Sines surge entre os pontos de referência do crescimento dos centros de dados em Portugal, com o Start Campus a prever atingir uma capacidade de 1.200 megawatts (MW), num contexto em que a Inteligência Artificial está a aumentar a procura por novas infraestruturas digitais na Europa.
O projeto instalado em Sines é um dos casos destacados no relatório «Data Centers em Portugal 2026», divulgado esta terça-feira, 11 de agosto, pela consultora JLL, que coloca Portugal entre os mercados europeus com condições para beneficiar da deslocação de novos investimentos para fora dos principais centros tecnológicos do continente.
Start Campus prevê atingir 1.200 MW em Sines
Segundo o relatório, o Start Campus prevê alcançar 1.200 MW de capacidade, alimentada integralmente por energia de origem renovável.
O projeto surge num momento em que os promotores de centros de dados e os fornecedores de serviços de computação em nuvem procuram localizações alternativas aos principais mercados europeus, condicionados pela disponibilidade de energia, capacidade das redes elétricas e oferta de terrenos.
A JLL estima que a Inteligência Artificial possa representar cerca de metade da capacidade global dos centros de dados até 2030, aumentando as necessidades de energia e de novas infraestruturas.
Os campus de grande escala previstos para entrar em funcionamento na Europa entre 2026 e 2028 encontram-se, em média, a 175 quilómetros dos principais centros europeus do setor. Nos projetos concluídos entre 2022 e 2025, essa distância média era de 46 quilómetros.
Portugal apontado como alternativa aos principais mercados europeus
A consultora considera que Portugal pode beneficiar desta mudança devido à disponibilidade de energia, localização geográfica, conectividade internacional e existência de espaço para novos projetos.
O relatório refere que mais de 80% da eletricidade produzida no país tem origem em fontes renováveis. Dados da REN citados pela JLL indicam ainda que as renováveis asseguraram 68% do consumo nacional de eletricidade em 2025.
Portugal é também exportador líquido de eletricidade desde 2016, fator que a consultora identifica como relevante num setor em que o acesso à energia está entre os principais critérios utilizados na escolha da localização das infraestruturas.
A conectividade internacional é outro dos fatores destacados. Portugal dispõe de vários cabos submarinos intercontinentais, incluindo o 2Africa, com cerca de 45 mil quilómetros e ligações a 33 países, que chegou a Carcavelos em 2024.
A partir de 2027 está também previsto o reforço das ligações internacionais através do cabo Nuvem, da Google, que deverá estabelecer uma ligação entre Portugal e os Estados Unidos.
IA aumenta procura por novas localizações
Para a JLL, os mercados que conseguirem disponibilizar ligações à rede elétrica em grande escala, estabilidade regulatória e terrenos adequados deverão captar uma parcela crescente do investimento em centros de dados nos próximos anos.
Além do Start Campus, em Sines, o relatório identifica o Merlin Edged Campus, em Vila Franca de Xira, que deverá iniciar atividade com 180 MW de capacidade de tecnologias de informação e poderá atingir 300 MW.
A consultora refere igualmente uma alteração no perfil dos investidores presentes em Portugal, com a entrada de fundos especializados em infraestruturas num mercado anteriormente marcado sobretudo pela presença de operadores de telecomunicações.
Portugal entre os dez mercados que mais cresceram
Dados divulgados esta terça-feira pela consultora Savills colocam Portugal no décimo lugar entre os mercados de centros de dados que mais cresceram a nível mundial desde 2024.
Segundo a informação divulgada, a capacidade instalada no país registou um crescimento de 23% nesse período.
Apesar das perspetivas de expansão, a JLL identifica desafios relacionados com a disponibilidade de trabalhadores qualificados, desenvolvimento da cadeia de fornecimento nacional e transparência ambiental.
Neste contexto, a capacidade prevista para o Start Campus coloca Sines entre os territórios diretamente envolvidos na expansão do setor em Portugal, num período em que o crescimento da Inteligência Artificial está a alterar a localização e a dimensão dos novos projetos de centros de dados na Europa.



















