Câmara de Vila Viçosa quer classificar pedreira romana identificada no concelho

O Município de Vila Viçosa pretende iniciar a classificação de interesse municipal da pedreira romana da Lagoa e admite procurar posteriormente outros níveis de proteção.

A Câmara Municipal de Vila Viçosa pretende iniciar o processo de classificação como de interesse municipal dos vestígios de uma pedreira romana situada na zona da Lagoa. O município admite, numa fase posterior, procurar outros níveis de proteção para o sítio arqueológico.

Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente da Câmara de Vila Viçosa, Inácio Esperança, explicou que será necessário começar por determinar a relevância dos vestígios identificados no local.

«O primeiro passo será avaliar a sua importância e depois o município dar o passo para classificar de interesse municipal. A partir daí, pedir outros tipos de classificação», afirmou o autarca.

A intenção surge na sequência da reunião técnica realizada na quarta-feira, 2 de setembro, entre representantes do município, do Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, da Direção-Geral de Energia e Geologia e da Universidade de Évora.

Dimensão dos vestígios ainda não era conhecida

O sítio arqueológico já se encontrava referenciado, mas, segundo Inácio Esperança, a dimensão dos vestígios apenas foi apurada depois da realização de trabalhos no local.

«Já estava referenciada há algum tempo pelo professor Luís Lopes, da Universidade de Évora, mas não se sabia a dimensão. Entretanto, fizeram-se alguns trabalhos e encontrou-se este achado com esta dimensão», revelou.

O presidente da câmara indicou que existem outros testemunhos da exploração romana de mármore no concelho, nomeadamente nas zonas de São Marcos e Pardais. Contudo, considerou que os vestígios da Lagoa apresentam características diferentes.

«Ainda não tínhamos encontrado uma pedreira romana completa, onde há vestígios da exploração e alguns elementos que não foram levados e que estão lá presentes», declarou.

No local é possível observar a forma como o mármore era retirado do maciço e identificar peças que terão começado a ser trabalhadas ainda na pedreira. Algumas terão ficado abandonadas por apresentarem fraturas ou outros problemas durante o processo de preparação.

«Vê-se a pedreira e como é que se arrancava a pedra do maciço», explicou Inácio Esperança, acrescentando que existem «elementos que já eram quase obra feita» e que só depois seguiriam para o respetivo destino.

Évora e Mérida são apontadas pelo autarca como possíveis destinos do mármore extraído naquela área durante o período romano, embora essa relação ainda tenha de ser estudada.

Município admite futura musealização

A preservação do sítio arqueológico é apresentada pelo município como a prioridade do processo. Uma eventual utilização turística apenas deverá ser analisada posteriormente.

«Em primeiro lugar, preservar. É um bem que não é apenas de Vila Viçosa, é um bem da humanidade. Queremos que seja preservado», afirmou o presidente da câmara.

Inácio Esperança admitiu que, depois de garantida a proteção dos vestígios, poderá ser estudada a musealização do espaço e a criação de condições para a sua valorização.

«Depois, obviamente, musealizá-lo para conseguir daí também obter alguma receita, pelo menos para a sua manutenção», acrescentou.

Proteção terá de ser compatibilizada com exploração de mármore

A concretização deste objetivo dependerá da articulação com a atividade extrativa existente na área. A zona onde se encontram os vestígios está associada à exploração de mármore, o que obriga a conciliar a proteção arqueológica com os direitos e as regras aplicáveis à indústria.

«Não é uma questão fácil. É uma questão que implica também a exploração de mármore ativa naquela zona. É preciso compatibilizar os dois usos», reconheceu Inácio Esperança.

O município deverá agora acompanhar as avaliações técnicas e seguir as orientações das entidades com competências nas áreas do património, da arqueologia, do licenciamento e da segurança das explorações. Só depois desse trabalho será definida a forma de classificação e salvaguarda da pedreira romana.

Mais notícias

Seis anos depois, São Romão (Vila Viçosa) volta a vestir de verde e branco (c/fotos)

O Sporting Clube de São Romão, equipa da aldeia do concelho de Vila Viçosa,...

Voltar às aulas para aprender e ensinar: Universidade Sénior de Vila Viçosa abre novo ano letivo

A Universidade Sénior Padre Joaquim Espanca, em Vila Viçosa, abriu esta sexta-feira, 9 de...

Por Aqui a Pé: 8,5 quilómetros para descobrir Vila Viçosa pela antiga Estrada Real

Há lugares que se conhecem pela estrada e outros que só revelam determinados pormenores...

Semáforos no cruzamento de Bencatel “não é a solução ideal”, afirma autarca de Vila Viçosa que defende criação de rotunda

O presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, considera que a instalação...

Vila Viçosa recebe sessão sobre prevenção do cancro aberta à comunidade

O Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, recebe no dia 14 de outubro de...

Vila Viçosa: IP lança concurso de 400 mil euros para colocar semáforos no cruzamento de Bencatel

A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou um concurso público, com preço base de 400...

De uma senha no balcão a Isaltino Morais: a história improvável do novo videoclipe de Dui MC

Tudo começou com uma senha retirada num balcão da Câmara Municipal de Oeiras. Sem...

Joaquim José, desaparecido em Pardais (Vila Viçosa) desde sexta-feira, encontrado com vida.

Joaquim José, conhecido por "Cardinas" na freguesia de Pardais, no concelho de Vila Viçosa,...

Semana das Sopas Alentejanas decorre em Vila Viçosa até 11 de outubro

A Semana das Sopas Alentejanas começou esta segunda-feira, 5 de outubro, em Vila Viçosa,...