Duarte Tirapicos é o convidado do novo episódio do podcast VÄLIDO Talks, numa conversa dedicada ao desporto, à disciplina e à forma como os objetivos podem transformar hábitos e prioridades.
Natural de Évora, o atleta partilha um percurso que começou no futebol, no karaté e na natação, passou pelo râguebi e pelos forcados e chegou, já na idade adulta, ao triatlo e às provas de Ironman.
Foi em 2021, quando se preparava para terminar o percurso enquanto forcado amador, que procurou um novo desafio. “Tinha de arranjar outra coisa para fazer, algo que me desse adrenalina e que me fizesse superar”, explica durante a entrevista. A resposta surgiu no triatlo, modalidade que começou a praticar aos 33 anos e que, segundo admite, se tornou num novo “vício”.
Do râguebi e dos forcados ao triatlo
Ao longo da conversa, Duarte Tirapicos recorda a influência que os desportos coletivos e a experiência nos forcados tiveram na sua formação pessoal.
O atleta destaca os valores do trabalho em equipa e da confiança entre os elementos de um grupo, lembrando que, diante de um touro, “só contando com os oito é que se conseguem fazer as coisas bem feitas”.
A disciplina também foi sendo construída durante os três anos que passou no Colégio Militar, ainda na adolescência. Duarte considera que a organização e o rigor que mantém atualmente tiveram origem nessa fase da sua vida.
O que é um Ironman
O episódio explica igualmente o que está por trás de uma prova de Ironman, composta por 3,8 quilómetros de natação, 180 quilómetros de ciclismo e uma maratona de 42 quilómetros.
Antes de chegar a essa distância, Duarte começou pelo meio Ironman, com 1,9 quilómetros de natação, 90 quilómetros de bicicleta e 21 quilómetros de corrida.
A natação foi a maior dificuldade inicial. Quando regressou às piscinas já em adulto, lembra que chegou ao outro lado de uma pista de 25 metros “como se tivesse corrido uma maratona”. A persistência levou-o, cinco meses depois, a participar na primeira prova internacional, realizada na Polónia.
Provas de mais de mil quilómetros
A conversa passa também pelo ultraciclismo e pelas provas de longa distância realizadas em autonomia.
Num dos desafios, Duarte percorreu cerca de mil quilómetros, tendo seis dias para terminar o trajeto e sem poder contar com assistência previamente organizada.
Além da componente física, estas provas obrigam o atleta a gerir alimentação, descanso, equipamento e imprevistos. Segundo Duarte, são experiências que exigem “foco, força de vontade, adrenalina e superação”.
Desconforto, propósito e consistência
A preparação de uma prova pode começar vários meses antes e implica conciliar os treinos com o trabalho na empresa agrícola da família.
Há dias em que o atleta começa a treinar às 05h00 e outros em que pedala durante várias horas depois do trabalho. “A sorte dá muito trabalho”, afirma, ao explicar que os resultados não surgem apenas no dia da competição, mas através da organização e da consistência mantidas durante semanas e meses.
No novo episódio do VÄLIDO Talks, Duarte Tirapicos fala ainda sobre a importância de ouvir o corpo, evitar começar sem preparação e procurar um propósito que ajude a manter o compromisso diário.
A entrevista integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks, que permite aos leitores acompanhar os episódios e conhecer os principais temas abordados por cada convidado.
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