A Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) lançou um concurso público, com o preço base de 3,64 milhões de euros, para projetar e construir a estação elevatória do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, no concelho de Campo Maior.
O procedimento foi publicado esta quinta-feira, 20 de agosto, em Diário da República, cerca de um mês depois da inauguração da rede de rega. As propostas podem ser apresentadas até às 23:59 do dia 2 de outubro.
De acordo com a documentação consultada pelo ODigital, o preço base divide-se entre um máximo de 125 mil euros para a elaboração do projeto de execução e 3,515 milhões de euros para a construção da estação. Aos valores acresce IVA.
O projeto é financiado pelo Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, através da operação PEPAC-D31-009987.
Projeto será elaborado pela empresa vencedora
O concurso segue o modelo de conceção-construção, cabendo à empresa vencedora desenvolver o projeto de execução e realizar a obra.
O prazo global do contrato é de 365 dias, contados a partir da assinatura. O adjudicatário terá 60 dias para elaborar o projeto, enquanto a execução da empreitada deverá decorrer num prazo máximo de 305 dias, após a aprovação dos documentos e a consignação dos trabalhos.
O projeto terá de incluir levantamentos e análises de campo, estudos geológicos e geotécnicos, estudos ambientais, ensaios laboratoriais, medidas de segurança e o plano de prevenção e gestão de resíduos de construção e demolição.
A solução apresentada será sujeita a revisão por técnicos da DGADR ou por uma entidade indicada por esta direção-geral, antes do início da obra.
Estação terá cinco grupos de bombagem
A estação elevatória será dimensionada para um caudal nominal de 2.560 litros por segundo e uma altura de elevação de 58 metros de coluna de água, de modo a assegurar 52 metros de coluna de água no primeiro nó da rede de rega.
O sistema será constituído por três grupos eletrobomba principais, com um caudal de 855 litros por segundo cada, e dois grupos auxiliares, com 175 litros por segundo cada. Os equipamentos terão variadores eletrónicos de velocidade.
A empreitada contempla ainda dois filtros automáticos de baixa pressão, cada um com capacidade para 1.690 litros por segundo, tubagens com 1.200 milímetros de diâmetro e uma malha de filtragem de 1,5 milímetros.
Entre os restantes equipamentos previstos estão um sistema de bypass aos grupos de bombagem, dois reservatórios de ar comprimido com 30 metros cúbicos cada, um compressor, um caudalímetro eletromagnético e um sistema automático de controlo e gestão da estação.
O contrato inclui também a construção do edifício, os arranjos exteriores, a vedação do recinto e a ligação à rede elétrica.
Concurso concretiza fase anunciada em julho
O lançamento do procedimento concretiza uma fase do aproveitamento que tinha sido anunciada durante a inauguração da rede de rega, realizada a 21 de julho.
Na altura, o ODigital noticiou que a infraestrutura representava um investimento de cerca de 19 milhões de euros e que a estação elevatória seria construída posteriormente.
A rede atualmente instalada abrange cerca de 1.560 hectares e integra aproximadamente 44 quilómetros de condutas, 70 hidrantes e 106 bocas de rega. O sistema dispõe de um bypass que permite encaminhar a água da Barragem do Abrilongo para a rede através da gravidade, reduzindo as necessidades de bombagem quando existe pressão suficiente.
À margem da inauguração, Nelson Barreto, diretor da Associação de Beneficiários do Xévora, indicou ao ODigital que a construção da estação elevatória constituía o passo seguinte do projeto.
O responsável explicou que existem explorações situadas em cotas mais elevadas onde a água ainda não chega com a pressão necessária e revelou ter sido informado de que estava a ser preparado o concurso agora publicado.
Aproveitamento começou com a Barragem do Abrilongo
A concretização do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora começou com a construção da Barragem do Abrilongo, concluída em 2000. A rede de rega foi adjudicada em agosto de 2024, consignada em janeiro de 2025 e inaugurada em julho deste ano.
Durante a inauguração, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, criticou os 26 anos de espera entre a conclusão da barragem e a entrada em funcionamento da rede.
«A barragem é de 2000 e neste momento estamos em 2026. Temos de acelerar os investimentos», afirmou então o governante ao ODigital.
A construção da estação elevatória permitirá reforçar a pressão disponível na rede e completar uma das infraestruturas previstas para o funcionamento do aproveitamento hidroagrícola.




















