Agenda NEXUS termina com 72 resultados para descarbonizar o Porto de Sines

Projeto apoiado pelo PRR envolveu 35 entidades e criou sensores, inteligência artificial e ferramentas para a transição verde e digital dos portos.

A Agenda Mobilizadora NEXUS concluiu, no final de junho, o desenvolvimento dos Produtos, Processos ou Serviços previstos, após quatro anos de investigação dedicada à modernização, descarbonização e sustentabilidade do setor marítimo-portuário.

A Universidade de Évora (UÉ) participou no projeto com uma equipa multidisciplinar de 25 investigadores de seis países, coordenada cientificamente por Teresa Batista. O trabalho incidiu sobre dados abertos, deteção remota, sistemas de informação geográfica, inteligência artificial, descarbonização, economia circular e modelação energética.

O encerramento da Agenda NEXUS foi assinalado durante a NEXUS International Conference – DGTMP 2026, organizada pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), pelo Instituto Politécnico de Setúbal e pela Universidade de Évora.

Projeto produziu 72 resultados científicos e tecnológicos

De acordo com a UÉ, o projeto alcançou 72 resultados, entre os quais 30 artigos publicados em revistas científicas Q1 e Q2, um livro digital, 14 artigos e cinco pósteres em atas de conferências, quatro workshops, uma conferência internacional, cinco teses de mestrado e doutoramento, quatro visitas de referência a portos internacionais e oito entregáveis.

Entre as ferramentas desenvolvidas está o ecossistema Port of Sines Nexus Sensing, que integra sensores meteorológicos e de qualidade do ar com um painel de controlo em tempo real. Foi também criada a plataforma de inteligência marítima NEREUS, destinada à monitorização ambiental contínua do porto.

A investigação procurou ainda apoiar políticas públicas e medidas de transição energética. A equipa identificou, por exemplo, os impactos da ausência de áreas de controlo de emissões no Atlântico Nordeste e sistematizou medidas para reduzir a pegada carbónica dos portos.

Eletrificação dos navios pode reduzir emissões

Uma das principais conclusões do projeto está relacionada com a descarbonização portuária. Segundo a equipa da Universidade de Évora, a redução de emissões não deve concentrar-se apenas na frota terrestre e nos edifícios, devendo incluir os navios atracados.

A utilização de sistemas Onshore Power Supply (OPS), a eletrificação e a adoção de combustíveis como hidrogénio, metanol e amónia foram identificadas como áreas prioritárias.

Os estudos indicam que a eletrificação, através de OPS, de um navio porta-contentores com capacidade para 14.000 TEU pode reduzir até 160 toneladas de dióxido de carbono por cada permanência de 48 horas no porto. A redução anual estimada é de cerca de 4.000 toneladas de CO₂ por navio.

O projeto aplicou também algoritmos de deep learning ao processamento de dados do satélite Sentinel-5P, com o objetivo de melhorar a deteção remota da poluição atmosférica marítima. Outra linha de investigação integrou a gestão florestal territorial e os serviços de ecossistema na estratégia de neutralidade carbónica do Porto de Sines.

Universidade de Évora quer manter investigação

Para Teresa Batista, a ligação entre a academia e as empresas é «vital» para concretizar a transição verde e digital do setor marítimo e logístico.

«A Academia oferece isenção científica, rigor metodológico, acesso a tecnologia de vanguarda e capacidade de antecipar tendências regulatórias internacionais», afirmou a coordenadora, acrescentando que as empresas fornecem «contexto operacional real, desafios concretos do mercado, dados históricos de operação e capacidade de implementação em escala».

A UÉ pretende continuar a utilizar os equipamentos instalados, incluindo a rede de sensores de qualidade do ar, a estação meteorológica e o drone associados ao Port of Sines Nexus Sensing e à plataforma NEREUS.

A equipa prevê ainda publicar novos artigos científicos até ao final de 2026 e candidatar-se a projetos europeus, incluindo no âmbito do programa Horizon Europe.

Liderada pela APS, a Agenda NEXUS reuniu 35 entidades para desenvolver soluções de digitalização, descarbonização e modernização da cadeia logística associada ao Porto de Sines. Segundo a liderança do projeto, foram entregues mais três Produtos, Processos ou Serviços do que os inicialmente previstos.

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