Grândola quer rever o Plano Diretor Municipal (PDM) e avançar com um plano estratégico a médio e longo prazo para responder à falta de habitação e assegurar a sustentabilidade do turismo no concelho. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal, Luís Alexandre, em declarações ao Jornal ODigital.pt, na BTL — Better Tourism Lisbon Travel Market.
O autarca, que iniciou recentemente funções, identificou a habitação como o principal desafio para 2026. «Há aqui uma questão fundamental para o turismo, que é a questão da habitação», afirmou, sublinhando que o concelho tem atualmente «um universo de mais de 20 mil camas» turísticas, sem que tenha sido acautelada a necessidade de trabalhadores para sustentar essa oferta.
Segundo Luís Alexandre, «ninguém fez as contas quantas pessoas seriam necessárias para suportar estas 20 mil camas», o que está a gerar dificuldades estruturais. O presidente admite que a situação coloca pressão sobre o território e pode comprometer o próprio setor.
Habitação no centro da estratégia
O autarca reconhece que o turismo enfrenta «graves problemas para a gestão autárquica e graves problemas para a população», sobretudo devido à escassez de habitação disponível para trabalhadores.
«Não há pessoas em Grândola necessárias para suportarem todo este investimento turístico», afirmou, referindo-se aos empreendimentos em exploração e aos que estão em construção e que deverão entrar em funcionamento a curto prazo.
De acordo com o presidente, a falta de oferta levou promotores turísticos a adquirir ou arrendar imóveis no concelho e nas aldeias limítrofes, reduzindo ainda mais a disponibilidade para residentes. «Os promotores turísticos, não tendo habitação para os seus funcionários, foram comprando, alugando tudo o que podiam», declarou.
Perante este cenário, a autarquia prepara uma revisão «profunda» do PDM, com o objetivo de enquadrar novas soluções urbanísticas e lançar um plano estratégico que permita «transformar Grândola num destino turístico sustentável» e, simultaneamente, responder às necessidades da população.
Novas áreas de desenvolvimento urbano em estudo
Entre as medidas em análise está o reforço da habitação pública e a criação de planos de pormenor, incluindo em espaço rural, desde que não existam condicionantes ambientais ou legais.
O município está ainda a estudar a possibilidade de o PDM prever novas áreas de desenvolvimento urbano na vila de Grândola e nas aldeias de Melides e Carvalhal, destinadas à construção habitacional.
Luís Alexandre garantiu que o processo será debatido com promotores turísticos, juntas de freguesia e população. «Tudo isto será debatido (…) e, em última análise, com a população», assegurou.
Preservar a identidade para garantir o futuro
Apesar das dificuldades identificadas, o presidente sublinha que o concelho não está «de portas fechadas» ao turismo. «Ninguém está contra o turismo. O turismo é, neste momento, o mais importante motor de desenvolvimento económico do concelho», afirmou.
No entanto, defende que é necessário preservar as condições que garantem a continuidade do setor. «Temos que o preservar, mas temos que preservar as bases para que ele se possa perpetuar para o futuro», declarou, destacando a importância da identidade local.
Para o autarca, evitar processos que afastem a população dos seus territórios é essencial. «Não podemos ter processos de transformação em que a população local é sistematicamente afastada dos seus locais de origem», afirmou.
A estratégia da autarquia passa, assim, por equilibrar crescimento turístico, habitação e preservação da identidade, num momento em que o concelho enfrenta uma das maiores fases de investimento turístico da sua história.

















