A próxima edição da Feira do Chocalho, em Alcáçovas, deverá reforçar a ligação à arte chocalheira e assumir um papel mais ativo na preservação deste património.
O objetivo foi traçado pelo presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, que pretende conciliar a dimensão popular do evento com a promoção do fabrico de chocalhos.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o autarca afirmou que o certame deverá continuar a proporcionar momentos de convívio, mas também recuperar a ligação ao elemento que lhe dá o nome.
“A Feira do Chocalho precisa de ser duas coisas. Deve ser aquilo que é a feira popular, onde existe o convívio entre as pessoas, os comes e bebes e toda aquela mística de as famílias se juntarem para ir à feira”, começou por explicar.
Paralelamente, acrescentou, é necessário transformar o evento numa “montra para o chocalho” e numa iniciativa ligada ao plano de salvaguarda da arte chocalheira.
“Temos um símbolo, que é o objeto chocalho, que tem um selo por parte da UNESCO, e acabamos por não o dinamizar nesta própria feira. A Feira do Chocalho tem de servir também para alimentar o plano de salvaguarda da arte chocalheira”, declarou Luís Metrogos.
Municípios do Alentejo chamados a assumir compromisso
Entre os momentos previstos está a assinatura de um memorando destinado a envolver municípios do Alentejo na preservação do fabrico de chocalhos.
Segundo o presidente da Câmara de Viana do Alentejo, o documento pretende levar as autarquias a comprometerem-se com o plano de salvaguarda e com a criação de condições para assegurar a continuidade deste ofício.
“O que se pretende é que os municípios do Alentejo se comprometam com este plano de salvaguarda e com o garantir das condições para que o fabrico do chocalho não se perca no espaço e no tempo”, afirmou.
A assinatura está associada ao Festival Ressoar, iniciativa que decorre antes da feira e que termina durante o certame em Alcáçovas.
“A feira não poderá viver apenas do concerto final”
Luís Metrogos considera que a Feira do Chocalho não deverá ficar dependente apenas dos nomes que integram o cartaz musical.
“A feira não poderá viver apenas do concerto final, que chega normalmente ao final da noite”, afirmou, reconhecendo, contudo, a importância dos artistas na atração de visitantes.
O autarca defende que o evento deverá ser construído a partir de várias atividades ligadas ao território, à gastronomia, às tradições e à cultura local.
“Se vivermos só da contratação do artista, que é importante e atrai as pessoas, não chega. Precisamos, em paralelo, de fazer com que a feira possa viver de todas as pequenas coisas que a alimentam”, explicou.
O programa inclui workshops gastronómicos dedicados aos sabores sazonais, o concurso regional do Rafeiro Alentejano, momentos relacionados com as histórias da paisagem, passeios e caminhadas noturnas.
Está também previsto um espetáculo de carrilhão, realizado em parceria com a Banda da Sociedade União Alcaçovense. Luís Metrogos recordou que o carrilhão passou por Alcáçovas há cerca de dez anos e antecipou um novo momento conjunto com a banda local.
Chocalhada Comunitária leva chocalhos para as ruas
Uma das iniciativas previstas é a Chocalhada Comunitária, que pretende levar habitantes e visitantes a saírem à rua com chocalhos e a participarem num momento coletivo.
A atividade procura recuperar a chamada paisagem sonora do montado alentejano, marcada pelo som dos chocalhos utilizados no gado e que permitiam aos pastores acompanhar a localização dos animais.
“A paisagem sonora era aquilo que existia antes, com o gado a fazer tocar o chocalho e a dar nota ao pastor de onde é que os animais andavam. Isto ecoava pelos terrenos do Alentejo”, explicou Luís Metrogos.
“Queremos que as pessoas saiam à rua, tragam os seus chocalhos e os façam ouvir. Teremos também chocalhos disponíveis”, acrescentou.
O objetivo, segundo o presidente da Câmara, é fazer com que o chocalho ultrapasse a sua dimensão enquanto objeto e volte a estar presente através do som.
Organização prepara alterações no recinto
A edição deste ano deverá contar também com uma reorganização do espaço da Feira do Chocalho.
A Câmara Municipal pretende aproximar os expositores institucionais, as bancas de venda e promoção de produtos, as áreas de convívio e os espaços destinados aos espetáculos.
Luís Metrogos explicou que a alteração procura agregar as diferentes componentes do evento num espaço comum, permitindo uma maior ligação entre os expositores, os visitantes e a programação.
O autarca deixou ainda um convite à participação no Festival Ressoar e na Feira do Chocalho.
“Levem os chocalhos, participem na chocalhada e façam parte desta paisagem sonora que queremos que chegue a todas e a todos”, concluiu.

















