A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo defende a criação de mais condições para tornar sítios arqueológicos visitáveis na região, através de acordos entre proprietários privados, entidades públicas e outras estruturas com intervenção no território.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o vice-presidente da CCDR Alentejo com o pelouro da Cultura, Henrique Sim-Sim, reconheceu que uma parte significativa do património arqueológico existente na região se encontra em terrenos privados, o que obriga a encontrar soluções que permitam conciliar a propriedade com a visitação e a valorização dos locais.
“Em muitos destes sítios estamos em propriedade privada. Outros têm propriedade de natureza pública, mas a maior parte estão em propriedade privada”, afirmou.
CCDR quer encontrar compromissos com proprietários
Para Henrique Sim-Sim, a criação de condições de acesso exige um trabalho conjunto entre diferentes entidades.
“É, portanto, encontrar compromissos para que privados e entidades públicas, como também com conhecimento, se possam criar sítios visitáveis”, explicou ao Jornal ODigital.pt.
O responsável considera que este caminho deve ser desenvolvido de forma progressiva, aproveitando exemplos já existentes na região.
Segundo Henrique Sim-Sim, há locais onde já é possível visitar antas, povoados e outros vestígios arqueológicos, demonstrando que existem modelos que podem ser replicados noutros territórios.
“Há bons exemplos. É preciso continuar a trabalhar nesse sentido e criar esses percursos”, afirmou.
Património pode contribuir para desenvolvimento do território
O vice-presidente da CCDR Alentejo considera que a visitação do património arqueológico não tem apenas uma dimensão cultural ou patrimonial.
Na sua perspetiva, a criação de condições para receber visitantes pode também ter impacto no desenvolvimento local.
“Existe interesse nestes sítios. Se forem visitados, criam também, de facto, um instrumento de desenvolvimento para o território”, afirmou Henrique Sim-Sim ao Jornal ODigital.pt.
O responsável defende, por isso, que o trabalho deve envolver proprietários, entidades públicas e diferentes agentes do território.
“É trabalhar nesse sentido com os privados, com os públicos, com todos”, acrescentou.
Questão ganhou destaque em Reguengos de Monsaraz
As declarações foram prestadas no âmbito da apresentação da Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz, documento que reúne mais de 1.500 sítios identificados no concelho.
A questão da acessibilidade ao património esteve também presente nas intervenções realizadas durante a apresentação, nomeadamente através da referência às dificuldades existentes para visitar alguns monumentos megalíticos no Alentejo.
Henrique Sim-Sim considera que o conhecimento e a inventariação dos sítios devem ser acompanhados por estratégias de salvaguarda e valorização.
Para a CCDR Alentejo, a criação de percursos e de condições de visitação pode integrar esse trabalho, articulando proteção patrimonial, conhecimento e desenvolvimento dos territórios.
Cartas arqueológicas podem apoiar planeamento
O responsável voltou ainda a enquadrar as cartas arqueológicas como instrumentos relevantes para o conhecimento e gestão dos sítios existentes.
Henrique Sim-Sim considera que a identificação e localização do património permite não só assegurar a sua proteção, como apoiar decisões relacionadas com o ordenamento e planeamento territorial.
A Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz foi apresentada como um exemplo desse trabalho, reunindo informação sobre mais de 1.500 ocorrências arqueológicas existentes no concelho.
Para o vice-presidente da CCDR Alentejo, o passo seguinte passa também por criar condições para que uma parte deste património possa ser conhecida e visitada, quando existirem condições para tal.














