A Universidade de Évora vai instalar novos laboratórios científicos e tecnológicos no Centro Regional de Meteorologia, em instalações cedidas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no âmbito de um protocolo que reforça a cooperação entre as duas instituições e integra o futuro Polo de Aeronáutica e Aeroespacial da academia.
A cedência permitirá à Universidade desenvolver atividades de ensino, investigação e inovação em áreas como meteorologia, sismologia, observação da Terra, engenharia mecatrónica, deteção remota, automação e robótica.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o reitor da Universidade de Évora, António Candeias, explicou que o acordo representa “muito mais do que a cedência de instalações”, dando continuidade a uma relação de cooperação que já existe entre a Universidade e o IPMA.
Universidade e IPMA reforçam colaboração científica
A Universidade de Évora e o IPMA mantêm há vários anos colaboração na área das ciências geofísicas, através de projetos de investigação, campanhas de observação e participação em redes nacionais e internacionais de monitorização meteorológica, climática e sísmica.
A academia opera também estações meteorológicas e sísmicas integradas em redes geridas pelo IPMA, uma colaboração que passa agora a incluir a Estação Meteorológica de Évora, instalada no Centro Regional de Meteorologia.
Segundo António Candeias, a disponibilização das instalações permitirá alargar a cooperação entre as duas instituições.
“A existência destas instalações permitirá ampliar significativamente a cooperação existente e desenvolver atividades de ensino, investigação, inovação e transferência de conhecimento”, afirmou o reitor ao Jornal ODigital.pt.
Entre as áreas identificadas estão a meteorologia, sismologia, observação da Terra, mecatrónica, deteção remota, automação e robótica.
Laboratórios ficam nas instalações do IPMA
A componente laboratorial do futuro Polo de Aeronáutica e Aeroespacial ficará concentrada nas instalações disponibilizadas pelo IPMA junto ao Aeródromo de Évora.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, António Candeias explicou que “a parte laboratorial ficará nas instalações do IPMA”, onde a Universidade pretende instalar infraestruturas para apoiar a formação e a investigação.
O projeto prevê a criação de um laboratório de aerodinâmica, destinado à investigação, experimentação e formação avançada, um laboratório aeroespacial para o desenvolvimento e integração de tecnologias ligadas aos setores aeronáutico e espacial e um laboratório de ensaios de materiais.
Este último deverá permitir estudar, caracterizar e validar materiais e soluções destinados a ambientes com requisitos específicos.
Infraestruturas também poderão ser utilizadas por empresas
A Universidade de Évora pretende que os novos laboratórios não sejam utilizados exclusivamente pela academia.
“A nossa ambição é que estas infraestruturas estejam naturalmente ao serviço da Universidade, mas também abertas às empresas, aos centros de investigação e a outras instituições”, afirmou António Candeias ao Jornal ODigital.pt.
O reitor considera que a articulação entre formação, investigação, inovação e empresas poderá contribuir para desenvolver novos projetos tecnológicos na região.
Segundo António Candeias, a Universidade pretende que o futuro polo ajude a atrair estudantes e investigadores, apoiar novas empresas e aumentar a capacidade de inovação das entidades já instaladas no Alentejo.
Polo poderá servir formações além da Engenharia Aeroespacial
As instalações poderão também apoiar outras áreas de formação para além da Engenharia Aeroespacial.
António Candeias revelou ao Jornal ODigital.pt que a Universidade admite desenvolver formação pós-graduada ou de segundo ciclo em áreas como Gestão de Risco e Proteção Civil, bem como atividades relacionadas com climatologia, robótica e mecatrónica.
“A ideia é, de facto, que estamos hoje a lançar a semente daquilo que se pretende seja um grande polo tecnológico da Universidade de Évora”, afirmou.
A aposta nestas áreas resulta, segundo o reitor, da possibilidade de utilizar as novas infraestruturas para diferentes vertentes de ensino e investigação.
Universidade prevê investimento em equipamentos científicos
A instalação dos laboratórios integra o investimento previsto pela Universidade de Évora para o desenvolvimento do novo polo.
António Candeias adiantou ao Jornal ODigital.pt que estão previstos cerca de 500 mil euros para infraestruturas e equipamentos de caráter analítico e científico, inseridos num investimento global de aproximadamente um milhão de euros previsto para o conjunto das instalações do polo.
O responsável considera que estas infraestruturas deverão permitir à Universidade reforçar a capacidade de investigação em áreas associadas à Aeronáutica e ao Aeroespacial.
Cooperação entre Universidade de Évora e IPMA ganha nova dimensão
O protocolo agora celebrado dá continuidade à relação entre a Universidade de Évora e o IPMA, que abrange igualmente formação de técnicos e investigadores e programas conjuntos, desde microcredenciais até formação doutoral.
Para António Candeias, o acordo representa o início de uma nova fase na cooperação entre as duas instituições.
“Aquilo que assinamos hoje não é um ponto de chegada, é um ponto de partida”, afirmou ao Jornal ODigital.pt.
O reitor acrescentou que as instalações ganharão utilidade quando forem utilizadas por “estudantes, investigadores, técnicos e empresas” e quando acolherem novas formações, projetos e tecnologias.



































