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Manuel Pacheco leva ao VÄLIDO Talks uma conversa sobre disciplina, combate e formação de atletas

O fundador do Stone Boys, em Évora, fala sobre Kickboxing, Muay Thai, preparação mental, derrota, formação de jovens e o valor do processo antes da competição.

Manuel Pacheco é o convidado do novo episódio do VÄLIDO Talks, numa conversa dedicada aos desportos de combate, à disciplina e ao trabalho que antecede o momento em que um atleta sobe ao ringue.

Fundador, diretor técnico e treinador do Stone Boys, em Évora, Manuel Pacheco trabalha há vários anos na formação de atletas de Kickboxing e Muay Thai, incluindo campeões nacionais e internacionais. Chegou a Évora há 17 anos e fundou o clube juntamente com Filipa, a primeira aluna que treinou e que viria também a tornar-se sua mulher.

Dos desportos de combate por necessidade à criação de um clube

A ligação de Manuel Pacheco às artes marciais começou ainda na infância.

Depois de se mudar para Setúbal, os pais colocaram-no nos desportos de combate aos dez anos devido às dificuldades que enfrentava na rua com jovens mais velhos. «Fazia muita falta para me dar autoconfiança e para poder andar na rua», recorda, explicando que rapidamente começou a competir e nunca mais abandonou a modalidade.

Ao longo de cerca de quatro décadas passou pelo Taekwondo, Karaté, Aikido, Boxe e Jiu-Jitsu, acabando por se identificar principalmente com o Kickboxing e o Muay Thai.

«Disciplina supera o talento»

Um dos eixos do episódio é a diferença entre motivação e disciplina.

Para Manuel Pacheco, a motivação é variável e não pode ser a base de um processo de treino. «Nem todos os dias nos sentimos motivados e temos é que ser disciplinados», afirma, defendendo que «disciplina supera o talento», ainda que reconheça a importância das capacidades individuais.

A mesma ideia é aplicada à formação de atletas, onde o treinador valoriza a consistência, a repetição e a capacidade de cumprir rotinas mesmo quando não existe vontade imediata de treinar.

O combate é apenas uma parte do processo

Ao longo da entrevista, Manuel Pacheco defende que o momento da competição não deve ser separado dos meses de preparação que o antecedem.

Na sua perspetiva, «o fixe não é o combate» e aquilo que verdadeiramente transforma o atleta são as semanas de treino, os horários, a alimentação, as dificuldades físicas e a capacidade de criar hábitos.

«O processo muda a vida», sustenta, explicando que levantar-se diariamente às cinco ou seis da manhã para cumprir uma preparação acaba por alterar comportamentos que ultrapassam o próprio desporto.

Medo, adrenalina e preparação mental

O episódio aborda igualmente o medo antes da competição.

Manuel Pacheco considera que esse sentimento deve existir, desde que seja controlado. «O medo é bom. É para tu estares defensivo», explica, defendendo que a ausência total de receio pode levar um atleta a entrar num combate sem avaliar adequadamente os riscos.

O treinador recorda também que cada atleta manifesta o nervosismo de forma diferente e que cabe à equipa técnica perceber essas reações e ajudar a preparar o competidor para o momento de entrar no ringue.

Perder também faz parte da formação

A derrota é outro dos temas centrais da conversa.

Manuel Pacheco explica que, nos desportos de combate, os atletas aprendem desde cedo a perder e a analisar o que correu mal. «Perdemos, é uma aprendizagem. Siga para o próximo», resume.

O treinador considera mesmo que alguns dos combates de que mais gostou enquanto atleta foram derrotas perante adversários de maior nível, porque permitiram perceber aquilo que ainda precisava de melhorar.

Desporto como instrumento de formação

A conversa passa ainda pelo papel dos desportos de combate no desenvolvimento das crianças e jovens.

Manuel Pacheco defende que, entre os seis e os 12 anos, as crianças devem experimentar diferentes modalidades, desenvolvendo capacidades como coordenação, mobilidade, velocidade e adaptação, em vez de serem direcionadas demasiado cedo para um único desporto.

O treinador considera ainda que os valores devem ocupar um lugar central na formação. Ao ensinar uma criança ou jovem a combater, explica, existe também uma responsabilidade acrescida em transmitir respeito, autocontrolo e consciência sobre a utilização dessas capacidades.

A entrevista integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks, através da qual os leitores podem acompanhar os episódios e conhecer os principais temas abordados por cada convidado.

📌 Segue o VÄLIDO Talks:

🎙️ VÄLIDO Talks Instagram →   / validotalks  

Spotify → https://open.spotify.com/show/5Xk4Et4…

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