O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) divulgou o relatório «Vigilância Laboratorial da Tuberculose em Portugal: Relatório 2024», elaborado pelo Laboratório Nacional de Referência de Micobactérias (LNR-TB), com a coordenação de Rita Macedo e Anabela Santos Silva.
Este documento atualiza os dados da vigilância laboratorial da Tuberculose (TB) até ao final de 2024 e inclui, pela primeira vez, informação sobre o diagnóstico laboratorial de casos de Mycobacterium leprae.
De acordo com o relatório, a vigilância laboratorial da Tuberculose em 2024 registou um aumento de 2% no número de requisições e de amostras biológicas analisadas, e de 6% no número de utentes, comparativamente ao ano anterior. Estes dados são apresentados no contexto da reestruturação dos serviços de saúde, que resultou na criação das Consultas Respiratórias na Comunidade (CRC), substituindo os Centros de Diagnóstico Pneumológico e passando a estar sob dependência direta dos centros hospitalares.
No Alentejo, o relatório indica que a maioria dos utentes analisados corresponde a indivíduos do sexo masculino, sendo as faixas etárias mais afetadas aquelas compreendidas entre os 45 e os 80 anos. Os dados revelam ainda que o Alentejo registou um total de 454 utentes entre 2020 e 2024, sendo a proporção de casos positivos na região inferior à média nacional.
A vigilância laboratorial na região do Alentejo demonstrou uma tendência de diminuição dos casos positivos, com uma taxa de positividade de 7,23% nas análises realizadas em 2024. Este valor é ligeiramente inferior à média nacional de 7,5%, segundo os dados apresentados pelo relatório.
O relatório destaca a presença de casos de Tuberculose Multirresistente (TB-MR) e de Tuberculose Resistente à Rifampicina (TB-RR) na região. Foram identificados três casos na região do Alentejo durante o ano de 2024, mantendo-se a tendência observada nos últimos anos, em que a região regista um número residual de casos comparativamente a outras regiões do país.
O relatório evidencia ainda a necessidade de melhorar o acompanhamento epidemiológico e a vigilância molecular destes casos, nomeadamente através da sequenciação genómica, que permite identificar possíveis cadeias de transmissão e estabelecer perfis de resistência aos antibacilares.
No que diz respeito à lepra, o relatório menciona que não foram registados casos confirmados na região do Alentejo entre 2020 e 2024. A vigilância desta doença é realizada através de métodos moleculares mais sensíveis que permitem a deteção precoce de casos.
O relatório de 2024 sublinha a importância de manter a vigilância laboratorial ativa, especialmente nas regiões com menos incidência, como é o caso do Alentejo. A implementação de tecnologias avançadas, como a sequenciação genómica, é apontada como essencial para garantir uma resposta adequada às necessidades de saúde pública e para assegurar um diagnóstico atempado e preciso da Tuberculose.
O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge recomenda o reforço da vigilância molecular em todo o território nacional, com especial atenção às regiões onde se verifica menor incidência da doença, de forma a garantir uma cobertura mais eficaz e uma monitorização contínua dos casos registados.


















