Do Forte da Graça a Noudar, a Monsaraz e Vila Viçosa: Livro reúne fortificações num percurso pela Raia

A obra percorre 73 estruturas defensivas da Extremadura, do Alentejo e da Região Centro, incluindo 33 castelos e fortificações alentejanos.

A história e o património militar da fronteira entre Portugal e Espanha estão reunidos num livro que percorre 73 castelos e fortificações da Extremadura, do Alentejo e da Região Centro, incluindo 33 locais situados em território alentejano.

Intitulada “Castillos y Fortificaciones en La Raya: Extremadura, Alentejo y Región Centro”, a obra é da autoria de Gabriel Jesús Fernández Muñoz e apresenta informação histórica, arquitetónica e patrimonial sobre estruturas defensivas distribuídas ao longo da fronteira luso-espanhola.

Entre os locais alentejanos incluídos encontram-se o Forte da Graça e a praça-forte de Elvas, os castelos de Marvão, Noudar, Monsaraz e Vila Viçosa, as fortificações de Campo Maior, Castelo de Vide, Portalegre e Juromenha, assim como os conjuntos defensivos de Estremoz, Mourão, Moura e Évora.

Viagem começou em Elvas em 2013

Elvas ocupa um lugar central na origem do livro. Na apresentação da obra, o autor conta que o percurso começou em 2013, durante uma visita à cidade, depois de uma passagem pelo posto de turismo.

Foi nessa ocasião que lhe recomendaram uma deslocação ao Forte da Graça, que, segundo relata, se encontrava então próximo de um estado de abandono. A visita levou-o a regressar à região e a iniciar uma pesquisa sobre as fortificações existentes ao longo da Raia.

Gabriel Jesús Fernández Muñoz refere que identificou mais de 80 localizações, que começou a visitar, documentar fotograficamente e estudar, procurando também conhecer a história, as tradições e a cultura das localidades onde se encontram.

O Forte da Graça foi escolhido para a capa do livro, publicado em 2025, em Mérida. A impressão foi assegurada pela Imprenta Provincial da Diputación de Badajoz.

Portalegre concentra 17 dos locais alentejanos

Dos 73 castelos e fortificações apresentados, 33 localizam-se no Alentejo, de acordo com a contagem dos monumentos identificados no índice da publicação.

O distrito de Portalegre é o mais representado, com 17 locais. A obra inclui as fortificações de Montalvão, Nisa, Amieira do Tejo, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Crato, Alegrete, Alter do Chão, Alter Pedroso, Cabeço de Vide, Arronches, Ouguela, Monforte, Campo Maior, Barbacena e Elvas.

No distrito de Évora são apresentados 13 conjuntos defensivos: Veiros, Estremoz, Borba, Vila Viçosa, Evoramonte, Juromenha, Alandroal, Redondo, Terena, Évora, Monsaraz, Mourão e Portel.

O distrito de Beja está representado pelos castelos de Vidigueira, Noudar, no concelho de Barrancos, e Moura.

A seleção mostra uma maior concentração no Alto Alentejo e nos territórios próximos da fronteira, embora o percurso se prolongue para sul até ao Baixo Alentejo.

Livro aborda conflitos que marcaram a fronteira

A publicação começa com uma introdução histórica dedicada à formação e evolução da fronteira, bem como aos conflitos que determinaram a construção, transformação ou reforço de muitas das estruturas militares.

Entre os episódios abordados encontram-se as Guerras Fernandinas, a crise de 1383-1385, a Guerra da Restauração, a Guerra da Sucessão de Espanha, a Guerra Fantástica e a Guerra das Laranjas.

O Alentejo surge associado a vários momentos desse percurso, incluindo a Batalha das Linhas de Elvas, em 1659, a Batalha do Ameixial, nas proximidades de Estremoz, em 1663, e a Batalha de Montes Claros, travada entre Borba e Vila Viçosa, em 1665.

O livro descreve também a evolução da arquitetura militar, desde os castelos medievais até às fortificações abaluartadas adaptadas ao desenvolvimento da artilharia. Elvas, Juromenha, Campo Maior e Olivença são alguns dos exemplos apresentados neste contexto.

Obra inclui mapa, fotografias e documentos históricos

Cada local dispõe de uma descrição sobre a origem, as alterações arquitetónicas, a função estratégica e o estado de conservação. As fichas são acompanhadas por fotografias captadas pelo autor e, em alguns casos, por plantas, gravuras e documentação histórica.

A publicação inclui ainda um mapa das localizações, códigos QR para acesso a conteúdos digitais, um glossário de termos relacionados com a arquitetura militar e uma bibliografia.

Mais notícias

Escritora alentejana Olinda Pina Gil reúne 15 anos de poesia no livro «Fermentação»

A escritora alentejana Olinda Pina Gil, de Aljustrel, lançou recentemente Fermentação, um livro que...

DGLAB quer Biblioteca Itinerante de Vila Viçosa como «posto avançado de balcão único»

A nova Biblioteca Itinerante de Vila Viçosa poderá assumir funções que vão além do...

Livros, internet e atendimento: Assim vai funcionar a nova Biblioteca Itinerante de Vila Viçosa (c/fotos)

A nova Biblioteca Itinerante de Vila Viçosa vai levar livros, acesso à internet e...

Estremoz celebra 100 anos da elevação a cidade a 30 de agosto

Estremoz celebra no domingo, 30 de agosto, os 100 anos da sua elevação a...

Évora acolhe Laboratório Ibérico de Cooperação Cultural sobre territórios de baixa densidade

O Laboratório Ibérico de Cooperação Cultural nos Territórios de Baixa Densidade realiza-se a 23...

The Gift e Plutónio atuam na Feira de Setembro em Moura

A Feira de Setembro | Artesanato, Saberes e Tradição regressa a Moura entre 10...

Povoado da Idade do Bronze em Beja alvo de projeto arqueológico de 50 mil euros

O povoado do Outeiro do Circo, no concelho de Beja, um dos maiores da Idade...

Gulbenkian/70 anos: Biblioteca ‘sobre rodas’ leva livros e combate isolamento em Redondo

A chegada às aldeias do concelho de Redondo da biblioteca itinerante, ‘herdada’ de um...

Dez dias, 93 ruas e mais de 400 mil visitantes: O balanço de Luís Rosinha sobre as Festas do Povo

As Festas do Povo 2026 ultrapassaram os 400 mil visitantes, segundo os dados avançados...