A transferência da elefante Julie para o Pangea Elephant Sanctuary, no Alentejo, “não foi uma decisão fácil”, mas foi “a decisão certa” para o animal, afirmou Víctor Hugo Cardinali, diretor do circo onde Julie permaneceu durante quase 40 anos.
A declaração surge, em comunicado da Pangea, depois de Julie, identificada como a última elefante de circo em Portugal, ter chegado ao santuário localizado entre os concelhos de Alandroal e Vila Viçosa, tornando-se a primeira residente daquele espaço dedicado ao acolhimento de elefantes.
“Julie fez parte da nossa família durante quase 40 anos, por isso esta não foi uma decisão fácil, mas é a decisão certa para ela”, afirmou Víctor Hugo Cardinali, citado em comunicado da Pangea.
Segundo o diretor do circo, o acompanhamento da Pangea durante o processo de transferência foi determinante para a decisão. “Poder trabalhar com a Pangea em todas as etapas da sua transferência, e continuar envolvido enquanto ela se adapta, deu-nos a confiança para tomar esta decisão”, referiu.
Víctor Hugo Cardinali acrescentou ainda que o circo pretende manter ligação à elefante. “Desejamos-lhe uma vida feliz na sua nova casa e continuaremos envolvidos na sua vida”, afirmou.
Pangea destaca primeira residente do santuário
Julie é a primeira elefante a residir no Pangea Elephant Sanctuary, projeto desenvolvido no Alentejo para acolher elefantes que necessitem de um novo destino.
Kate Moore, diretora-geral da Pangea, sublinhou o simbolismo da chegada da elefante ao espaço. “Julie é a primeira elefante a chamar casa à Pangea, e não poderia haver primeira residente mais adequada do que a última elefante de circo em Portugal”, afirmou.
A responsável referiu ainda que a missão do santuário passa por trabalhar com proprietários e entidades responsáveis por elefantes, com vista a encontrar soluções para animais que já não possam permanecer nos espaços onde se encontram.
“Muitos circos e jardins zoológicos em toda a Europa estão a chegar a um ponto em que manter elefantes já não é possível ou apropriado, e precisam de um lugar a que possam recorrer”, afirmou Kate Moore.
De acordo com a diretora-geral da Pangea, a colaboração com os responsáveis pelo Circo Víctor Hugo Cardinali enquadra-se nessa forma de atuação. “Trabalhar em parceria com os proprietários para encontrar a solução certa é central na forma como atuamos, como aconteceu com o circo Víctor Hugo Cardinali, e estamos muito gratos pelo seu envolvimento contínuo”, acrescentou.
A responsável adiantou que, após a chegada ao santuário, a prioridade passa pelo acompanhamento da elefante. “O nosso foco agora é dar a Julie a melhor qualidade de vida possível no tempo que tem pela frente”, afirmou.
Embaixadora britânica saúda fim dos animais selvagens nos circos
A chegada de Julie ao santuário surge depois da entrada em vigor plena da legislação que proíbe a utilização de animais selvagens em espetáculos de circo em Portugal, aprovada em 2018 e aplicada de forma faseada até 2024.
Lisa Bandari, embaixadora britânica em Portugal, saudou o fim da utilização de animais selvagens nos circos portugueses e destacou o papel do Pangea Elephant Sanctuary.
“Saúdo o fim da utilização de animais selvagens nos circos em Portugal e fico muito satisfeita por ver uma iniciativa liderada por britânicos, o Pangea Elephant Sanctuary, tornar-se o primeiro santuário deste género na Europa aqui em Portugal”, afirmou.
Segundo a embaixadora, o espaço “dará uma casa a Julie” e poderá, no futuro, servir de “refúgio para outros elefantes em toda a Europa”.
Julie integrou o Circo Víctor Hugo Cardinali em 1988, depois de chegar a Portugal ainda jovem, proveniente do sul de África. A elefante foi retirada da atividade circense em 2024, no contexto da aplicação da legislação portuguesa sobre animais selvagens em circos.
A chegada ao Pangea Elephant Sanctuary concretiza o acordo voluntário entre a Pangea Trust e o Circo Víctor Hugo Cardinali, dando início à presença efetiva de elefantes no santuário alentejano.

















