A Galp destacou esta segunda-feira a importância estratégica da refinaria de Sines para garantir o abastecimento de combustíveis em Portugal, defendendo que a unidade consegue manter elevados níveis de operação mesmo em períodos de maior instabilidade nos mercados internacionais. A empresa revelou ainda que a refinaria terá uma paragem de manutenção em setembro, assegurando que a intervenção não deverá afetar os atuais níveis de produção.
Refinaria de Sines mantém produção elevada apesar da volatilidade
Durante a apresentação dos resultados do primeiro semestre, o co-presidente executivo da Galp, João Diogo Marques da Silva, sublinhou que a refinaria de Sines desempenha um papel determinante num contexto marcado por fortes oscilações no mercado petrolífero.
Segundo o responsável, a capacidade da unidade industrial para manter elevados níveis de operação permite à empresa responder às condições do mercado e, simultaneamente, assegurar o abastecimento de combustíveis ao país.
A Galp adiantou ainda que está prevista uma operação de manutenção de curta duração na refinaria durante o mês de setembro, garantindo, contudo, que essa intervenção “não deverá afetar os níveis de produção” atualmente registados.
Margens de refinação continuam elevadas
A petrolífera anunciou um lucro de 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 44% face ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e pela valorização da cotação média do Brent.
No mesmo período, as margens de refinação atingiram os 15,8 dólares por barril, valor que a empresa classificou como historicamente elevado.
João Diogo Marques da Silva explicou que estas margens resultam da diferença entre o custo das matérias-primas utilizadas nas refinarias e o preço de venda dos produtos refinados, como o gasóleo, a gasolina e o combustível para aviação.
O responsável apontou como principais fatores para esta evolução os ataques a refinarias na Ucrânia, os constrangimentos no transporte de produtos petrolíferos e a instabilidade geopolítica internacional. Acrescentou ainda que, após uma descida registada no final de junho, as margens de refinação no mercado spot voltaram a superar os 30 dólares por barril processado, na sequência do aumento da tensão entre os Estados Unidos e o Irão.
Galp rejeita fixação de margens máximas nos combustíveis
Na mesma ocasião, a administração da Galp manifestou-se contra a possibilidade de serem fixadas margens máximas nos combustíveis, uma hipótese que poderá ser analisada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), na sequência de um pedido da ministra do Ambiente e Energia.
“Não nos parece que faça sentido”, afirmou João Diogo Marques da Silva, defendendo que a experiência de mercados internacionais com preços regulados não demonstra vantagens para este tipo de intervenção.
O gestor garantiu ainda que a empresa está disponível para facultar toda a informação necessária à ERSE sobre a formação dos preços dos combustíveis, salientando que o regulador tem “acesso pleno” aos dados da empresa.
Sem comentar diretamente a iniciativa da ministra Maria da Graça Carvalho, o responsável reconheceu que o preço dos combustíveis é uma preocupação para os consumidores portugueses e afirmou que a Galp procura manter uma política de transparência relativamente às metodologias utilizadas na definição dos preços.



















