Noventa obras, ‘assinadas’ por 20 artistas indianos, compõem a exposição “INDIA”, que é inaugurada em Évora, no sábado, transformando o Palácio Duques de Cadaval num espaço de diálogo entre culturas, revelou a organização.
A iniciativa, que vai poder ser visitada pelo público até dia 25 de outubro, representa “um dos projetos expositivos mais relevantes das últimas duas décadas em Portugal”, realçou o Palácio Duques de Cadaval, promotor da mostra.
Em comunicado, a organização explicou tratar-se de “uma exposição de arte contemporânea de grande escala, que cruza uma diversidade de práticas e linguagens” artísticas.
As obras selecionadas vão desde da pintura à abstração tântrica, passando por abordagens figurativas, espirituais e experimentais, “integrando simultaneamente expressões urbanas, contemporâneas e tribais num mesmo espaço expositivo”.
“Mais do que uma exposição temática, ‘INDIA’ propõe um verdadeiro diálogo entre mundos, reunindo artistas de diferentes geografias, contextos e tradições, e apresentando uma visão plural da criação artística indiana”, pode ler-se no comunicado.
O projeto, com curadoria do francês Hervé Perdriolle, “ao cruzar práticas contemporâneas com tradições vernaculares e tribais, desafia as hierarquias convencionais da história da arte e abre espaço a uma leitura expandida da criação contemporânea, onde múltiplas vozes coexistem sem subordinação”.
A mostra “posiciona-se como um projeto de escala e intenção raras no contexto português” e tem, de resto, “um peso particular: trata-se da primeira grande apresentação em Portugal dedicada à arte contemporânea indiana em diálogo direto com práticas tribais”.
“Um marco que reforça o posicionamento do Palácio Duques de Cadaval enquanto plataforma de descoberta, investigação e circulação de narrativas artísticas fora do eixo eurocêntrico”, salientou a entidade promotora.
A exposição ‘instala-se’ neste “território simbólico” que é o contexto histórico mais amplo da relação entre Portugal e a Índia, “uma ligação com mais de cinco séculos, construída através de rotas marítimas, trocas culturais e influências mútuas que continuam a ressoar no presente”.
Por isso, não constitui um “olhar exterior”, mas antes a “continuidade de um diálogo”, procurando “atualizar essa relação através da arte contemporânea, propondo uma aproximação que ultrapassa o exotismo ou a leitura histórica para se afirmar como espaço de encontro entre culturas”.
“Esta aproximação ganha particular relevância no momento atual, em que a criação contemporânea global se revela cada vez mais descentralizada. ‘INDIA’ participa nesse movimento ao reconhecer que a arte contemporânea não é exclusivamente produto das vanguardas ocidentais, mas emerge também de contextos culturais autónomos, profundamente enraizados nas suas próprias tradições”, argumentou a organização.
Segundo o Palácio Duques de Cadaval, o curador Hervé Perdriolle é “figura central na redefinição do olhar ocidental sobre a arte contemporânea não europeia, particularmente no que diz respeito às práticas tribais e vernaculares da Índia”.
“Crítico, colecionador e curador, Perdriolle tem desenvolvido ao longo de várias décadas um trabalho consistente de investigação e divulgação, contribuindo para a valorização de artistas e comunidades historicamente marginalizados pelos circuitos institucionais da arte”, acrescentou.



















