O presidente da Câmara de Mourão, no distrito de Évora, João Fortes, reivindicou obras da Infraestruturas de Portugal (IP) que resolvam o abatimento parcial do talude adjacente à Estrada Nacional 256 (EN256), ocorrido após a tempestade Kristin.
“Na atura em que o talude abateu, a câmara interveio para limpeza e alguma contenção da movimentação de terras, mas, se chover novamente este inverno, a estrada vai ficar intransitável porque a massa de areias vai movimentar-se outra vez”, alertou hoje.
Em declarações à agência Lusa, o autarca lamentou que, até ao momento, a IP não tenha promovido obras no troço dessa estrada nacional.
“É uma via importante e, se o acesso for cortado, os automobilistas deixam de poder ir para Espanha ou de aceder ao concelho vindos de Reguengos de Monsaraz”, alertou.
Desde o ‘comboio de tempestades’ que assolou o país, no final de janeiro e início de fevereiro, incluindo a tempestade Kristin, o presidente da câmara tem “vindo a informar a IP” sobre o problema na EN256, mas sem solução.
“A IP disse que iria indagar junto da EPAL [Empresa Portuguesa das Águas Livres], uma vez que passava uma conduta de água por ali, mas a EPAL indicou que não. A partir daí, nunca mais soubemos de nada”, argumentou.
Em comunicado, o município de Mourão exigiu uma “intervenção urgente” da Infraestruturas de Portugal no talude adjacente à EN256, entre os quilómetros 35 e 36.
Citado nesse comunicado, João Fortes manifestou “elevada preocupação” com o facto de se manter o abatimento parcial do talude adjacente à estrada, realçando tratar-se de uma situação que “poderá colocar em causa a estabilidade da plataforma rodoviária e a segurança da circulação”.
Segundo a autarquia, “na sequência dos efeitos provocados pela tempestade Kristin, em janeiro, verificou-se um agravamento significativo das condições da encosta”, o que “representa um potencial risco para automobilistas, residentes e demais utilizadores da via”.
Apesar de esta ser uma infraestrutura “cuja gestão e responsabilidade” competem à IP, é o município que tem vindo a assegurar “as ações de observação, vigilância e manutenção preventiva deste talude, com o objetivo de minimizar os riscos associados à degradação progressiva da encosta”.
Lembrando que, “ao longo destes meses”, efetuou “diversas diligências, contactos e pedidos de intervenção junto da Infraestruturas de Portugal”, a autarquia frisou não ter recebido ainda “qualquer programação concreta para a intervenção de estabilização do talude”.
“Face ao possível agravamento das condições com o aproximar do inverno”, a câmara municipal considerou ser “indispensável e urgente” que a IP realize uma “avaliação técnica especializada”, uma “programação clara para a intervenção” e as “obras de estabilização e consolidação do talude que se revelem necessárias”, de forma a salvaguardar “a segurança rodoviária e da integridade da infraestrutura”.
O município alentejano disse compreender “as dificuldades excecionais que o país enfrentou, designadamente a região Centro, durante o período de forte instabilidade meteorológica”.
Mas, “quando está em causa a segurança das pessoas e a prevenção de riscos, não podemos ignorar os sinais de agravamento desta situação”, reforçou, no comunicado.
Adicionalmente, foi comunicada à IP “a existência de danos na junta de dilatação da Ponte do Alcarrache” e foi solicitada “informação sobre a eventual calendarização da respetiva reparação”.













