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Investigação transforma jacintos-de-água em fertilizantes por compostagem

Os jacintos-de-água, planta invasora que prolifera em cursos de água em Portugal, poderá ser transformada em fertilizante orgânico, através de processos de compostagem, demonstrou um projeto de investigação cujos resultados foram hoje revelados em Mira, distrito de Coimbra.

O projeto, denominado BioComp 3.0, reuniu um consórcio de 13 entidades – entre empresas, instituições de ensino superior, centros de investigação, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e a comunidade intermunicipal da Região de Coimbra – ao longo de dois anos e meio, para estudar o que fazer com a biomassa resultante da retirada daquele infestante de rios e lagoas.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Rodrigues, especialista em agronomia do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e coordenador do BioComp 3.0, notou que o projeto não se focou em resolver a proliferação daquelas plantas invasoras – definindo-a como “uma guerra entre a capacidade ecológica do jacinto e a capacidade do ser humano de o remover – mas antes o que fazer à biomassa que é gerada com a sua retirada dos cursos de água.

“O foco do projeto é o de que, enquanto este problema persistir, e as perspetivas [de resolução] não são animadoras, gera muita biomassa. E, neste momento, não está claro qual o destino dessa biomassa”, argumentou.

Assim, o BioComp 3.0 avaliou “imensas variantes e linhas de trabalho”, reunindo mais de uma dezena de entidades, “cada uma agregando as suas ferramentas ao consórcio”, tendo explorado a via da compostagem como solução para a biomassa dos jacintos-de-água.

O especialista observou, no entanto, que esta não pode ser utilizada por si só “porque não resulta num composto de qualidade”, tendo de ser combinada com outros resíduos orgânicos.

“Fez-se um grande levantamento de todos os resíduos orgânicos da região [de Coimbra], desde estrumes pecuários, a materiais agroindustriais ou estilha de floresta, e encontraram-se alguns que achamos, à partida, que são bons parceiros para compostar com o jacinto”, indicou.

As duas soluções mais promissoras, vincou, passaram por criar dois compostos diferentes, um combinando a biomassa da planta invasora com estilha florestal, “que é muito abundante aqui na região”, e outro que junta àqueles dois resíduos uma percentagem de estrume de cavalo.

Posteriormente, estes dois compostos foram experimentados numa diversidade de culturas agrícolas para testar o seu comportamento agronómico.

O investigador notou que para a compostagem ser viável e os produtos daí resultantes serem comercializados e utilizados pelos agricultores, é necessário existir uma matéria-prima disponível ao longo do ano, sem que perca as suas características funcionais, o que sucede com a estilha florestal.

No entanto, face às características muito próprias da biomassa de jacintos-de-água, – cujo manuseamento tem de ser realizado sob cuidados e procedimentos especiais, nomeadamente das suas sementes, que caindo em cursos de água levam à proliferação descontrolada da planta – o passo seguinte a esta investigação passa por existir um conjunto de autorizações e certificações da responsabilidade das autoridades do ambiente, com vista a uma eventual futura comercialização.

“A compostagem e valorização agronómica já está mais ou menos vista. A questão que agora tem de ser discutida é a legalidade disto tudo. Eu agora não posso agarrar num trator disto [da biomassa dos jacintos-de-água] e ir compostar, é ilegal, é proibido. Sendo uma invasora perigosa, e havendo o risco de se propagar ainda mais, não se pode mexer nisto sem as autorizações legais estarem desbloqueadas”, avisou Manuel Rodrigues.

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