O Alentejo tem 19 Áreas de Ecossistemas Urbanos, distribuídas por 13 concelhos, que não cumprem cumulativamente os critérios de mais de 45% de espaço verde urbano e mais de 10% de coberto arbóreo usados no diagnóstico nacional do PRO NAT.URBE. No conjunto, estas áreas abrangem 8.944 hectares, dos quais 4.566 hectares correspondem a espaço verde urbano e 446 hectares a coberto arbóreo.
Os dados constam do Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas (PRO NAT.URBE), aprovado pelo Governo e publicado em Diário da República através do Despacho n.º 11559/2026. O diagnóstico utiliza 2024 como ano de referência e identifica as áreas urbanas onde os indicadores de espaço verde e de cobertura por árvores justificam acompanhamento no âmbito das metas nacionais de restauro da natureza.
No Alentejo, as 19 áreas identificadas localizam-se nos concelhos de Alcácer do Sal, Beja, Campo Maior, Elvas, Estremoz, Évora, Grândola, Montemor-o-Novo, Ponte de Sor, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Sines e Vendas Novas.
Entre os valores constantes do documento, Sines apresenta a menor percentagem de coberto arbóreo das áreas alentejanas identificadas, com 1% numa área de ecossistema urbano de 533 hectares. O espaço verde urbano representa 32% dessa área, correspondendo a 169 hectares, enquanto o coberto arbóreo ocupa seis hectares.
Em Beja, as duas áreas consideradas no levantamento apresentam igualmente valores reduzidos de cobertura arbórea. Na União das Freguesias de Salvador e Santa Maria da Feira, o coberto arbóreo corresponde a 2% da área analisada, enquanto o espaço verde urbano representa 43%. Na União das Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista, os valores são de 2% e 25%, respetivamente.
Também em Évora são identificadas três áreas. No Bacelo e Senhora da Saúde, o coberto arbóreo representa 2% da área de ecossistema urbano; na Malagueira e Horta das Figueiras situa-se nos 3%; e na União das Freguesias de São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão atinge 4%. Nesta última, correspondente à zona central da cidade, o espaço verde urbano representa 17% dos 113 hectares abrangidos pela análise.
Reguengos de Monsaraz surge no levantamento com 2% de coberto arbóreo, Ponte de Sor com 3% e Vendas Novas com 5%. Em Campo Maior, as duas áreas identificadas apresentam 4%, enquanto Estremoz regista 8%. Em Elvas, a área correspondente à União das Freguesias de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso apresenta 60% de espaço verde urbano e 10% de coberto arbóreo.
No litoral alentejano, além de Sines, o levantamento inclui duas áreas em Alcácer do Sal, com coberto arbóreo de 8% e 6%, respetivamente, Grândola e Santa Margarida da Serra, com 8%, e Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, com 10%.
Critérios não significam ausência de espaços verdes
A presença de uma área nesta lista não significa que tenha simultaneamente pouca área verde e poucas árvores. A metodologia definida no programa exclui do conjunto considerado crítico apenas os ecossistemas urbanos que apresentam, em simultâneo, mais de 45% de espaço verde urbano e mais de 10% de coberto arbóreo. Assim, uma área pode ter uma percentagem elevada de espaço verde e continuar abrangida pelo diagnóstico devido ao valor da cobertura arbórea.
A nível regional, as 19 áreas alentejanas representam 8.944 hectares. O espaço verde urbano corresponde a 4.566 hectares, enquanto apenas 446 hectares estão classificados como coberto arbóreo.
O PRO NAT.URBE vigora entre 2026 e 2035. Até 2030, as metas nacionais passam por evitar a perda líquida de espaço verde e de coberto arbóreo urbanos, tendo 2024 como referência. A partir de 2031, o programa estabelece como objetivo uma trajetória de aumento destes dois indicadores.
Entre as intervenções previstas estão a criação e ampliação de espaços verdes, arborização de ruas e praças, recuperação de linhas de água, desimpermeabilização de solos, criação de corredores ecológicos, zonas de sombra e redes de abrigos climáticos. A execução das intervenções caberá sobretudo aos municípios, que deverão planear e propor os projetos nos respetivos territórios.
| Município | Freguesia | Código | Área de Ecossistema Urbano (ha) | AEU (% da freguesia) | Espaço Verde Urbano (ha) | EVU (% da AEU) | Coberto Arbóreo Urbano (ha) | CAU (% da AEU) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Alcácer do Sal | Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo) | 150108 | 328 | 1% | 200 | 61% | 25 | 8% |
| Alcácer do Sal | Alcácer do Sal (Santiago) | 150109 | 472 | 2% | 286 | 61% | 30 | 6% |
| Beja | Beja (Salvador e Santa Maria da Feira) | 20520 | 526 | 23% | 227 | 43% | 10 | 2% |
| Beja | Beja (Santiago Maior e São João Baptista) | 20521 | 374 | 7% | 93 | 25% | 8 | 2% |
| Campo Maior | Nossa Senhora da Expectação | 120401 | 164 | 2% | 89 | 54% | 6 | 4% |
| Campo Maior | São João Baptista | 120403 | 236 | 2% | 94 | 40% | 8 | 4% |
| Elvas | Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso | 120712 | 491 | 5% | 293 | 60% | 49 | 10% |
| Estremoz | Estremoz (Santa Maria e Santo André) | 70414 | 600 | 9% | 357 | 60% | 46 | 8% |
| Évora | Bacelo e Senhora da Saúde | 70522 | 789 | 17% | 389 | 49% | 16 | 2% |
| Évora | Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão) | 70523 | 113 | 100% | 19 | 17% | 5 | 4% |
| Évora | Malagueira e Horta das Figueiras | 70524 | 1.218 | 19% | 594 | 49% | 42 | 3% |
| Grândola | Grândola e Santa Margarida da Serra | 150506 | 600 | 1% | 377 | 63% | 47 | 8% |
| Montemor-o-Novo | Nossa Senhora da Vila | 70615 | 229 | 1% | 119 | 52% | 13 | 6% |
| Montemor-o-Novo | Nossa Senhora do Bispo | 70616 | 171 | 1% | 90 | 53% | 16 | 9% |
| Ponte de Sor | Ponte de Sor | 121309 | 400 | 2% | 184 | 46% | 13 | 3% |
| Reguengos de Monsaraz | Reguengos de Monsaraz | 71104 | 400 | 4% | 220 | 55% | 10 | 2% |
| Santiago do Cacém | Santo André | 150907 | 600 | 8% | 332 | 55% | 58 | 10% |
| Sines | Sines | 151301 | 533 | 3% | 169 | 32% | 6 | 1% |
| Vendas Novas | Vendas Novas | 71201 | 700 | 4% | 432 | 62% | 37 | 5% |



















