorias apontam para uma área de influência que ultrapassa o território dos sete municípios. «Os estudos já realizados mostram que uma infraestrutura deste tipo poderia atrair carga desde o Algarve, por exemplo», afirmou.
O presidente da Câmara de Alandroal referiu o mármore, o vinho, a carne e o azeite entre os produtos que poderiam utilizar o terminal, acrescentando que a infraestrutura também poderia receber mercadorias provenientes de outras regiões. «Não estamos a falar só de tudo aquilo que é produzido na região, mas também de outras zonas do país que teriam interesse em trazer carga até aqui», sustentou.
João Grilo destacou ainda a possível relação entre a área empresarial, o terminal ferroviário e a indústria dos mármores, que classificou como «uma indústria que precisa de ser reanimada». Para o autarca, o projeto poderia contribuir para a modernização e descarbonização da atividade, através do transporte ferroviário de mercadorias e da redução das emissões associadas ao setor.
Financiamento deverá reunir fundos públicos e investimento privado
Questionado sobre a forma de concretizar o investimento, João Grilo defendeu um modelo que reúna financiamento público e capitais privados, embora ainda não estejam definidos os montantes nem a participação de cada entidade.
«Há claramente a necessidade de conjugar fundos comunitários, de natureza nacional e regional, com investimento privado. Também já temos trabalho desenvolvido nesse sentido», afirmou o presidente da Câmara de Alandroal.
O autarca considera que a dimensão da área empresarial e a ligação às redes ferroviária e rodoviária poderão captar investimento nacional e estrangeiro. «Há investidores internacionais e nacionais que estão atentos aos locais onde é possível instalarem-se», declarou.
João Grilo não identificou empresas que tenham manifestado formalmente interesse nesta localização, mas afirmou acreditar que o modelo de financiamento pode ser estruturado. «Acho que é possível montar esse modelo com relativa facilidade», acrescentou.
A proposta continua, contudo, sem um investimento global anunciado. Também não foram avançados a dimensão total dos terrenos, a distribuição do financiamento entre as entidades públicas e privadas ou um calendário para a construção da área empresarial e do terminal ferroviário.
CCDR Alentejo vai analisar outras propostas
João Grilo classificou como positiva a reunião com o presidente da CCDR Alentejo, mas reconheceu que a escolha da localização ainda não está decidida.
«Sabemos que a CCDR tem de acolher de igual modo todas as propostas que surjam para o Alentejo», afirmou, acrescentando que os municípios vão continuar a desenvolver os estudos necessários para fundamentar a candidatura.
O Governo anunciou a criação de seis áreas empresariais com dimensões entre três e oito quilómetros quadrados: duas no Norte, duas no Centro, uma na região de Lisboa e outra no Interior do Alentejo.
As localizações deverão ser escolhidas pelas CCDR, enquanto a promoção dos projetos ficará a cargo da aicep Global Parques. O Governo terá ainda de definir o financiamento das obras, segundo a informação divulgada sobre o programa de áreas empresariais.




















