“A crise de habitação tem condenado muitos jovens a não sair de casa dos pais. Muitos deles, evitam deslocar-se para universidades fora da sua zona de residência (…) Resolver a crise de habitação é uma das bases para o desenvolvimento de Évora.”
E se nos dissessem que existe uma forma de construir habitação por forma a conseguir concentrar num só terreno dezenas ou até mesmo centenas de pessoas, resolvendo em parte o problema da escassez de terrenos para a construção de habitação e permitindo que a atividade económica crescesse como consequência da concentração de pessoas num espaço menos extenso?
Essa hipótese existe e está ao nosso alcance.
O cidadão mais atento à arquitetura eborense rapidamente perceberá que em Évora a construção em altura é inexistente. E claro, quando falo em construção a altura, não falo de prédios com três andares, ou até mesmo com quatro ou cinco. Construir em altura, neste sentido, significaria construir imóveis altos, com o dobro ou até o triplo e/ou o quádruplo dos andares.
Construir em altura significa concentrar numa menor extensão de terreno um maior número de pessoas, como forma de responder parcialmente ao problema que muitas vezes é apontado da falta de terrenos disponíveis. Sejamos claros: construir habitação uma a uma em larga escala implica, claro, um elevado número de terrenos disponíveis. Por isso mesmo, a construção em altura resolveria parte desse problema, ao construir habitação em altura e não em extensão.
Para além disso, construir em altura significa atrair a atividade económica para junto dessas habitações, porque naturalmente interessará a empresas fornecedoras de bens e/ou serviços estar em locais onde seja maior a concentração de população. Sabemos que as atividades económicas que fornecem de forma direta bens e serviços à população procuram estabelecer-se em
zonas onde seja maior a densidade populacional, como forma de impulsionar a atividade económica. Assim, a construção, por exemplo, de prédios com cerca de dez andares, permitiria concentrar muito mais pessoas num só terreno e, em simultâneo, incentivar a atividade económica a fixar-se junto desses aglomerados.
Por último, a construção em altura deixa disponíveis terrenos que podem ser aproveitados para outras atividades, como a criação de espaços verdes, embora fosse desejável que continuassem a ser usados para construir casas. A disponibilização desses terrenos poderia perfeitamente incentivar à construção de mais espaços verdes, de lazer e/ou desporto.
Os eborenses sabem que Évora perdeu a cor. Sabem que Évora é uma cidade cujo poder local condenou a não evoluir e que não oferece perspetivas dignas de futuro aos seus jovens para crescer e se fixarem na sua terra natal.
Se o problema por vezes apontado para a não construção de habitação é o problema dos terrenos, aqui está uma solução prática e que depende da vontade do poder local para fazer acontecer.
Está na hora de os eborenses olharem para a sua cidade com orgulho. Está na hora de o poder local abandonar a ideia de que Évora não consegue alcançar o nível alcançado por outras cidades e de uma vez por todas apostar na inovação e no desenvolvimento.
A crise de habitação tem condenado muitos jovens a não sair de casa dos pais. Muitos deles, evitam deslocar-se para universidades fora da sua zona de residência por não terem ao dispor oferta disponível de alojamento (ou pelo menos oferta a preços acessíveis). Sendo Évora uma cidade de estudantes, com a única universidade em todo o Alentejo, resolver a crise de habitação não é algo que deve constar de programas eleitorais, mas fechado dentro de um dossier depois dos resultados eleitorais. Resolver a crise de habitação é uma das bases para o desenvolvimento de Évora.
Como já disse há tempos num artigo publicado também no jornal O Digital, podemos ter retail parks e muito mais, mas sem habitação não existe
desenvolvimento. A construção em altura permite resolver um problema enquanto se criam oportunidades que com essa solução aparecem.
Por mais que pareça uma realidade distante para quem conhece a cidade de Évora, não devemos cruzar os braços. Outras cidades evoluem e oferecem soluções aos seus cidadãos. É tempo de em Évora se fazer o mesmo. É tempo de não ficar para trás.



















