José Pedro Henriques subiu esta quarta-feira ao palco principal da Feira de São João, em Évora, num concerto que o próprio classificou como uma etapa importante no seu percurso enquanto músico independente.
No final da atuação, o cantor falou sobre a dificuldade de chegar aos grandes palcos, a campanha de crowdfunding para apoiar o seu trabalho e a ligação que mantém ao Alentejo.
“Fui levando a minha história a pulso”
No final do concerto, José Pedro Henriques destacou a importância de atuar no palco principal da Feira de São João, sublinhando que o percurso tem sido feito de forma independente.
«Antes de mais, é importante perceber que eu sou músico independente. Portanto, esta oportunidade de entrar num palco principal nesta fase é uma grande oportunidade», afirmou.
O artista explicou que começou a lançar singles originais em 2017 e que tem construído o seu percurso sem agenciamento.
«Fui levando a minha história a pulso. Fui gravando, lançando singles e estou a preparar um LP que se há de chamar “Queda Programada”», referiu.
José Pedro Henriques considerou que a atuação na Feira de São João representa um momento relevante na sua carreira.
«Mesmo com a idade que eu tenho, foi a primeira vez que eu pisei um palco principal. Isto também mostra um bocadinho a dificuldade que há de furar», afirmou.
Campanha de crowdfunding para apoiar novo trabalho
Durante o concerto, o músico falou ainda de uma campanha de crowdfunding que tem em curso para financiar material audiovisual ligado ao projeto.
«Nós temos uma campanha de crowdfunding a decorrer numa plataforma. O link está nas minhas redes sociais», explicou.
Segundo José Pedro Henriques, a campanha já atingiu parte significativa do objetivo.
«Já angariámos dois terços do valor necessário. Portanto, neste momento a campanha está bem lançada», adiantou.
O cantor defendeu que este apoio é uma forma de perceber a sustentabilidade do percurso artístico.
«Para nós sermos sustentáveis enquanto artistas, temos que perceber se o público nos apoia ou não», afirmou.
Material do concerto pode abrir portas
José Pedro Henriques explicou que o material recolhido no concerto poderá ser importante para chegar a programadores, organizadores, agentes e produtores.
«Este material é essencial para angariar outros trabalhos», disse.
O músico lembrou que, no mercado português, os concertos continuam a ser uma das principais formas de retorno para os artistas.
«Um artista hoje em dia tem retorno num mercado como o nosso, que é minúsculo, com concertos», referiu.
Évora_27 e o lugar dos artistas locais
Questionado sobre Évora Capital Europeia da Cultura 2027, José Pedro Henriques afirmou esperar que o projeto possa também abrir espaço a artistas locais.
«Eu espero que sim», disse, quando questionado sobre a possibilidade de atuar no âmbito de Évora_27.
Ainda assim, o cantor considerou que o movimento em torno da Capital Europeia da Cultura tem sido pouco claro para músicos com o seu perfil.
«Para artistas locais como eu não encontro lugar. Não encontro lugar. Não sei onde é que me encaixo ali», afirmou.
José Pedro Henriques defendeu também a valorização do canto e da cultura endógena.
«Há lugar para o canto. O canto tem que ser valorizado, a cultura endógena», referiu.
Ligação ao Alentejo
Apesar de não ser natural do Alentejo, José Pedro Henriques vive em Évora há mais de duas décadas e assumiu a ligação ao território.
«Eu não sou alentejano. Vim para cá viver há 26 anos. Vim para cá estudar e apaixonei-me pelo Alentejo», afirmou.
O músico disse ainda que algumas das suas canções têm influência da sonoridade do cante.
«Adoro o cante. Eu faço músicas inspiradas no canto», declarou.
A Feira de São João decorre em Évora até 5 de julho, com concertos, tasquinhas, expositores, atividades desportivas e programação cultural.











































