A Junta da Extremadura vai pedir a Portugal esclarecimentos sobre os prazos, o financiamento e o calendário de execução da ponte internacional sobre o rio Sever, que deverá ligar Cedillo a Montalvão, no concelho de Nisa.
A questão será abordada numa reunião prevista para 2 de setembro entre representantes da Junta da Extremadura e o Ministério português responsável pelas infraestruturas, segundo a Onda Cero.
O conselheiro da Infraestruturas, Transportes e Habitação da Junta da Extremadura, Francisco José Ramírez, afirmou que o projeto será colocado «em cima da mesa» durante o encontro. O responsável adiantou que o orçamento regional deste ano prevê verba suficiente para executar a parte da obra situada em território espanhol.
No entanto, Ramírez considera que Portugal terá de esclarecer «como vai financiar a obra, que prazos prevê e que execução pretende realizar». As declarações foram proferidas durante uma visita a Cedillo.
Obra foi consignada em dezembro, mas não arrancou
A empreitada foi consignada a 29 de dezembro de 2025, num investimento estimado em cerca de 19,5 milhões de euros. O projeto é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência e é promovido pelo Município de Nisa.
Apesar da consignação, os trabalhos ainda não tinham começado em maio. Nessa altura, o presidente da Câmara de Nisa, José Dinis Serra, explicou que subsistiam «pendências administrativas» relacionadas com o procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental, nomeadamente pronúncias da Agência Portuguesa do Ambiente.
O autarca afirmou que, sem uma «pronúncia formal e global» da entidade competente, não poderia haver um início efetivo da obra. Também apontou a necessidade de compatibilizar os calendários da empreitada com o financiamento disponível.
Portugal assume construção da ponte
O acordo entre Portugal e Espanha, assinado na Cimeira Ibérica de Faro, em outubro de 2024, entrou em vigor em junho de 2025. Segundo o documento publicado no Diário Oficial espanhol, compete à parte portuguesa elaborar o projeto, adjudicar, executar e dirigir a construção da ponte.
O acordo estabelece ainda que Portugal suporta os custos relativos à construção da infraestrutura. A conservação futura da ponte ficará a cargo de Portugal, em coordenação com Espanha, mas os custos serão divididos em partes iguais.
Esta divisão de responsabilidades deverá ser um dos pontos a esclarecer na reunião de setembro, uma vez que a Junta da Extremadura afirma ter assegurado a verba para a parte que lhe compete em território espanhol.
Avaliação ambiental impôs condições
A Agência Portuguesa do Ambiente emitiu uma Declaração de Impacte Ambiental favorável, mas condicionada. O procedimento envolve o corte de 127 sobreiros e 525 azinheiras numa área de 2,62 hectares.
De acordo com um despacho publicado no Diário da República, a execução ficou dependente da implementação de um projeto de compensação florestal numa área de 3,275 hectares, da celebração de um protocolo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e do cumprimento das condições definidas pela APA.
Ponte deverá reduzir percurso em 85 quilómetros
A ponte terá cerca de 155,5 metros de comprimento e fará parte de uma ligação rodoviária com 10,083 quilómetros. O projeto inclui a requalificação da Estrada Municipal 1139 e a abertura de um novo corredor com aproximadamente 850 metros no lado português.
A futura ligação entre Montalvão e Cedillo deverá reduzir em cerca de 85 quilómetros o percurso atualmente realizado por estrada entre as duas localidades.
Até ao momento, não foi divulgada uma nova data para o início dos trabalhos. A Junta da Extremadura espera que a reunião de 2 de setembro permita obter respostas sobre o financiamento português e o calendário de execução da ponte.




















