O interior do país tem de crescer acima da média nacional para que seja possível reduzir as diferenças territoriais, defendeu o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em Estremoz, onde participou, este domingo à noite, nas comemorações dos 100 anos da elevação da localidade a cidade.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o governante considerou que o Alentejo atravessa uma fase marcada pela iniciativa, empreendedorismo e investimento público, defendendo que esta dinâmica deve ser aproveitada para aproximar os territórios do interior das regiões do litoral.
“Se queremos diminuir as diferenças, é preciso que o interior cresça mais do que a média nacional. Se o país crescer 2%, o interior deve crescer 3% ao ano. Se o país crescer 3%, o interior deve crescer 4%. Não devemos desistir disso”, afirmou Manuel Castro Almeida.
O ministro acrescentou que o Governo pretende criar condições para que viver no interior seja uma opção para quem nasce nestes territórios.
“O Governo está a tomar medidas para valorizar cada vez mais o interior, para que as pessoas que nascem cá possam, se quiserem, continuar a viver cá”, disse ao ODigital.pt, recorrendo à expressão “direito de ficar” para sintetizar esse objetivo.
“O interior não é uma periferia da economia nacional”
A mesma ideia marcou o discurso proferido por Manuel Castro Almeida durante a cerimónia do centenário de Estremoz. O ministro defendeu uma mudança na forma como os territórios do interior são encarados, considerando que o debate não deve estar centrado apenas no envelhecimento, na perda de população ou na distância aos principais centros urbanos.
“Temos de mudar este discurso e devemos começar a falar das oportunidades”, afirmou, acrescentando que “o interior não é uma periferia da economia nacional. É uma parte fundamental da sua capacidade produtiva”.
Entre as condições existentes nestes territórios, Castro Almeida destacou os recursos estratégicos, o património natural e cultural, a capacidade exportadora, a qualidade de vida e o espaço disponível para crescer.
Para o governante, o desafio passa agora por criar mais condições para o investimento, atrair talento, fixar jovens, gerar emprego qualificado e transformar os recursos existentes em atividade económica. Foi neste contexto que apontou Estremoz como exemplo, afirmando que a cidade “demonstra que esse caminho é possível”.
Identidade de Estremoz vista como fator de desenvolvimento
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Manuel Castro Almeida destacou a identidade do concelho como um dos fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento.
“A identidade de um concelho não se pode perder. E acho que este concelho tem essa vantagem de ter uma forte identidade”, afirmou, referindo também o movimento associativo local.
O ministro associou essa identidade ao potencial turístico de Estremoz, considerando que, no futuro, os territórios que apresentem características próprias e diferenciadoras poderão beneficiar dessa singularidade na sua promoção.
“São estes territórios com uma identidade própria, que marcam a diferença”, referiu, acrescentando que Estremoz apresenta igualmente “potencial agrícola e agroalimentar muito importante”.
No discurso institucional, Castro Almeida destacou ainda o mármore, o vinho, o azeite e os Bonecos de Estremoz, bem como o património histórico, a paisagem, a cultura e a atividade empresarial, entre os elementos associados à economia e à identidade do território.
Para o ministro, preservar estas características não é incompatível com a modernização. “Tradição e modernidade não são conceitos incompatíveis”, afirmou, defendendo que uma identidade territorial forte pode constituir uma base para o desenvolvimento futuro.
Centenário com os olhos nos próximos 100 anos
Manuel Castro Almeida enquadrou ainda as comemorações do centenário numa reflexão sobre o futuro da cidade, defendendo a criação de oportunidades para os jovens, o apoio ao investimento e à criação de emprego e a valorização do património.
“O futuro de Portugal não se decide apenas nas áreas metropolitanas. Decide-se também em cidades como Estremoz”, afirmou, considerando que estas devem preservar a memória sem deixar de acompanhar as mudanças económicas e sociais.
As declarações foram proferidas durante as comemorações dos 100 anos da elevação de Estremoz a cidade, realizadas na noite deste domingo, 30 de agosto.















