A apresentação da Cidade Europeia do Vinho 2026 marcou a presença do Baixo Alentejo na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), assumindo-se como o principal eixo estratégico da região para o próximo ano, com impacto direto na promoção turística e no enoturismo.
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, José Manuel Santos, sublinhou que o título resulta de um trabalho conjunto entre municípios, Comunidade Intermunicipal e produtores. «Isto nada se consegue sem luta, sem perseverança, sem foco e sem organização», afirmou, considerando que o processo foi «uma excelente aprendizagem entre os municípios do Baixo Alentejo».
Segundo o responsável, 2026 será «um grande cartaz turístico do Alentejo», enquadrado num ano que inclui também as Festas do Povo de Campo Maior e a contagem decrescente para a Capital Europeia da Cultura, em Évora. «É este o Alentejo, muito dinâmico, muito forte», disse.
Unidade e diversidade como marca do território
O presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, destacou a identidade comum dos concelhos do Baixo Alentejo, apesar das diferenças locais. «Nestes diferentes grupos, nestas pequenas diferenças que nos transportam para a nossa identidade, temos a qualidade e a unidade suficientes para promover todo o potencial que pretendemos mostrar», afirmou.
Beja assume a centralidade institucional do projeto, acolhendo vários momentos-chave. «Este evento vai decorrer em vários concelhos. Beja assume naturalmente a sua condição de capital, mas o Baixo Alentejo é a unidade», sublinhou.
O autarca apelou ainda à visita ao território: «Venham visitar-nos. Venham conhecer-nos. Venham estar connosco».
Quatro pilares estruturam o projeto
Fernando Romba, primeiro secretário da CIMBAL, detalhou a dimensão da candidatura, assente em quatro pilares: viticultura, produção de vinho, sustentabilidade e pessoas.
No Baixo Alentejo existem 537 viticultores que exploram cerca de 5.900 hectares de vinha, representando 27% do total regional. «Cerca de um quarto da área total de vinha do Alentejo está no nosso território», afirmou.
O responsável destacou ainda a forte adesão ao Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo, com 167 viticultores envolvidos e cerca de 60% da área de vinha abrangida. «A sustentabilidade não é apenas uma forma de dizer, mas é uma forma de estar», referiu.
Outro elemento diferenciador é o vinho de talha, já integrado no inventário nacional e com candidatura em curso a Património Cultural Imaterial da Humanidade. «Temos de destacar o vinho de talha», sublinhou.
Gala, congresso mundial e novos festivais
A gala de abertura está marcada para 13 de março, em Beja, no Pax Julia, dando início a um calendário que inclui a Ovibeja, o sexto concurso das Cidades do Vinho de Portugal e a entrega de prémios.
Entre os momentos de maior projeção internacional destaca-se o Global Summit de Enoturismo Sustentável, que decorrerá em Beja no início de junho. «Será um congresso mundial», afirmou Fernando Romba, recordando que as edições anteriores tiveram lugar na América do Sul e na China.
O programa inclui ainda festivais como o Yangon Wine, eventos ligados às estações náuticas, provas desportivas internacionais, iniciativas como o Dark Sky Alqueva Wine em Barrancos e uma semana dedicada à gastronomia.
Para o primeiro secretário da CIMBAL, o vinho ultrapassa a dimensão económica. «O vinho não é apenas o líquido que está no copo. Representa a amizade, a gastronomia e a nossa maneira de estar», afirmou.
A organização destaca que a candidatura do Baixo Alentejo superou propostas dos Açores e do Algarve, consolidando o território como referência nacional no setor vitivinícola e no enoturismo.
Ao longo de 2026, os 13 concelhos envolvidos irão desenvolver iniciativas que visam afirmar a Cidade Europeia do Vinho como motor de promoção turística, valorizando tradição, sustentabilidade e inovação no Baixo Alentejo.














































