Entre formações rochosas, vegetação ribeirinha e as águas da Ribeira de Terges, o Pego Canastro vai transformar-se num espaço de concerto ao ar livre. João Barradas atua a 16 de agosto na Herdade da Malhadinha Nova, no concelho de Beja, numa iniciativa que cruza música, arquitetura e paisagem alentejana.
O espetáculo integra a Malhadinha Music Series e é promovido pelo Music Series Festivals, projeto artístico dirigido por Vasco Dantas e dedicado à divulgação de novas gerações de músicos.
Um concerto integrado na paisagem
O concerto decorrerá numa plataforma de madeira desenhada por Manuel Aires Mateus. A estrutura foi pensada para acolher o espetáculo sem alterar a leitura do espaço envolvente, aproximando os músicos e o público da água e da vegetação.
Localizado ao longo da Ribeira de Terges, o Pego Canastro distingue-se pelas suas formações rochosas e pela vegetação que acompanha o curso de água. A tradição local associa ainda esta zona a antigas rotas de circulação e à presença humana no território.
Nas proximidades encontra-se a Casa do Ancoradouro, um dos elementos que recordam a importância histórica da ribeira e a relação das comunidades locais com a água.
Segundo Rita Soares, CEO e fundadora da Herdade da Malhadinha Nova, a escolha deste local está relacionada com a ligação entre a paisagem e a identidade da propriedade.
«É da Ribeira de Terges que nasce uma parte importante do equilíbrio ecológico da Malhadinha e da biodiversidade que procuramos preservar», afirma.
A responsável acrescenta que o Pego Canastro foi selecionado por ser um lugar «onde a água, a paisagem e o silêncio traduzem a verdadeira essência deste território».
João Barradas cruza música clássica, jazz e improvisação
João Barradas tem desenvolvido um percurso que atravessa a música clássica, o jazz e a improvisação. A abordagem ao acordeão assenta no cruzamento de diferentes linguagens musicais e na exploração das possibilidades expressivas do instrumento.
O músico já atuou em espaços e festivais como a Wiener Konzerthaus, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Festival d’Aix-en-Provence. Ao longo da carreira, apresentou-se também como solista com a London Philharmonic Orchestra, a Tonhalle-Orchester Zürich, a Symphoniker Hamburg, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e a Orquestra Metropolitana de Lisboa.
No jazz, colaborou com músicos como Mark Turner, Peter Evans, Greg Osby, David Binney e Gil Goldstein.
Em 2019, foi nomeado ECHO Rising Star pela European Concert Hall Organisation. O seu percurso inclui ainda uma residência artística na Casa da Música e a atribuição do Sir Jeffrey Tate Award pela Symphoniker Hamburg, em 2024.
Para Rita Soares, o convite ao acordeonista deve-se ao seu «percurso artístico» e à «singularidade da sua interpretação».
Uma programação que liga cultura e território
A iniciativa dá continuidade à programação cultural desenvolvida pela Herdade da Malhadinha Nova em articulação com a arquitetura e a paisagem.
Em 2024, a propriedade recebeu um concerto de Vasco Dantas e do Mário Laginha Trio num anfiteatro temporário criado por Manuel Aires Mateus com fardos de palha produzidos na herdade.
Em 2025, o mesmo espaço recebeu uma intervenção artística de Eva Claessens, reforçando a utilização do território como lugar de apresentação e criação cultural.
Nesta edição, o palco assente junto à Ribeira de Terges procura criar uma relação direta entre o som do acordeão, o curso de água e o ambiente natural do Pego Canastro.
«Cada detalhe deve respeitar o lugar, valorizar a Natureza e criar uma experiência em que a música, a arquitetura e a paisagem dialogam», refere Rita Soares.



















