A escritora alentejana Olinda Pina Gil, de Aljustrel, lançou recentemente Fermentação, um livro que reúne poemas escritos ao longo dos últimos 15 anos e através dos quais a autora acompanha diferentes etapas do seu percurso enquanto escritora, mulher e mãe.
Editada pela On y va e lançada em junho, a obra conta com 126 páginas e reúne uma produção poética marcada por uma dimensão pessoal e intimista, abordando temas como o feminino, a maternidade, o ambiente, a própria poesia e a condição humana.
A escrita dos poemas parte, em vários casos, de situações observadas no quotidiano ou de frases e ideias que permanecem com a autora durante vários dias, até encontrarem forma no poema. Trata-se de um processo diferente daquele que Olinda Pina Gil identifica na sua escrita narrativa, onde assume uma abordagem mais assente na construção ficcional.
Ao longo de Fermentação, o percurso pessoal da autora cruza-se com temas que ultrapassam a experiência individual e procuram pontos de contacto com questões partilhadas por diferentes leitores.
O Alentejo presente na poesia
Apesar de Olinda Pina Gil não considerar Fermentação uma obra diretamente ligada ao Alentejo, o território onde nasceu, vive e trabalha acaba por surgir em vários elementos presentes nos poemas.
A contemplação da natureza e do horizonte, as preocupações ambientais e a relação com a paisagem alentejana são algumas dessas referências. A obra inclui também uma dimensão associada aos monumentos megalíticos da planície e à convivência entre elementos do presente e do passado, visível em referências a santas, ermidas e outros elementos da paisagem e da memória do território.
A influência do Alentejo surge ainda através de figuras como Florbela Espanca e Mariana Alcoforado, associadas a geografias próximas e identificadas entre as referências da autora.
Os ciclos da natureza, particularmente percetíveis na região, cruzam-se igualmente com uma visão da vida doméstica e com os labores tradicionalmente associados às mulheres. Na obra, estes elementos surgem também associados a uma reflexão sobre a relação entre formas de vida transmitidas entre gerações e a modernidade.
Um percurso ligado à escrita
Olinda Pina Gil iniciou a escrita ainda na adolescência, com textos publicados no DN Jovem, suplemento do Diário de Notícias, tendo posteriormente colaborado com diferentes revistas, sites e coletâneas literárias.
Além de Fermentação, publicou obras como Contos Breves, Sudoeste e Sobreviventes, bem como livros destinados ao público infantil.
Com Fermentação, a autora regressa agora à publicação em livro através da poesia, reunindo num único volume textos produzidos ao longo de década e meia.















