Em Évora: Ministra da Cultura defende relações duradouras entre artistas, municípios e comunidades nos territórios

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto defende que a resposta aos efeitos das alterações climáticas no património deve passar também pela prevenção e pela antecipação dos riscos. Em declarações ao Jornal ODigital.pt, em Évora, Margarida Balseiro Lopes apontou ainda os territórios de baixa densidade como uma das áreas de intervenção do novo Programa Cultura dos EEA Grants.

A proteção do património cultural perante fenómenos meteorológicos extremos não pode ficar limitada à recuperação dos danos já provocados e deve integrar mecanismos de prevenção, conhecimento e adaptação às alterações climáticas.

A posição foi transmitida pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, em declarações ao Jornal ODigital.pt, esta quinta-feira, 2 de outubro, em Évora, no âmbito do lançamento do Programa Cultura dos EEA Grants 2021-2028, realizado no Convento de São Bento de Cástris.

À margem da iniciativa, a governante recordou ao ODigital.pt os danos registados em bens patrimoniais na sequência das tempestades que atingiram o país nos primeiros meses do ano, considerando que estes episódios colocam a prevenção entre as questões que devem ser consideradas na conservação do património.

“Preservar o património não pode significar apenas intervir depois do dano acontecer”, afirmou Margarida Balseiro Lopes ao Jornal ODigital.pt, acrescentando que é necessário “antecipar riscos, reforçar a resiliência dos nossos monumentos e sítios” e conhecer as ameaças a que estes estão sujeitos.

Segundo a ministra, esta abordagem assume particular importância no património cultural costeiro e subaquático, onde a investigação, a inovação e a digitalização podem contribuir para encontrar respostas aos efeitos das alterações climáticas.

“Recuperar onde é necessário, prevenir onde é possível e conhecer melhor para proteger melhor”, sintetizou a governante ao ODigital.pt, apontando para uma combinação entre intervenção, conhecimento, tecnologia e investigação.

Cultura nos territórios de baixa densidade

O novo ciclo de financiamento não fica, contudo, circunscrito à conservação do património. Margarida Balseiro Lopes destacou também a criação artística e o acesso à cultura nos territórios de baixa densidade, defendendo que a localização geográfica não deve constituir uma barreira à participação cultural.

“O lugar onde se vive não deve determinar a distância a que se está da criação e da fruição cultural”, afirmou ao Jornal ODigital.pt. A ministra referiu que o objetivo passa por criar condições para que artistas, associações e estruturas culturais possam desenvolver atividade e chegar a públicos em diferentes regiões do país.

Neste âmbito, o Programa Cultura prevê uma linha dedicada às redes culturais e ao desenvolvimento de públicos, destinada à oferta, acesso e participação nas artes em territórios de baixa densidade de Portugal Continental e das Regiões Autónomas. A dotação desta linha é de 3,6 milhões de euros, com apoios entre 250 mil e 450 mil euros por projeto.

Para Margarida Balseiro Lopes, a intervenção nestes territórios não deverá limitar-se à realização pontual de atividades. “Não se trata apenas de levar iniciativas ao território”, afirmou, explicando que a intenção é criar relações mais duradouras entre artistas, estruturas culturais, municípios, comunidades e públicos.

Programa Cultura dispõe de cerca de 10,9 milhões de euros

O Programa Cultura dos EEA Grants 2021-2028 dispõe de uma dotação global de 10.888.235 euros, dos quais nove milhões são provenientes dos EEA Grants, 1.588.235 euros correspondem à comparticipação nacional e 300 mil euros ao Fundo de Relações Bilaterais.

O financiamento está organizado em três áreas, abrangendo a revitalização do património cultural costeiro, a investigação e ação sobre património e alterações climáticas e as redes culturais e desenvolvimento de públicos. O programa é operado pelo Património Cultural, I.P., em parceria com a Direção-Geral das Artes.

Margarida Balseiro Lopes sublinhou ao Jornal ODigital.pt que o objetivo é que os projetos apoiados deixem efeitos para além do período de financiamento, através da criação de competências, redes e capacidade de atuação nas organizações.

“Acima de tudo, queremos que deixem capacidade instalada para o futuro”, afirmou a ministra, acrescentando que o novo ciclo deverá permitir “chegar a mais territórios, criar novas oportunidades” e reforçar a proteção do património e as condições para a criação cultural em diferentes pontos do país.

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