Vinte e duas freguesias dos distritos de Beja, Évora e Portalegre não dispunham de qualquer ponto de acesso a numerário no final de 2025, segundo um estudo divulgado pelo Banco de Portugal.
Nestas freguesias residiam 12.372 pessoas, que tinham de sair da respetiva área administrativa para levantar dinheiro num caixa automático, num balcão bancário ou através de um serviço de levantamento disponível em estabelecimentos comerciais.
Évora era o distrito com mais freguesias nesta situação, num total de dez, seguindo-se Beja e Portalegre, ambos com seis. Todas as 22 freguesias foram classificadas como áreas rurais pelo Banco de Portugal.
Os números resultam da soma dos dados relativos aos distritos de Beja, Évora e Portalegre. O relatório não autonomiza os concelhos alentejanos pertencentes ao distrito de Setúbal, pelo que os dados não permitem obter um total para toda a região administrativa do Alentejo.
Mais de 12 mil pessoas abrangidas
As seis freguesias identificadas no distrito de Beja tinham 4.228 residentes e ocupavam uma superfície de 855 quilómetros quadrados. Representavam 8% das freguesias, 3% da população e 8% da área distrital.
No distrito de Évora, as dez freguesias abrangiam 6.010 habitantes e uma área de 618 quilómetros quadrados. Correspondiam a 14% das freguesias do distrito e a 4% da população.
Em Portalegre, as seis freguesias sem qualquer ponto local de acesso a numerário tinham 2.134 residentes e ocupavam 426 quilómetros quadrados. Representavam 9% das freguesias, 2% da população e 7% da área do distrito.
O Banco de Portugal ressalva que a inexistência de um equipamento ou serviço dentro dos limites da freguesia não significa, por si só, que os habitantes enfrentem dificuldades no acesso ao dinheiro. Em vários casos, podem existir pontos de levantamento em freguesias vizinhas, a uma distância reduzida.
Beja entre os concelhos com maiores desafios
O concelho de Beja é o único município alentejano incluído entre os 11 concelhos portugueses onde o Banco de Portugal identifica maiores desafios no acesso a numerário.
A lista integra também Boticas, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Chaves, Mirandela, Mogadouro, Montalegre, Torre de Moncorvo, Vimioso e Vinhais.
Segundo o relatório, uma eventual redução da rede nestes territórios poderá aumentar as distâncias percorridas pela população para levantar dinheiro. Os 11 concelhos têm, no conjunto, cerca de 174 mil residentes, correspondentes a 1,7% da população nacional.
O distrito de Beja concentra ainda oito das 36 freguesias consideradas potencialmente vulneráveis a alterações na rede, o número mais elevado do país. Évora surge com três freguesias nesta classificação.
Esta categoria abrange localidades que ainda têm pontos de acesso, mas nas quais o encerramento de um equipamento ou serviço pode aumentar a população ou a área servida pelos restantes locais.
Nove concelhos com pontos dispersos pelo território
A dimensão do território é outro dos indicadores considerados pelo Banco de Portugal. Dos 19 concelhos do país onde cada ponto de acesso servia, em média, mais de 50 quilómetros quadrados, nove pertenciam aos distritos de Beja, Évora e Portalegre.
No distrito de Beja, encontravam-se nesta situação Almodôvar, Mértola e Ourique. Em Évora, foram identificados Alandroal e Arraiolos. No distrito de Portalegre, a lista inclui Arronches, Avis, Monforte e Nisa.
Barrancos, com cinco pontos de acesso, Arronches, com seis, e Alvito e Castelo de Vide, com sete cada, estavam também entre os 23 municípios portugueses com menos de oito locais onde era possível obter numerário.
A dispersão verifica-se igualmente na rede bancária. Em Beja, cada balcão com serviços de numerário abrangia, em média, 156 quilómetros quadrados. O valor era de 119 quilómetros quadrados em Portalegre e de 99 em Évora, perante uma média nacional de 31.
Portugal tinha quase 18 mil pontos de acesso
No final de 2025, existiam em Portugal 17.933 pontos de acesso a numerário: 14.654 caixas automáticos, 2.732 balcões bancários com serviços de levantamento e depósito e 547 pontos de cash-in-shop, que permitem levantar dinheiro em estabelecimentos comerciais.
Apesar das diferenças territoriais, o Banco de Portugal conclui que a cobertura nacional se mantinha próxima da totalidade da população. Cerca de 95% dos residentes tinha um ponto de acesso a menos de cinco quilómetros por estrada e aproximadamente 99% encontrava-o a menos de dez quilómetros.
Em todo o país, 1.241 das 3.092 freguesias analisadas não tinham qualquer ponto de acesso no seu território. Nelas residiam cerca de 700 mil pessoas, equivalentes a 7% da população nacional.
O Banco de Portugal pretende continuar a acompanhar a evolução da rede, articular respostas com autoridades nacionais e locais e promover o diálogo com os operadores sobre soluções para os territórios onde forem identificadas dificuldades.



















