O presidente do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR), Gonçalo Morais Tristão, pediu que sejam assegurados os meios financeiros necessários para concretizar as obras e medidas previstas na estratégia nacional “Água que Une”.
“É preciso perceber onde é que vamos buscar os cinco mil milhões de euros para se fazerem as várias obras e implementar as várias medidas”, afirmou, no âmbito do XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, que decorreu esta semana em Beja, em declarações ao jornal ODigital.pt.
O responsável defendeu que a Aqua SA, empresa liderada por José Macário Correia que vai gerir e executar os projetos da estratégia “Água que Une”, seja dotada dos recursos necessários, salientando que “é preciso também encontrar os financiamentos para as obras e para as medidas que vão sendo implementadas”.
Gonçalo Morais Tristão avaliou favoravelmente a escolha de José Macário Correia para liderar a Aqua SA, destacando a sua experiência nas áreas do ambiente e da agricultura.
“É uma pessoa que conhece os vários lados”, declarou.
Presidente do COTR insiste na execução da estratégia
O dirigente considerou que a estratégia poderia ter sido preparada há décadas, mas colocou a prioridade na aplicação das medidas.
“Já podia ter sido feito há 20, 30 anos. Não interessa, está feito. Agora, é agora que a gente tem que implementar”, afirmou.
Gonçalo Morais Tristão recordou que o documento foi apresentado em março de 2025, em Coimbra, pelo primeiro-ministro, reconhecendo que algumas intervenções já avançaram.
“Verdade seja dita que já passou um ano e meio. Portanto, há coisas que já foram feitas. Nós agora insistimos muito que a estratégia avance”, declarou.
O presidente do COTR defendeu uma gestão que articule as necessidades dos diferentes setores, considerando que o documento reúne medidas para melhorar a eficiência e adaptar o país às alterações climáticas.
“A água que vai para o sector agrícola, a água que é consumida no setor urbano, a água que vai para a indústria”, enumerou, ao explicar a abrangência da estratégia.
Infraestruturas antigas e perdas de água exigem intervenção
Na agricultura, Gonçalo Morais Tristão identificou necessidades de reabilitação em perímetros públicos de rega, onde, segundo explicou, “as infraestruturas são muito antigas e precisam de reabilitação”.
“Nessa estratégia estão inventariadas obras de reabilitação desses perímetros”, acrescentou.
O responsável apontou também problemas nas redes de abastecimento urbano, referindo casos de municípios com perdas de água de 70%, sem identificar os concelhos abrangidos.
“Nós temos câmaras neste país que infelizmente hoje têm perdas de 70% de água. Isso não é aceitável”, afirmou.
Para o presidente do COTR, a execução das medidas deve ser acompanhada de diálogo entre os diferentes utilizadores da água e de uma definição das prioridades de investimento.
“É preciso investir com a cabeça”, sustentou, defendendo que a existência de um documento estratégico não dispensa a continuidade dessa articulação.
Gonçalo Morais Tristão salientou ainda a relação entre a disponibilidade de água e a produção agrícola: “O sector agrícola depende muito da água. A produção de alimentos depende muito da água.”
















