A nova Biblioteca Itinerante de Vila Viçosa poderá assumir funções que vão além do acesso aos livros e funcionar também como ponto de acesso a serviços públicos nas freguesias do concelho. A possibilidade foi avançada por Bruno Eiras, subdiretor da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), durante a inauguração do equipamento, esta sexta-feira, 21 de agosto.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Bruno Eiras explicou que a viatura dispõe das condições técnicas necessárias para disponibilizar diferentes serviços digitais à população, embora a definição do que ficará efetivamente disponível caiba ao Município de Vila Viçosa.
«O nosso desafio é que seja também um posto avançado de balcão único», afirmou o responsável da DGLAB, acrescentando que o equipamento poderá permitir o acesso a serviços municipais e do Estado e disponibilizar funcionalidades como pagamentos online.
A Biblioteca Itinerante está equipada com computadores, ligação à internet e rede Wi-Fi, integrando ainda um posto destinado à realização de pagamentos. Segundo Bruno Eiras, «caberá ao município definir o pacote de serviços que estarão disponíveis aqui».
O projeto foi financiado integralmente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pretende conjugar cultura, acesso à informação e transformação digital. Para o subdiretor da DGLAB, o objetivo passa por garantir que os serviços cheguem efetivamente à população e respondam às necessidades identificadas em cada território.
«Nós queremos também que os serviços públicos estejam presentes naquilo que é o digital, mas essencialmente que respondam às necessidades das populações», explicou Bruno Eiras. Caso o Município assim o entenda, acrescentou, a intenção é que possam estar disponíveis na unidade móvel «todos os serviços online que seja possível levar às freguesias de Vila Viçosa».
Livro e informação mais próximos da população
Apesar da vertente de serviços públicos, Bruno Eiras sublinha que a promoção da leitura e do acesso à informação continua no centro do projeto. A Biblioteca Itinerante permitirá prestar um serviço de biblioteca pública a todo o concelho, levando livros e conteúdos digitais às diferentes comunidades.
«É naturalmente uma biblioteca que leva livros, mas que leva essencialmente informação», afirmou, referindo que o novo equipamento representa o início de um serviço de biblioteca pública que deverá chegar à população através de uma estrutura móvel.
Para a DGLAB, a circulação da viatura pelas freguesias é uma componente essencial do projeto. Bruno Eiras salientou que o acesso à leitura e à informação não deve ficar limitado à sede de concelho e que a Biblioteca Itinerante deverá chegar também a associações, coletividades e instituições particulares de solidariedade social.
Segundo o responsável, «quem não se pode ou não quer» deslocar-se deve igualmente ter acesso aos serviços, defendendo que «os serviços públicos vão ter com as populações».
A aproximação do livro às diferentes faixas etárias é outro dos objetivos. Bruno Eiras considera que a promoção dos hábitos de leitura não deve estar concentrada apenas nas crianças, defendendo a necessidade de trabalhar também com jovens, adultos, seniores e famílias.
«Grande parte dos hábitos de leitura nascem em casa», afirmou, acrescentando que é necessário «fomentar e estimular os hábitos de leitura e a necessidade de acesso à informação junto das famílias e junto de todos os segmentos de público».
Para Bruno Eiras, a proximidade poderá ser determinante na utilização do novo serviço. «Nós sabemos que os serviços públicos são tão mais usados quanto mais próximo estiverem das pessoas», afirmou, concluindo que, com a entrada em funcionamento da Biblioteca Itinerante, «o livro estará também mais próximo da população de Vila Viçosa».
DGLAB disponível para trabalhar numa biblioteca fixa
A Biblioteca Itinerante não afasta, no entanto, a possibilidade de Vila Viçosa vir a dispor de uma biblioteca municipal fixa.
Bruno Eiras afirmou que a DGLAB está disponível para continuar a trabalhar com o Município na definição de um projeto e, posteriormente, na procura de financiamento para a construção ou requalificação de um espaço destinado a esse equipamento.
Segundo o subdiretor, poderão ser conjugadas «diversas fontes de financiamento nacionais e europeias» para responder a essa necessidade, caso exista essa intenção por parte do Município.













