A Distrital de Beja do PSD rejeitou hoje as críticas do PS de partidarização da inauguração do Palácio de Justiça da cidade e acusou a federação socialista do Baixo Alentejo de “desnorte” e de “brincar à política”.
Em comunicado, a distrital social-democrata argumentou que a Federação do Baixo Alentejo do PS “continua em completo desnorte e de cabeça completamente perdida” por Beja ser “uma prioridade para este Governo, contrariamente àquilo que aconteceu nos últimos governos socialistas”.
O deputado do PSD eleito por Beja e presidente desta distrital social-democrata, Gonçalo Valente, que assina o comunicado, considerou que o PS, ao fazer da inauguração do Palácio de Justiça de Beja “um caso”, é porque “não tem mesmo nada para fazer ou não sabe mesmo fazer”.
“Continuem lá a brincar à política que nós vamos continuando a transformar e a impulsionar a nossa região”, ironizou.
O novo Palácio da Justiça da capital do Baixo Alentejo, num investimento superior a 5,7 milhões de euros, foi inaugurado esta terça-feira, tendo a cerimónia sido presidida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
A cerimónia contou igualmente com a ministra da Justiça, Rita Júdice, e com o procurador-geral da República (PGR), Amadeu Guerra, assim como de outros representantes e convidados.
Em comunicado divulgado também na terça-feira, a Federação do Baixo Alentejo do PS considerou que “uma inauguração de um equipamento público não pode ser tratada como um evento partidário”, pelo que a ausência de representantes socialistas foi “inaceitável”.
A estrutura socialista argumentou que o Governo convidou para a sessão “apenas representantes do PSD”, como o deputado Gonçalo Valente e presidentes de câmara do partido na região.
Dessa forma, continuaram os socialistas, “os deputados eleitos pelo PS e pelo Chega [neste círculo eleitoral], bem como os autarcas do PS e da CDU”, foram deixados “de fora”.
No comunicado de hoje, o presidente da distrital de Beja do PSD respondeu, com ironia, que até pode “entender que a federação socialista não saiba muito bem como funcionam as deslocações dos membros do Governo a um círculo eleitoral”.
“É que as vezes que vinham cá membros do Governo socialista eram tão raras que nem deu para aprenderem como funcionam estas iniciativas”, disse.
O deputado social-democrata esclareceu não ter recebido qualquer “convite formal” para a inauguração, tal como nunca recebe “para estar presente em visitas de membros do Governo ao distrito de Beja”.
“Há uma agenda nacional pública referente aos membros do Governo à qual todos os deputados da Assembleia da República têm acesso e, portanto, só não vão se não quiserem”, vincou.
Sobre as críticas socialistas de partidarização e de este Governo do PSD/CDS-PP pretender “rescrever a história como se estivesse a apropriar-se de uma obra do PS”, Gonçalo Valente explicou que o executivo convidou para a cerimónia Catarina Sarmento e Castro e Francisca Van Dunem, “as duas ministras da Justiça dos governos socialistas”.
Na sua intervenção na cerimónia de inauguração, a ministra da Justiça Rita Júdice lembrou, precisamente, que “a história” do Palácio da Justiça de Beja “começou há 10 anos” e saudou Francisca Van Dunem, que esteve presente, e Catarina Sarmento e Castro, referindo a ausência desta “por motivos pessoais”.
“Três ministras estão ligadas a este projeto, mas, no final, o que fica é uma obra. Uma só obra. É um sinal de que o interesse do Estado é superior aos ciclos políticos. E o que está bem deve continuar, o que está por fazer deve ser feito”, afirmou a ministra, na ocasião.
















