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Parlamento quer mais tempo de paragem na apanha do perceve na Costa Vicentina

Resolução recomenda ao Governo dois novos períodos sem apanha nem venda de perceve na Costa Vicentina para proteger a espécie.

O Parlamento aprovou uma resolução que recomenda ao Governo o aumento do período de defeso para a apanha do perceve no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, propondo duas novas fases anuais de interdição da captura e comercialização da espécie.

A medida consta de uma Resolução da Assembleia da República, publicada esta quarta-feira em Diário da República, e pretende reforçar a preservação do perceve numa das principais zonas de exploração deste recurso em Portugal.

De acordo com o diploma, a Assembleia da República recomenda ao Governo que sejam estabelecidos dois períodos de defeso: entre 15 de setembro e 15 de novembro e entre 1 e 31 de maio. Durante esses períodos ficaria proibida a captura e comercialização do perceve no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Objetivo é proteger a espécie

O texto aprovado refere que a recomendação surge “no sentido de preservar a espécie”.

O perceve é um dos recursos marinhos com maior valor comercial na costa portuguesa, sobretudo no litoral alentejano e algarvio, sendo a Costa Vicentina uma das áreas com maior pressão de apanha.

A criação de períodos de defeso é utilizada como mecanismo de proteção dos ciclos reprodutivos e regeneração natural das populações, procurando assegurar a sustentabilidade da atividade.

Medida depende de decisão do Governo

Apesar da aprovação parlamentar, a resolução não tem efeitos automáticos. As resoluções da Assembleia da República têm natureza recomendatória, cabendo ao Governo decidir se avança com a aplicação da medida através de regulamentação própria.

A resolução foi aprovada em 24 de abril de 2026.

Impacto na atividade piscatória

A eventual aplicação do novo modelo de defeso poderá ter impacto direto na atividade dos apanhadores licenciados e no abastecimento do setor da restauração, sobretudo durante os meses abrangidos pelas interdições propostas.

Ao mesmo tempo, entidades ligadas à conservação marinha têm defendido o reforço das medidas de proteção do perceve devido à pressão exercida sobre os bancos naturais ao longo dos últimos anos.

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