A entrada em funcionamento da Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora representa um momento de mudança para os agricultores de Campo Maior. Para Nelson Barreto, diretor da Associação de Beneficiários do Xévora, a nova infraestrutura traz, acima de tudo, a garantia de que a água estará disponível para assegurar as culturas e criar condições para novos investimentos agrícolas.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, à margem da inauguração da obra, Nelson Barreto explicou que, até agora, a utilização da água da barragem do Abrilongo era feita através de um sistema considerado pouco eficiente, situação que muda com a entrada em funcionamento da rede de rega.
“O projeto traz uma esperança de podermos continuar a ter a segurança de que temos água todos os anos para as culturas”, afirmou, recordando que a barragem foi concluída em 2000, mas que durante mais de duas décadas os agricultores recorreram a métodos de rega que implicavam maiores perdas de água.
Eficiência da água poderá aumentar cerca de 50%
Segundo o diretor da Associação de Beneficiários do Xévora, a principal vantagem da nova infraestrutura está na forma como a água passa a ser distribuída.
Nelson Barreto explicou que anteriormente a água era libertada para o leito do rio, sendo depois captada pelos agricultores, um processo que originava perdas significativas.
Com a nova rede de condutas, considera que “todo o litro que for colocado na rede será devidamente utilizado”, estimando que a eficiência no uso da água aumente cerca de 50%.
Na sua perspetiva, esta evolução permitirá aos produtores agrícolas planear com maior segurança o futuro das explorações.
“Passamos a ter a confiança de que vamos conseguir assegurar culturas anuais e também culturas permanentes”, referiu.
Associação acredita na expansão do perímetro de rega
Embora o novo aproveitamento hidroagrícola beneficie inicialmente cerca de 1.560 hectares, Nelson Barreto acredita que será possível aumentar essa área nos próximos anos.
O responsável recordou que o projeto inicial previa aproximadamente 2.200 hectares, tendo algumas áreas sido retiradas na sequência da Declaração de Impacte Ambiental.
Ainda assim, considera que existem terrenos confinantes, já explorados em regime de regadio, que poderão vir a integrar futuramente o perímetro.
“Não vejo porque não”, afirmou, defendendo que existem áreas aptas a beneficiar da água disponível, permitindo aproveitar um recurso que, segundo disse, continua a sobrar em vários anos.
Nova infraestrutura já está a gerar investimento e emprego
Para Nelson Barreto, os efeitos da obra já começam a ser visíveis antes mesmo da plena utilização da rede de rega.
O diretor da Associação de Beneficiários do Xévora explicou que várias empresas agrícolas estão a adaptar as explorações às novas condições de abastecimento, alterando sistemas de captação e preparando culturas mais adequadas às características da infraestrutura.
“Este projeto vai seguramente trazer mais emprego”, afirmou, acrescentando que esse impacto já começou a sentir-se através das intervenções realizadas pelos agricultores para adaptar as suas explorações.
Estação elevatória é o próximo desafio
Apesar da inauguração da rede de rega, Nelson Barreto considera que ainda existe um passo importante para completar o projeto.
O responsável defendeu a construção da estação elevatória prevista para o aproveitamento hidroagrícola, explicando que existem zonas situadas em cotas mais elevadas onde a água ainda não consegue chegar devido à pressão disponível.
Segundo revelou, durante a visita foi informado de que está a ser preparado o procedimento para lançar o concurso da empreitada.
Caso esse calendário se confirme, acredita que dentro de cerca de dois anos será possível levar água às explorações atualmente excluídas por limitações técnicas.
“Esperemos que, nesse período, consigamos também alargar o perímetro de rega a áreas que atualmente já são irrigadas, mas que ainda não fazem parte do sistema”, concluiu.



















